Mitos e factos sobre as cãibras musculares

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As cãibras são uma das causas mais comuns de dor entre os corredores, e são especialmente associadas às corridas de longa distância, como maratonas e ultramaratonas. Dificilmente alguém nunca passou pela experiência, mas para estes, não custa informar que cãibra é uma contração muscular súbita, involuntária e dolorosa de um grupo muscular. Como existem vários mitos que se formaram sobre as causas e os tratamentos deste problema, que atinge tanto, atletas iniciados como veteranos campeões, aqui vão alguns esclarecimentos.

Mito: As cãibras são causadas por cansaço muscular.
Não! As cãibras podem ser causadas por vários motivos. Elas podem ser divididas em cãibras fisiológicas (que ocorrem em músculos normais, causadas pelo exercício físico), patológicas (que ocorrem em músculos ou nervos doentes) e cãibras sintomáticas (associadas a alguns tipos de doenças ou ao uso de medicamentos). Como este artigo é sobre as cãibras relacionadas com o exercício, todos os comentários referem-se a este tipo, que é o mais comum.

Mito: As cãibras são mais comuns nas pernas.
Verdade! Elas são mais comuns nos músculos que cruzam duas juntas (ou articulações), como os dos gémeos e anteriores e posteriores da coxa. Estes músculos são mais longos e o reflexo deles é mais estimulado, pois são esticados com maior frequência. Uma outra forma de cãibras, são as dores provenientes da contração involuntária do diafragma, que causa a famosa dor de barriga nos atletas destreinados ou que se submetem a um esforço exagerado.

Mito: Não se sabem as causas das cãibras.
Sabe-se! Várias teorias tentam explicar a origem da cãibra associada ao exercício. A mais aceite foi desenvolvida por cientistas da África do Sul e envolve uma causa a partir do sistema nervoso. Todo o músculo é controlado por um determinado nervo, que estimula a sua contração. Músculos que trabalham encurtados por muito tempo, como numa maratona, levam a uma estimulação excessiva deste nervo, provocando um reflexo de contração anómala, desencadeando a cãibra.

Mito: Existem medicamentos que podem causar cãibras.
Verdade! Várias substâncias podem facilitar a ocorrência de cãibras, entre elas, diuréticos e remédios para pressão.

Mito: Cãibras acontecem apenas em atletas destreinados.
Falso! Mais de 90% das pessoas, mesmo não praticantes da corrida, terão algum episódio de cãibra durante a vida. Atletas destreinados que exageram na carga de exercícios, apresentam maior risco de terem cãibras. Entretanto, mesmo veteranos podem ter cãibras, se realizarem um esforço acima do habitual.

Mito: Algumas pessoas têm mais cãibras do que outras.
Verdade! Há uma predisposição pessoal para ter cãibras, que podem não parar de acontecer mesmo com um tratamento adequado. Alguns atletas têm sempre cãibras após correr 30, 40 ou mais quilómetros, apesar de estarem bem preparados para correr, alimentarem-se bem e cumprirem uma boa hidratação. Este fenómeno ocorre mais em atletas idosos, pesados ou que não apresentem bons hábitos de alongamentos.

Mito: Quanto mais nervoso o atleta, mais cãibras ele pode ter.
Verdade! O aspeto psicológico é importantíssimo para as cãibras serem evitadas. Num estudo americano, apenas o acto de tomar uma pílula sem efeito (placebo) antes de uma maratona, levou a que um grupo de atletas tivesse menor incidência de cãibras do que os atletas que disputaram a mesma prova. Quanto mais preparado mentalmente estiver um atleta para o seu desafio, melhor ele se sairá.

Mito: Durante uma cãibra, não há nada a fazer.
Falso! Na hora em que uma cãibra ocorre, o grupo muscular afetado deve ser alongado de imediato, para reduzir a duração da dor e para evitar novas cãibras. Quando a dor é na região do gémeo, a melhor maneira de alongar é subir um degrau e soltar o peso em cima do calcanhar, esticando o joelho e alongando os músculos do tendão de Aquiles. Quando a dor é na região da frente da coxa, apoiar o braço em algum poste ou parede, ficar em cima da perna que não dói e segurar o peito do pé da coxa contraída, tentando juntar o calcanhar na região glútea e jogando o corpo para trás.
Logo após parar de correr, colocar gelo na musculatura dolorida ou tomar um banho frio ajuda de duas maneiras: previne a inflamação e melhora a dor local (baixa o estímulo dos nervos e do reflexo da cãibra). Se a cãibra for acompanhada de tonturas, mal-estar e vertigens ou desmaio, o atleta deve interromper imediatamente o exercício e procurar atendimento médico urgente.

Mito: Bebendo bastante água consigo prevenir cãibras.
Falso! O consumo excessivo de água, sem reposição de sal, pode desencadear uma baixa do nível de sódio no sangue (hiponatremia), uma das causas de cãibras patológicas.

Mito: Comer bananas evita as cãibras.
Falso! A banana é uma ótima fonte de potássio, porém as cãibras associadas à perda de líquidos e sais pelo suor, são devidas à diluição do sódio no sangue, como mencionado na explicação do mito anterior. O uso de bebidas isotónicas ou água e alimentos com sal são métodos mais efetivos para prevenir este tipo de cãibra.

Mito: Beber água tónica evita as cãibras.
Falso! Embora o quinino, substância presente na água tónica, tenha sido usado na prevenção de cãibras, o seu uso foi proibido nos Estados Unidos, devido à sua toxicidade. Mas em estudos europeus, idosos com cãibras noturnas, tratados com quinino obtiveram sucesso no tratamento. De qualquer maneira, a quantidade de quinino na água tónica é muito pequena para ter efeito sobre cãibras.

Mito: Não há como prevenir as cãibras.
Falso! O fator mais importante na prevenção é o treino adequado, progressivo e acompanhado do hábito de aquecer progressivamente ao iniciar a corrida e alongar a musculatura, especialmente depois de correr. A alimentação adequada e a reposição hidroeletrolítica durante a corrida previnem as cãibras que acompanham a desidratação e os desequilíbrios dos sais minerais (hiponatremia ou hipernatremia) ou da glicose (hipoglicemia). Se as cãibras são recorrentes, apesar de adequadamente tratadas, um médico especialista em Medicina Desportiva, deve ser procurado.

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