Entrevista a António Nobre, candidato à FPA | «Criaremos uma nova dinâmica»

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  1. O que o levou a decidir candidatar- se à presidência da Federação Portuguesa de Atletismo?

Desde há muito que inúmeras pessoas de várias áreas da modalidade e do desporto me têm questionado sobre essa possibilidade e no passado verão, com a aproximação do final do mandato desta direção, houve um recrudescimento dessa “pressão”. A pedra de toque foi, sem dúvida, o desafio lançado por um vasto número de associados da FPA que se reuniram em finais de setembro e manifestaram em comunicado a intenção de se “empenharem no apoio a uma candidatura de mudança”

  1. Quais os principais nomes da sua lista?

Não há nomes principais. Queremos funcionar como uma equipa coesa, sólida, solidária, empenhada, em compromisso com todo o movimento associativo. Na prática, a minha equipa será a Direção da FPA, os seus Órgãos Sociais, os dirigentes e técnicos das 22 Associações Distritais, os dirigentes dos 6 Associados Extraordinários e os membros do Conselho Geral da FPA, um novo órgão que pretendemos criar. Quanto à Direção, a carreira de praticamente todos os seus elementos fala por si. Na sua escolha, dei preferência a aspetos como a paixão pela modalidade, a vontade de servir uma causa, a disponibilidade de tempo e não é por acaso que temos como mote “Uma Candidatura de Compromisso” — “empenho, dedicação, competência”.

  1. Quem será o diretor-técnico nacional? Quais as principais características que levaram à sua escolha?

Nunca avançaria sem ter comigo uma figura que pudesse ser muito bem aceite pelo movimento associativo e pela modalidade em termos gerais, como Diretor Técnico Nacional. Pelo trabalho que desenvolveu enquanto Treinador Nacional de Saltos (de 2001 a 2008) e como DTN (2008-2012), o prof. José Barros é, indiscutivelmente, a pessoa certa. Quem primeiro o escolheu para o desempenho da função foi o prof. Fernando Mota, que hoje afirma que “foi o melhor DTN que a FPA teve desde sempre, incluindo-me a mim nesta contabilidade, porque também fui DTN durante 10 anos”.

  1. Qual a sua principal preocupação no primeiro ano de mandato?

Criar uma nova dinâmica e um significativo acréscimo de eficácia. Por isso, propomos uma Direção com onze dirigentes, cada um administrando um pelouro. O facto de terem uma área de ação concreta para coordenar e dirigir irá vinculá-los à estrutura de forma sólida e consistente e estamos convencidos que não iremos começar com 11 e acabar com 3 “dirigentes ativos”, como acontece atualmente. As Associações irão sentir a diferença pela nossa proximidade, pela partilha de informação, pelo diálogo, pelo trabalho em equipa e este “novo clima” alterará por completo o paradigma. Queremos que o nosso trabalho produza um “efeito-borboleta”, de modo a podermos ver resultados a médio e longo prazo

  1. O orçamento federativo tem-se mostrado insuficiente. Acredita que será possível aumentá-lo através de comparticipação estatal e patrocínios? Que medidas tem previstas nesse sentido?

A falta de organização, uma deficiente gestão e uma despropositada arrogância negocial têm desperdiçado a captação de recursos e afetado a capacidade de negociação com as instituições com quem a FPA se relaciona e pelas quais é apoiada. Nas reuniões que temos promovido com CDP, COP, IPDJ e Fundação do Desporto temos verificado que muito ficou por fazer e o que se fez terá de ser melhorado. Averiguámos da possibilidade de reforço do financiamento dos contratos-programa existentes e do financiamento dos novos planos e programas que constam do nosso programa eleitoral, projeto a projeto. Por outro lado, introduzimos a possibilidade de candidatura ao Programa Erasmus Plus e ao INTERREG (neste caso para projetos transfronteiriços, a elaborar com as associações que fazem fronteira com Espanha), fundos comunitários com dimensão muito significativa, até porque temos “capacidade instalada”, visto que irá pertencer à nossa Direção um ex-coordenador nacional do Programa Erasmus. Esta enorme possibilidade de reforço do financiamento ficou bem evidente na reunião que realizámos com responsáveis da Agência Erasmus em Portugal. Em termos privados, não será nada difícil fazer melhor do que tem sido feito nestes quatro anos. É praticamente inexistente o financiamento captado por esta via.

  1. As Associações Regionais vivem igual- mente em permanente dificuldade financeira. Que medidas tem previstas para aliviar essa dificuldade?

Só para dar um exemplo, iremos desenvolver em conjunto com as Associações Distritais um Plano de Cooperação Estratégica com Municípios que poderá melhorar significativamente vários indicadores de gestão (mais clubes, mais filiados, mais financiamento, etc…). Neste âmbito, existirá o Programa de Educação Atlética “O Atletismo vai à Escola”, para escolas do 1º Ciclo (AEC´s). Todo o seu financiamento será distribuído na totalidade pelas Associações que aderirem. Poderemos perspetivar que, nomeadamente nas Associações mais pequenas, esse financiamento poderá aproximar-se do valor atual recebido via “duodécimos”.

  1. O que pode prometer às Associações Regionais no sentido de uma maior aproximação e intercâmbio de ideias?

Na nossa Direção constituiremos “um triângulo virtuoso” de trabalho e comunicação entre os vice-presidentes para o Desenvolvimento Regional e para o Atletismo Jovem, Escolar e Formação e o DTN. A ligação às dire- ções das Associações Distritais e aos seus DTR´s será permanente. Não pretendemos melhorar somente a comunicabilidade com as Associações (praticamente inexistente nos últimos 4 anos) com a nomeação de um vice-presidente para fazer atendimento. Pretendemos trabalhar em conjunto, em parceria, de modo comprometido e em compromisso.

  1. Portugal já esteve duas vezes na Superliga do Europeu de Seleções mas nas últimas edições ficou longe do objetivo subida. Acha possível um regresso a esse patamar? Que medidas acha prioritárias para tal?

Claro que não só acho possível, como será um objetivo. Esta competição passará a realizar-se nos anos ímpares e iremos trabalhar para regressar ao topo já em 2019. Trabalhando em equipa, com calendário competitivo adequado, promovendo competição internacional em determinadas disciplinas e com um selecionador nacional “de proximidade”, um conjunto de medidas que não foram levadas à prática nos últimos tempos.

  1. O atletismo jovem tem tido como pontos altos competitivos o Olímpico Jovem, o Atleta Completo e os torneios Mega. Tem planeada alguma alteração relevante neste setor? Será possível inverter a desertificação que se verifica no interior do país a nível de equipas seniores?

Acho bem corrigir que, infelizmente, o Atleta Completo foi suprimido. E contrariando a onda de supressão de iniciativas e competições que tem existido, iremos reverter algumas das medidas aplicadas pela atual direção, procurando recuperar a dinâmica do setor juvenil, perdida nos últimos anos. Será a melhor forma de homenagear o Prof. António Vilela. Por outro lado, desenvolveremos com os DTR´s propostas de reformulação do regulamento geral de competições para os escalões jovens. Procuraremos melhorar a situação clubística no interior do país pelo reforço de um quadro competitivo estimulante para os escalões de juniores e esperanças e trabalhando em propostas de mudança dos modelos das competições de clubes.

  1. As corridas/caminhadas em estrada têm tido um grande incremento mas têm passado um tanto ao lado da Federação. Que medidas tem previstas no sentido de uma aproximação? Ou entende que este deve ser um movimento independente da estrutura federada?

Iremos reativar a CNEC. Por outro lado, haverá um dirigente responsável pela ligação aos associados extraordinários da FPA que com ela podem e devem colaborar na melhor regulação possível destes setores.

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