Sara Moreira, nomeada a Atleta do Ano – Revista Atletismo

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Cadeira atrasada relançou carreira

Em escassos três anos, Sara Moreira passou do anonimato a medalhada nos 5.000 metros de um Campeonato da Europa. A atleta de Roriz (Santo Tirso), que se iniciou no clube local e passou depois pelo FC Porto e Estreito, antes de ingressar no Maratona, havia-se salientado nas camadas jovens, conseguindo cinco (!) segundos lugares em Nacionais de Corta-Mato de juvenis, juniores e sub-23. Mas, ao entrar para a Universidade, decidiu dar prioridade ao curso de fisioterapia. Acabou o 1º ano com uma cadeira em atraso e ficou retida com essa cadeira. Daí ter aproveitado para voltar a treinar mais. Estava-se na época de 2006/07. De forma surpreendente, conseguiu mínimo (nos 3000 m obstáculos) para o Mundial de Osaca (onde seria finalista), foi medalhada de bronze no Europeu de sub-23 e 4ª nas Universíadas. O atletismo não mais deixou de ser prioritário e com resultados surpreendentes. Em 2008 foi olímpica em Pequim e logo no início de 2009 chegou a vice-campeã europeia de pista coberta (3000 m). Depois, no Verão, ganhou dois títulos nas Universíadas (3000 m obstáculos e 5.000 m) e logo no fim-de-semana seguinte juntou-lhe o triunfo nos Jogos da Lusofonia (5.000 m).

Sara Moreira começou por distinguir-se nos 3000 m obstáculos, prova na qual chegou a ser recordista e campeã nacional. Mas, após uma auspiciosa estreia nos 5.000 m, em 2009, com um tempo abaixo de 15 minutos (14.58,11), optou pelas distâncias planas. No ano seguinte estreou-se nos 10.000 metros com um terceiro lugar (em 31.26,55) na Taça da Europa e foi nestas duas distâncias que apostou no Europeu de Barcelona. Desistiu na dupla légua, ao aperceber-se que já não chegava ao pódio, e foi depois terceira na final de 5.000 metros, conseguindo a sua primeira medalha numa grande competição de pista. Medalha que viria a ser de prata, por posterior (em 2013) desclassificação da vencedora, a turca Alemitu Bekele, por doping.

Numa carreira recheada de êxitos, apenas um ponto negro. Teve um controlo anti-doping positivo no Mundial de Daegu’2011 que lhe valeu uma suspensão por seis meses. Por indicação do seu nutricionista, tomou um produto destinado a facilitar a recuperação dos esforços feitos nas Universíadas que precederam o Mundial, o qual continha substâncias interditas. A IAAF atendeu as suas explicações a condenou-a a uma pena mínima de seis meses.

Regressou a tempo de ganhar mais uma medalha (bronze) nos 10000 m do Europeu de Helsínquia’2012 e de voltar a ser olímpica (14ª na final direta de 10000 m em Londres’2012).

Em 2013, Sara Moreira ganhou o seu terceiro título nacional de estrada, depois dos de 2009 e 2010 (apenas no corta-mato se sente menos à vontade…), e chegou à medalha de ouro nos 3000 metros do Europeu de pista coberta. O melhor desfecho antes de uma interrupção competitiva para ser mãe de um bebé, filho do seu treinador Pedro Ribeiro, atleta internacional em 3000 m obstáculos, com quem casou logo após o Europeu de 2010.

Regressou às competições no inverno de 2014 mas foi na época de pista (5º e 6º lugares no Europeu de Zurique) e, depois, em auspiciosa estreia na maratona (3ª em Nova Iorque com 2.26.00), que voltou a brilhar. Voltaria a destacar-se na maratona seis meses depois, ao ser 2ª em Praga com 2.24.49, já depois de ter ganho o Troféu Ibérico de 10000 m com um novo recorde pessoal de 31.12,93, marca que a coloca como segunda portuguesa de sempre, a seguir a Fernanda Ribeiro.

A época olímpica de 2015/16 começou com novo brilharete na maratona de Nova Iorque (4ª com 2.25.53) mas uma grande infelicidade no Nacional de corta-mato, que se preparava para, finalmente, ganhar, ao fim de cinco segundos lugares nos escalões jovens e mais quatro como sénior. Simplesmente, um engano no número de voltas levou-a a parar a uma do fim, quando seguia bem isolada…

No Verão, brilhou no Europeu de Amesterdão, ao ganhar a meia-maratona, e foi para os Jogos do Rio muito esperançada. Mas, dias antes da partida, sentiu dores numa perna, que depois passaram. Mas regressariam em força nos quilómetros iniciais da maratona, obrigando-a a desistir ainda antes dos 7 km de prova. Viria a verificar-se ter sofrido uma fratura de esforço no trocânter.

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