Nos últimos anos, tem sido muito questionado no Quénia, o facto de os homens terem conquistado menos medalhas que as mulheres em Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais.
Foi o que sucedeu no Campeonato Mundial de 2023, nos JO de Paris e no recente Mundial de Tóquio.
Em Tóquio, o Quénia conquistou 11 medalhas, mas apenas três foram conquistadas pelos homens e, das sete medalhas de ouro conquistadas, apenas uma foi conquistada por um homem, o campeão olímpico Emmanuel Wanyonyi.
Esta situação tem levantado questões sobre o que aconteceu com os atletas, já que no passado, eram eles que conquistavam a maior parte das medalhas, com o Quénia a dominar as provas de meio fundo e fundo nos principais campeonatos.
No entanto, o treinador Julius Kirwa, que faz parte da equipa nacional há décadas, diz que o Quénia deixou de dominar em masculinos porque os atletas estão agora a optar por provas de estrada, que pagam melhor.
“O que um jovem de 20, 21 anos tem a ver com correr provas de estrada?”, questionou Kirwa durante uma entrevista à Telecomasia sobre o motivo pelo qual os homens quenianos têm estado ausentes dos pódios.
“Este tornou-se o nosso maior problema, porque agora temos muitos atletas a irem para a estrada, muito jovens e sem progressão. É muito difícil para um atleta competir bem na pista depois de ir para a estrada.”
“Estamos a tentar resolver este problema com a Federação e estamos a conversar com jovens atletas da base, apenas para garantir que eles percebam a progressão de ir para a estrada. Isto está a acontecer, principalmente entre os nossos atletas do sexo masculino”.
Kirwa, que foi homenageado pela Associação de Jornalistas Desportivos do Quénia como o melhor treinador de setembro, após guiar a equipa do Quénia em Tóquio, acredita que ainda há um enorme potencial nos homens, desde que eles sejam convencidos de que a pista é tão lucrativa quanto a estrada.

