Ana Cabecinha, nomeada ao Prémio Atleta do Ano – Revista Atletismo

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Estreia inesperada nos Jogos com 8º lugar e… recorde

Ana Cabecinha foi a primeira “vítima” do excesso de marchadoras portuguesas de alto nível mas, depois da (inesperada) estreia nos Jogos Olímpicos de Pequim’2008, logo com um 8º lugar e um recorde nacional, não mais deixou de estar nas grandes competições… e a alto nível, entre as 4ª e 8ª posições.

Quando chegou esse grande momento, nos Jogos, a atleta algarvia, embora com apenas 24 anos, já levava 13 de atletismo… Tudo começou quando, aos 11 anos, Ana Cabecinha se considerava “gordinha” e quis emagrecer. Dirigiu-se ao Clube Oriental de Pechão (Olhão), começou a entrar em corridas (era segunda/terceira) e chegou a participar num Atleta Completo. “Tinha jeito para tudo, menos para saltos”, recorda.

Até que, um dia, Paulo Murta, outro treinador do clube, levou os jovens a experimentar a marcha. Gostou e ficou… Rapidamente deu nas vistas. Somou títulos nacionais nos escalões jovens e, em 2003, teve o seu primeiro grande momento, ao ser terceira no Europeu de Juniores. Foi uma surpresa, até para ela, que tinha apenas o oitavo tempo entre as concorrentes. Dois anos depois (2005), foi quarta no Europeu de Sub-23 e em 2006 fez os mínimos para o Campeonato da Europa de Gotemburgo, nos 20 km marcha, com 1.31.02, marca que permanece como recorde nacional de sub-23. Mesmo assim, ficou fora do Europeu, o que a deixou desconsolada. “Foi uma injustiça”, reafirma. Em 2007, também não foi selecionada para o Mundial, mas, neste caso, reconhece que não tinha lugar. E, ao conseguirem um 5º (Susana Feitor), um 7º (Inês Henriques) e um 11º lugares (Vera Santos), as três marchadoras portuguesas quase garantiram a presença nos Jogos de Pequim. Mas faltava o quase e, na época seguinte, tudo se alterou, apesar da atleta algarvia ter sido operada a uma hérnia inguinal em Outubro. “Já estava mentalizada para esperar pelos Jogos de 2012”, recorda. Mas, meses depois, Ana Cabecinha foi terceira com um recorde pessoal de 1.29.56 no Grande Prémio de Rio Maior, e 11ª (com 1.29.39) na Taça do Mundo, em Cheboksary (Rússia), a um só segundo de Susana Feitor e fechando a equipa que foi segunda classificada.

A candidatura de Ana Cabecinha voltava a estar de pé e acabou por consumar-se, apesar de uma desistência anterior na Corunha (“a pressão foi muito grande e não aguentei”). Perdeu então todas as esperanças (“até quis deixar de treinar, o meu treinador é que insistiu e me convenceu”). E em tão boa hora que se sagrou campeã nacional (de 10 km) com recorde nacional e foi selecionada para os Jogos de Pequim, o ponto mais alto da sua carreira.

Depois de um ano de 2009 marcado por uma lesão que a afastou da competição bem cedo na época, Ana Cabecinha tornou-se a melhor marchadora nacional, brilhando em especial nas grandes competições: foi 7ª no Europeu de 2010, 6ª no Mundial de 2011, 8ª nos Jogos de 2012 (com a então sua segunda marca de sempre – 1.28.13), 8ª no Mundial de 2013; 6ª no Europeu de 2014, ano em que se aproximou a três segundos do seu recorde nacional, ao ser 8ª na Taça do Mundo, com 1.27.49; 4ª no Mundial de 2015; 6ª nos Jogos de 2016. E ainda tem alguns anos de marcha à sua frente…

Entretanto, nunca deixou de correr, em especial nos campeonatos de clubes, tendo como recordes pessoais 4.31,73 aos 1500 m, em 2007; 9.46,08 aos 3000 m, em 2013; e 17.57,34 aos 5000 m, em 2012…

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1 Comentário

  1. É simplesmente única, simples, amiga, com um coração de Ouro. No clube, na cidade, todos a adoram…. Ana Cabecinha

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