David Inácio | Da pista para a estrada

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David Inácio tem 34 anos e corre pela Juventude Desportiva de Almansor. Tinha quatro anos de idade quando participou na sua primeira prova. Dedicou-se à pista com bons resultados até aos 25/26 anos mas optou depois pelas corridas devido às lesões.

David Inácio nasceu em Ris-Orangis, na França. Tem 34 anos e é Personal Trainer.

O atletismo tem feito sempre parte da sua vida pois correu a sua primeira prova aos quatro anos de idade e começou a treinar regularmente aos seis. Desde então, nunca mais deixou de correr.

Lesões interrompem carreira de velocista e saltador

Até aos 25/26 anos, a vida de David como atleta, foi na pista como velocista e saltador, revelando um nível apreciável que lhe permitiu alcançar alguns títulos nacionais e recordes regionais nas camadas jovens. Decidiu-se perto dos 30 anos pelas corridas populares, devido às lesões sofridas na velocidade.

Na sua opinião, “o mais importante é continuar ligado a esta modalidade, independentemente da disciplina que escolha”.

Levar o atletismo a sério

É atleta da Juventude Desportiva de Almansor e treina 7 a 9 vezes por semana, a maior parte das vezes sozinho. Tem um treinador, Luís Pinto, desde Setembro de 2015.

Não lhe tem sido difícil conciliar os treinos e corridas com a sua atividade profissional. “Não tenho grande dificuldade em conciliar o trabalho com os treinos, mas é claro que com tanta sessão de treino semanal, existe sempre alguma dificuldade em conciliar, principalmente a questão do descanso”.

Participa habitualmente em 12 a 15 provas anuais. “Não sou atleta de competir muito, porque gosto de me apresentar bem em todas as provas”.

“Toda a minha vida até agora, esteve ligada ao desporto, principalmente o atletismo e não me vejo a deixar de correr”

Ganhar na sua terra

A sua prova preferida é os 15 km de Benavente. “Porque é na minha terra e foi onde me estreei”.

Já a prova que menos lhe agradou foi uma disputada no ano passado na zona de Alcochete. Perdeu-se devido à deficiência da marcação do percurso e acabou por desistir porque já tinha perdido muito tempo.

Recorda-se ainda pela negativa, de um Campeonato Regional de Estrada. Para além da dureza do percurso, estava um calor terrível e deram água quente nos abastecimentos.

A sua distância preferida vai para os dez mil metros.“Mas começo a ganhar gosto por distâncias um pouco maiores”. Ainda não se estreou na distância da maratona mas pensa fazê-lo em 2018 ou 2019.

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“Não sou atleta de competir muito, porque gosto de me apresentar bem em todas as provas”

 

 

A vencer em Benavente em quase todos os escalões

Convidado a revelar-nos qual o momento da sua carreira que mais o marcou, escolheu o seu triunfo em Setembro último, em Benavente. “Não pela marca que realizei, mas sim pelo significado da vitória. Desde os meus quatro anos que participo nela e o facto de ter ganho em quase todos os escalões e chegar aos seniores e vencer, também é algo de muito especial para mim”.

Correr até as pernas o deixarem  

Pensa correr até as pernas o deixarem. “Toda a minha vida até agora, estive ligada ao desporto, principalmente o atletismo e não me vejo a deixar de correr”.

Não esquece os exames médicos desportivos, no início de época. Já foi visitado pelas lesões, normalmente nos joelhos, tendões de Aquiles e uma ou outra, mais a nível muscular. Mas nada de muito grave, apenas as lesões mais comuns.

Na alimentação, procura seguir uma dieta equilibrada, sem nunca entrar em loucuras, tendo a liberdade de cometer esporadicamente, um ou outro excesso.

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“Há pouca (ou quase inexistente) influência do desporto escolar na formação dos jovens”

 

 

Voleibol como modalidade alternativa

Se não estivesse no atletismo, teria provavelmente escolhido o voleibol. Diz-nos que é uma modalidade que aprecia bastante desde muito novo e que a praticou a nível escolar, acabando por se especializar nela quando estudou na Faculdade.

Maior evolução nas disciplinas técnicas

Quanto ao futuro da modalidade, David é de opinião que se trabalha muito bem no país e que se irá melhorar muito, principalmente nas disciplinas técnicas. “Sendo um país muito pequeno, ainda vamos conseguindo ter resultados de relevo. Penso que existem bons projetos, tais como, as apostas cada vez maiores dos grandes clubes na formação de jovens atletas”.

Ainda assim, considera que poderíamos obter melhores resultados. Aponta-nos duas razões para tal não ter sucedido e que lhe parece serem as mais importantes: “A falta de apoio financeiro, principalmente no desporto de alta-competição e a pouca (ou quase inexistente) influência do desporto escolar na formação dos jovens”.

Menos rivalidade que noutras modalidades

No mundo das corridas, aprecia o ambiente que se vive, principalmente nas competições, onde não se vê tanta rivalidade como nos outros desportos. “Penso que esta é uma grande vantagem do atletismo e que o torna também mais especial”.

David refere ainda a facilidade com que o atletismo consegue chegar a todas as faixas etárias e o número crescente de pessoas que aderem às corridas e caminhadas.

Remédio para uma melhor organização das provas

Na sua opinião, se todas as Organizações pensassem a prova para os atletas e não para a organização em si, iriam, com toda a certeza, organizar boas provas.

Atleta e diretor da Juventude Desportiva de Almansor

O nosso entrevistado não se limita a correr na Juventude Desportiva de Almansor. Foi também seu fundador e é diretor. A “JDA é um clube de formação que procura todos os anos trabalhar com o máximo de jovens e formá-los (desportiva e pessoalmente), para mais tarde virem a ter o maior sucesso possível, nas várias áreas das suas vidas”.

Os seus projetos na modalidade passam por continuar a trabalhar para obter os melhores resultados possíveis como atleta e ajudar também o clube a desenvolver o trabalho a que se propõe todas as épocas.

 Quando saltou da pista 1 para a 5 e regressou à 1

Ainda não são muitas as estórias que David tem para nos contar. Mas relata-nos esta deliciosa, passada na sua primeira prova de pista. “Foi uma de 60 metros, parti na pista 1, fui até à 4 ou 5 e voltei para a 1 e ainda terminei em 1°. Acabaram por me relegar para o último lugar. Apesar de ser muito novo, na altura, era Benjamin, ficou gravado na memória”.

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