(Foto da FPA)
A Federação Portuguesa de Atletismo homenageou hoje Carlos Lopes pela sua conquista da primeira medalha de ouro do nosso país num Campeonato Mundial.
A cerimónia decorreu na sede da Federação com a presença de várias individualidades como vários ex-atletas como Armando Aldegalega e Paulo Guerra entre outros, e o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias.
Em 28 de fevereiro de 1976, disputou-se em Chepstow, no País de Gales, o Campeonato Mundial de Corta-Mato. Carlos Lopes sagrou-se campeão mundial, feito que haveria de repetir em 1984 (East Rutherford) e 1985 (Lisboa), conquistando ainda duas medalhas de prata em 1977 (Dusseldorf) e 1983 (Gateshead).
Carlos Lopes agradeceu a homenagem da Federação: “Acho que foi um carinho muito especial pelos 50 anos, pelos 79 que fiz há muito pouquinho de tempo. Pela primeira vez, a Federação tem a coragem de homenagear e honrar aquilo que nós fizemos há muitos anos. Fazer 50 anos da primeira medalha num campeonato do mundo, acho que marcou a história, marcou a mentalidade de muitos portugueses, de que realmente o desporto era uma mais-valia para todos nós e, acima de tudo, uma mais-valia para a saúde mental.”
Carlos Lopes referiu ainda a forma como ele encarava as provas, sem medo dos seus adversários: “Quando se tem medo, nós refugiamo-nos, não desenvolvemos as nossas capacidades, temos medo de tudo e mais qualquer coisa. Quando não se tem medo, a gente vai para lá e livra-se de pressões. É uma festa. É uma festa e, portanto, a gente tem que fazer isto realmente uma festa. É tão simples quanto isto.”
Domingos Castro, atual presidente da Federação, manifestou também a sua admiração pelo ex-companheiro de corrida Carlos Lopes: “Eu não tenho palavras que descrevam tanta gratidão a esta personagem. Por isso, eu diria que aqui nesta sala não há ninguém mais feliz do que eu a ouvir as palavras do próprio interveniente. Por isso, uma vez mais, Carlos, muito obrigado. Estou aqui a dar o máximo pela nossa modalidade, por um homem inesquecível, que revolucionou o atletismo português e internacional e, por isso, a ele, uma vez mais, muito obrigado pela oportunidade que me deu de estar aqui hoje…Eu sou um privilegiado que consegui treinar com ele, inspirei-me nele. E, como ele disse muito bem, às vezes, naqueles momentos muito difíceis da competição, nós lembrávamo-nos do nosso ídolo, das coisas que ele fazia e nós tentávamos imitá-lo e, muitas das vezes, deu resultado. Embora eu reconheça que as capacidades do Carlos Lopes são únicas e não creio que irá aparecer mais alguém em Portugal que se compare com o Carlos Lopes.”

