A maioria dos espanhóis nunca fez uma prova de esforço nem segue um plano de treinos

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Foi divulgado recentemente o sexto estudo CinfaSalud “perceção e hábitos dos corredores e corredoras espanholas”, avaliado pela Sociedade Espanhola de Medicina do Desporto (SEMED). Segundo o estudo, apesar de aumentar diariamente o número de praticantes em Espanha, (estimam-se em 3,14 milhões), 93,3% deles não se preparam adequadamente para correr,

Eduardo Zorzano, cientista do Departamento Médico dos Laboratórios Cinfa, afirmou que para desfrutar dos beneficios da corrida e evitar os seus riscos, é crucial adotar medidas preventivas como submeter-se a revisões médicas e provas de esforço.

Por sua vez, o médico Pedro Manonelles, presidente da SEMED, destacou a importância de recorrer-se ao conselho profissional no momento de elaborar planos de treino e de alimentação, adaptados às necessidades de cada um. “Ainda que as exigências da atividade física de tipo recreacional não sejam tão elevadas como as dos profissionais, também podem alcançar uma grande intensidade”.

63% de homens e 37% de mulheres a correrem

Os números do sexto estudo CinfaSalud põem em evidência a falta de preparação dos corredores espanhóis: 77% deles não seguem um plano de treinos regular; 48,5% não aquece antes de correr nem estira depois e 86,2% não segue um plano de alimentação adequado à sua prática desportiva. Mais grave, 75,1% nunca fez uma prova de esforço, precaução que os maratonistas também dispensam pois 40,8%, nunca fizeram uma prova de esforço – nem os corredores que sofrem de uma afeção cardiovascular prévia: 69,8% não se submetem a este teste.

A investigação dos Laboratórios Cinfa e SEMED, primeiro estudo sobre os hábitos de saúde dos corredores espanhóis, baseou-se num questionário online realizado a  quase 2.400 mulheres e homens, entre 20 e 60 anos que correm pelo menos duas vezes por semana.

Estima-se que 63% dos corredores espanhóis são do sexo masculino. Segundo o estudo, correm cerca de 3h22m durante a semana e mais de metade, fá-lo por três ou mais vezes semanais. Mas competem apenas numa média de cinco corridas por ano.

As consequências da falta de preparação adequada

As consequências da falta de preparação podem também medir-se em números: 61,8% dos corredores espanhóis sofreram no último ano, de problemas de saúde quando praticam este desporto; 38% sofreram uma lesão muscular – sobretudo na perna, joelho e tornozelo; 23,1%, fortes dores de cabeça; 11,9% de fraturas e ligamentos; 9,8% de vertigens e desmaios e 8,9% de palpitações.

Há ainda que salientar que no último ano, se lesionaram apenas 43,5% de mulheres corredoras contra 56,3% dos homens. Estes números não querem dizer que as corredoras estão mais capacitadas físicamente para este desporto que os seus companheiros mas sim, que se preparam melhor.

Por exemplo, segundo o estudo, 18,8% das inquiridas seguem uma dieta adaptada às suas necesidades desportivas, enquanto que nos homens, apenas 9% tem essa precaução. E 27,1%  tem um treinador pessoal, superando os homens que tomam esta medida (19%).

Metade dos corredores correm com telemóvel

A popularidade da corrida veio acompanhada com uma crescente procura de artigos e complementos desportivos de todo o género. Os corredores espanhóis gastam uma média de 39,6 euros por mês (475 euros por ano) mas 5,1% gasta mais de cem euros mensais. Os sapatos específicos para a corrida são o artigo mais utilizado (86%), seguidos da roupa técnica desportiva (75,5%), os auriculares (58,5%) e o telemóvel: 50,2% dos espanhóis levam-no consigo quando correm.

 

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