Eliud Kipchoge expressou sérias preocupações sobre os desafios enfrentados pelos atletas, destacando questões que precisam de atenção urgente como a significativa disparidade salarial que afeta os jovens atletas, alertando que isso os torna vulneráveis à exploração.
Os comentários de Kipchoge surgiram quando anunciou a sua participação no novo Circuito Mundial de Maratonas, onde ele destacou a necessidade urgente de um sistema de compensação mais transparente e equitativo, especialmente para os fundistas.
Numa entrevista recente à BBC África, Kipchoge não poupou palavras ao falar sobre as dificuldades financeiras enfrentadas por muitos na sua modalidade.
“Não estou satisfeito com a forma como os atletas estão a ser tratados ou como estão a ser remunerados”, afirmou. “O mundo do atletismo está a lucrar muito, mas muito pouco chega aos atletas.”
Para ilustrar as consequências terríveis dessa negligência, o ex-recordista mundial da maratona citou o caso trágico de Evans Kibet.
O promissor atleta queniano procurava melhores oportunidades na Rússia, mas acabou por ser recrutado à força para o serviço militar e é agora, considerado prisioneiro de guerra na Ucrânia.
“É uma preocupação real. E é uma lacuna enorme”, disse Kipchoge. “Se você não valoriza alguém, essa pessoa vai-se embora, e se ela se for embora sem conhecimento, isso abre uma brecha real para a exploração.”
Kipchoge, que completou recentemente 41, está agora a mudar o seu foco de conquistas pessoais para uma missão mais ampla.
A sua participação no World Marathon Tour, que o levará a correr uma maratona em cada continente, é motivada por um novo objetivo.
“O que estou a fazer não é retirar-me. Estou a evoluir”, revelou ele. “Estou a correr por um propósito. Correr é o desporto mais universal. Conecta a todos nós. Com este projeto, pretendo não apenas bater recordes, mas também inspirar pessoas. Quero inspirar, retribuir e lembrar a todos que nenhum ser humano é limitado.”
Entretanto, o Circuito Mundial vai vê-lo competir em sete maratonas nos sete continentes ao longo dos próximos dois anos, uma delas na Antártida em desafio climatérico extremo..
Deixando de lado o foco em recordes mundiais, o pentacampeão da Maratona de Berlim pretende utilizar essa jornada para “pregar o evangelho da corrida” e arrecadar fundos para os projetos educacionais e ambientais da sua fundação.

