Guilherme Gonçalves é um dos muitos atletas do pelotão com um bonito curriculum em provas de estrada. É também dirigente do Clube Ferroviário de Portugal, tendo feito recentemente um levantamento das maratonas e ultras feitas pelos seus companheiros de clube. E chegou ao bonito número de 549 provas, número que talvez seja recorde nacional nos clubes portugueses.
Publicamos seguidamente o seu texto acerca do feito dos atletas do clube com a indicação dos seus nomes e provas feitas.
Palavra dita por valentes ferroviários é palavra honrada. E aquilo que dizíamos num dos últimos encontros de maratonistas — que o Ferroviário contaria com mais de 500 maratonas — a estatística confirma!
Num desses encontros, afirmámos, com convicção e emoção, que o Ferroviário ultrapassaria a marca das 500 maratonas concluídas. Hoje, os números confirmam aquilo que o coração já sabia.

Num levantamento que, mesmo não sendo totalmente exaustivo, é profundamente revelador, concluímos que 60 atletas — entre os que continuam a correr e os que já deixaram as pistas —, por vários continentes, somaram juntos cerca de 23.500 quilómetros. Quilómetros de suor, de silêncio interior, de luta contra o cansaço e, acima de tudo, de amor à camisola.
Falamos de 549 provas, entre Maratonas e Ultramaratonas. A maioria delas na prova-rainha do atletismo, aquela que testa o corpo e revela o carácter. Em cada linha de chegada, a sensação é sempre semelhante: exaustos, sim, mas vivos. Vivos no sentido mais profundo da palavra, celebrando a vida e a superação — ao contrário do lendário Fidípides que correu de Maratona até Atenas para anunciar a vitória dos gregos sobre os persas e tombou para sempre. Os nossos atletas tombam apenas nos braços do cansaço… e levantam-se mais fortes.
Este feito coletivo enche-nos de orgulho. Arriscamos mesmo dizer que o Clube Ferroviário de Portugal ocupa um lugar absolutamente cimeiro no panorama nacional, sendo, muito provavelmente, o clube com mais provas de fundo concluídas pelos seus atletas. Não por acaso, mas por cultura, identidade e paixão.
A lista de nomes é longa — tão longa quanto as distâncias percorridas. Entre os 15 atletas mais prolíficos, destaca-se José Valentim, seguido, por ordem decrescente, por: Aires São Pedro; Carlos Santos; Rogério Morais; Guilherme Gonçalves; Gualdino Martins; Arsénio Facas; Armando Dias; Luciano Assunção; Alexandre Jorge; Catarina Varges; Mário Monteiro; Rita Valentim; Neves Silva e Jorge Rodrigues.

É impossível não parar e aplaudir de pé a presença de duas mulheres extraordinárias — Rita Valentim e Catarina Varges — símbolos de coragem, perseverança e inspiração, que elevam ainda mais o nome do Ferroviário e demonstram que a bravura não conhece género.
Publicamos esta lista do top 60 para recordar, homenagear e eternizar nomes que fazem parte da nossa história. Cada atleta aqui referido é um capítulo vivo do Ferroviário, escrito com passos firmes, respiração ofegante e uma vontade inquebrável de chegar mais longe.
Continuemos a correr. Continuemos a acreditar. Continuemos a superar limites. Porque, enquanto houver um ferroviário em pista, o Ferroviário continuará a avançar.


