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Home Destaque

Quando Roger Bannister foi o primeiro atleta a correr a milha em menos de 4 minutos [com vídeo]

Nuno Oliveira by Nuno Oliveira
2021-05-07
in Destaque, Internacional
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Morreu primeiro atleta a baixar dos 4 minutos na milha
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Foi em 6 de Maio de 1954 que Roger Bannister fez história no mundo das corridas. Ele foi o primeiro homem a correr uma milha em menos de quatro minutos e, embora a sua façanha ainda hoje seja recordada, não foi a sua única contribuição significativa no mundo do desporto. 
A perceção de Bannister sobre a vida como atleta contrastava fortemente com as de hoje. Para ele, a corrida tinha de se enquadrar nos seus compromissos educacionais. Ele estudou medicina na Universidade de Oxford antes de frequentar a faculdade de St. Mary. Foi em Oxford que começou a participar nas corridas. 
Bannister disse uma vez: “Assim que deixasse de ser estudante, soube sempre que deixaria de ser atleta.” 
Depois de escrever que o atleta ideal seria aquele que bebesse alguns drinques e fumasse um cigarro, a histórica corrida de Bannister foi em 6 de Maio de 1954. No estádio e perante cerca de três mil espectadores, ele conseguiu o que alguns consideravam então impensável. Correu a milha em 3.59,4.

Apesar de quase 74 anos se terem passado desde essa prova, Bannister continua a ser lembrado. Num inquérito em 2016,  duas mil pessoas elegeram o seu recorde na milha   como o sexto maior momento da história da modalidade. Na realidade, o seu recorde mundial na milha durou apenas 46 dias. Mas se Bannister ficou conhecido para sempre por essa prova, ele também teve um papel crucial noutra área do desporto, a luta contra o doping.

Pioneiro na luta anti-doping

Em 1971, Bannister foi nomeado presidente do British Sports Council (hoje conhecido como UK Sport). Durante três anos, ele reuniu um grupo de químicos para desenvolver o primeiro teste para esteroides anabolizantes. Foi um marco na luta contra o doping, especialmente tendo em consideração a época. Durante as décadas de 1970 e 1980, houve grande especulação do doping generalizado dos atletas soviéticos e alemães orientais, promovido pelos seus governos. Acusações comprovadas nos últimos anos. 
“Eu previ os problemas na década de 1970 e providenciei para que o grupo de químicos detetasse o primeiro teste para esteroides anabolizantes”, disse Bannister ao The Washington Post em 2014. “O único problema foi que demorou muito tempo para as autoridades olímpicas e outras autoridades apresentá-lo de forma aleatória. Eu previ que seria necessário.”
Ao longo da sua vida, ele foi contra o uso de drogas ilícitas no desporto. A sua postura deriva de uma carreira de grande sucesso na neurologia, onde foi aclamado pelas suas pesquisas sobre o sistema nervoso autónomo. Apesar da sua posição, Bannister nunca foi ingénuo. “Haverá sempre uma batalha contra o uso de drogas para melhorar o desempenho nas Olimpíadas ou em competições internacionais. As drogas são tomadas, tanto no treino como na competição, daí a importância vital dos testes fora da competição. ” 
Um ano antes da sua morte, Bannister disse que o doping é um desporto que lhe trouxe “extrema tristeza”. Nos Jogos Olímpicos de Inverno desse ano, a delegação russa foi banida dos Jogos devido ao doping de estado no país. Alguns dos seus atletas foram autorizados a competir com a designação de “Atletas Olímpicos da Rússia (OAR).”
“Só lamento em alguns aspetos que haja problemas com drogas e isso é algo que é uma tristeza extrema para mim”, disse ele à ITV em 2017. 

“Espero que a WADA (Agência Mundial Antidopagem) e a USADA (Agência Antidopagem dos Estados Unidos) tenham sucesso em acabar com isso.”

Bannister morreu em 3 de Março de 2018.



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