Entrevista a Jorge Vieira, candidato à FPA | «Soubemos gerir em crise aguda»

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  1. O que o levou a decidir recandidatar-se à presidência da Federação Portuguesa de Atletismo?

Recandidato-me porque estou convicto de que somos quem melhor conhece a modalidade, os seus principais intérpretes (dirigentes, treinadores e atletas) e temos os melhores projetos para o seu desenvolvimento. Recandidato-me porque nós, melhor do que qualquer outro candidato, conhecemos o que foi gerir a modalidade num ambiente de grave crise, nunca antes vivida no país e na modalidade. Conseguimos assegurar atividade federativa com menos 1,2 milhões de euros e, ainda assim, implementámos medidas concretas. Concebemos a plataforma Lince, criámos fontes de receita própria, batemos o recorde do número de atletas e clubes filiados, apetrechámos escolas e clubes com 400 kits de treino, tivemos mais de 4000 participações em formações da FPA, realizámos a Gala dos Mestres e Campeões, etc. Conseguimos resultados de desenvolvimento da modalidade e de performance dos atletas que qualquer análise, minimamente atenta, reconhece. Agora, que alcançámos a estabilidade e alguns sinais de recuperação económica começam a manifestar-se no nosso país, entendemos que devemos ser nós a contar com o voto de confiança dos nossos associados. Demonstrámos que sabemos gerir em ambiente de crise aguda. Faremos muito melhor num ambiente de maior estabilidade e previsibilidade. É esta a nossa convicção.

  1. Quais os principais nomes da sua lista?

Não revelarei nomes antes da entrega oficial das listas. Temos nomes experientes e conhecedores da nossa modalidade, com muita paixão e com uma crença vincada de que em 2020 o atletismo português terá alcançado patamares de desenvolvimento que confirmarão o nosso estatuto de modalidade de campeões.

(NOTA : esta entrevista foi publicada na edição de Dezembro da Revista Atletismo em papel e nessa altura ainda não tinham sido a entrega oficial das listas. Pode ver os nomes que acompanham Jorge Vieira aqui

  1. Quem será o diretor-técnico nacional? Quais as principais características que levaram à sua escolha?

Teremos um DTN com boa capacidade de comunicação e pragmatismo, com larga experiência federativa e associativa, para quem o desenvolvimento regional é um passo determinante e inadiável para alcançar resultados de alto nível na elite. Fará com que todas as associações se sintam úteis e participativas no esforço nacional e internacional.

  1. Qual a sua principal preocupação no primeiro ano de mandato?

Continuar o trabalho já encetado, assegurando a continuidade das inovações já empreendidas. Reforçar o quadro competitivo juvenil nacional (Km Jovem, Triatlo e Tetratlo). Apostar na qualificação. Apostar na aproximação de todos os associados ao processo de decisão.

  1. O orçamento federativo tem-se mostrado insuficiente. Acredita que será possível aumentá-lo através de comparticipação estatal e patrocínios? Que medidas tem previstas nesse sentido?

Reivindicaremos, como sempre, a recuperação dos rendimentos estatais — que sofreram uma quebra de 26% relativamente ao máximo histórico. Procuraremos, como sempre, melhorar a apresentação pública da nossa modalidade, melhorando o nosso processo de comunicação, atraindo patrocinadores. Esperamos que a economia nacional recupere para que o tecido empresarial ganhe confiança nos seus investimentos de marketing no desporto

  1. As Associações Regionais vivem igual- mente em permanente dificuldade financeira. Que medidas tem previstas para aliviar essa dificuldade?

A recuperação dos rendimentos, referida no ponto anterior, contemplará, em primeiro lugar, o orçamento associativo. As associações contam, hoje, com 800 000 euros, atribuídos, sempre “a tempo e horas”. Este montante, atribuído em regime duodecimal, igualou já o máximo de sempre.

  1. O que pode prometer às Associações Regionais no sentido de uma maior aproximação e intercâmbio de ideias?

Prometo um vice-presidente dedicado, inteiramente, à causa do desenvolvimento regional, para o qual a proximidade será a pedra- de-toque da sua atuação. Prometo a constituição de comissões, formadas maioritariamente por dirigentes associativos, que se debruçarão sobre os temas mais candentes do nosso desenvolvimento. Prometo a reunião regular dos presidentes associativos num Fórum de Presidentes. Prometo a integração dos DTR’s nas rotinas de trabalho da Direção Técnica Nacional. Prometo a criação dos Centros de Formação e Desenvolvimento Regional, organizações que terão a competência de apoiar o esforço de desenvolvimento das regiões.

  1. Portugal já esteve duas vezes na Superliga do Europeu de Seleções mas nas últimas edições ficou longe do objetivo subida. Acha possível um regresso a esse patamar? Que medidas acha prioritárias para tal?

A última edição do Campeonato da Europa realizado este ano em Amesterdão revelou, como nunca antes, a capacidade da nossa modalidade para obter êxitos de pódio em todos os sectores da modalidade. Subir no ranking das nações europeias parece-nos possível. Só o conseguiremos elevando, significativamente, o valor técnico da modalidade. O atletismo juvenil, numa perspetiva de médio/longo prazo, é absolutamente determinante. Apoiar os melhores no topo, como tem vindo a ser feito, será continuado e reforçado. Continuaremos a aposta no enquadramento técnico dos nossos melhores atletas e na elitização dos nossos talentos, através da “Equipa Técnica Multidisciplinar”, organização que, pela primeira vez na nossa modalidade, agregou as valências médicas — médicos, fisioterapeutas, massagistas, nutricionista — já pré-existentes – com as novas valências — inéditas — biomecânica, fisiologia e psicologia

  1. O atletismo jovem tem tido como pontos altos competitivos o Olímpico Jovem, o Atleta Completo e os torneios Mega. Tem planeada alguma alteração relevante neste setor? Será possível inverter a desertificação que se verifica no interior do país a nível de equipas seniores?

A última edição do Campeonato da Europa realizado este ano em Amsterdão revelou, como nunca antes, a capacidade da nossa modalidade para obter êxitos de pódio em todos os sectores da modalidade. Subir no ranking das nações europeias parece-nos possível. Só o conseguiremos elevando, significativamente, o valor técnico da modalidade. O atletismo juvenil, numa perspetiva de médio/longo prazo, é absolutamente determinante. Apoiar os melhores no topo, como tem vindo a ser feito, será continuado e reforçado. Continuaremos a aposta no enquadramento técnico dos nossos melhores atletas e na elitização dos nossos talentos, através da “Equipa Técnica Multidisciplinar”, organização que, pela primeira vez na nossa modalidade, agregou as valências médicas — médicos, fisioterapeutas, massagistas, nutricionista — já pré-existentes – com as novas valências — inéditas — biomecânica, fisiologia e psicologia

  1. As corridas/caminhadas em estrada têm tido um grande incremento mas têm passado um tanto ao lado da Federação. Que medidas tem previstas no sentido de uma aproximação? Ou entende que este deve ser um movimento independente da estrutura federada?

As corridas e as caminhadas têm tido um grande incremento no nosso país e no estrangeiro. O nome e a notoriedade da modalidade é, hoje, amplamente utilizado por operadores privados, visando a obtenção de lucros significativos. Em primeiro lugar procuraremos atrair os praticantes para o interior da nossa estrutura associativa, oferecendo-lhe serviços úteis sem cercear a sua liberdade. Estamos em pleno processo de lançamento do Cartão Runner, caminho iniciado tendo em vista a filiação ulterior, informal, dos “runners” na família do atletismo. Procuraremos, também, com todos os nossos associados determinar o processo que visará regulamentar a partilha de proveitos destes eventos, para constituição do “Fundo Financeiro para o Desenvolvimento do Atletismo”.

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