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Home Running Atleta do Pelotão

Susana Echeverria/Professora universitária em Coimbra, campeã mundial masters de trail

Nuno Oliveira by Nuno Oliveira
2026-05-01
in Atleta do Pelotão, Destaque, Entrevista, Running
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Susana Echeverria/Professora universitária em Coimbra, campeã mundial masters de trail
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Susana Echeverria tem 52 anos e nasceu em Madrid. Veio para Coimbra para trabalhar num projeto de investigação europeu e por cá ficou. Descobriu o trail aos 43 anos, ainda a tempo de ser uma das melhores portuguesas com um bonito curriculum. Atleta do Saca Trilhos Anadia e internacional por Portugal, sagrou-se campeã mundial masters em 2024.

Susana Echeverria tem 52 anos e nasceu em Madrid. É bióloga, sendo professora na Universidade de Coimbra.

O atletismo apareceu cedo, num programa de iniciação na escola primária em Cáceres, onde então residia. Gostou da experiência, fazia provas de corta-mato e de meio-fundo e ainda foi a três Campeonatos Nacionais. “Tenho muitas boas memórias desses anos, éramos muitos miúdos a treinar. Depois deixei de treinar regularmente, e no liceu, fiz desportos de montanha como trekking ou escalada”.

Susana só regressou ao atletismo em 2017, já com 43 anos de idade e em Coimbra, quando descobriu o trail-running. “Tinha curiosidade pela modalidade porque junta corrida e montanha”.

“Coimbra já é a cidade onde morei mais tempo na minha vida”

A biologia trouxe-a de Espanha para Coimbra

Susana fez o doutoramento em biologia e veio depois para Coimbra para trabalhar num projeto de investigação europeu. “E aos poucos, fui ficando por cá, fui encontrando amigos, o desporto veio também transformar a minha vida. Coimbra já é a cidade onde morei mais tempo na minha vida”.

“O Albano João é um grande presidente, muito acolhedor”

Estreia em Penacova logo com uma vitória!

A sua primeira prova oficial no trail running foi em Penacova em 2018, na distância de 17 km. “Achei o ambiente de trail muito divertido e ganhei a prova, foi uma festa!”

Susana é atleta do Saca Trilhos de Anadia, onde se sente muito feliz. “O Albano João é um grande presidente, muito acolhedor, e que consegue reunir uma equipa que sabe juntar o esforço e a competição ao convívio e a boa disposição”.

Treinar, sempre!

Não é fácil a Susana conciliar os treinos com a sua atividade profissional. Mas com organização e vontade, consegue treinar cedo ou ao fim do dia, e fazer parte do seu trabalho em casa, à noite. Quando tem viagens de trabalho, reuniões, congressos, é mais complicado, mas tenta sempre fazer algo.

Treina cinco ou seis dias por semana, mas depende do trabalho de cada semana e das viagens. Às terças e quintas feiras, com um grupo, tal como os treinos mais longos de fim de semana.

Os treinos são orientados por Rui Agapito Marques, em Coimbra. Susana não tem um plano de treinos, mas os treinos de terças e quintas-feiras são orientados por ele, onde faz os treinos mais específicos de rampas ou séries. Noutros dias, faz alguns treinos rolantes mais lentos, e nos fins de semana, os treinos longos na montanha que dependem do grupo ou de haver um objetivo perto.

“Este ano, comecei a correr provas de montanha e também estou a gostar. Parece-me um misto de corta-mato e trail”

Reações diferentes de colegas professores e alunos

Sendo professora universitária em Coimbra, como é que os seus colegas e alunos encaram a sua atividade desportiva e os seus triunfos? Susana tem passado por várias experiências. “Pois…há de tudo, alguns colegas pensam que sou um pouco maluca, ahahaha, mas tenho outros colegas que estão orgulhosos de mim, e isso também é bonito. Os alunos, muitos não sabem, mas já me tem acontecido estar a treinar na cidade e passar por um grupo e ouvir chamar ‘professora, professora!’, ahahaha, eles ficam surpreendidos. Também já me aconteceu encontrar um aluno numa prova de trail, foi uma situação divertida, ele estava a começar e ainda treina e corre muito bem”.

“Acho que por vezes, era preciso uma aposta maior na segurança, já estive em algumas provas de trail com mau tempo nas quais, se podiam ter evitado algumas situações bastante perigosas”

Muitas serras nas suas preferências

Susana corre em média 10 a 12 provas por ano e a sua distância preferida passa pelos 30/45 quilómetros, “porque a maioria das provas que tenho feito está nesse registo”. Gosta mais de correr na natureza, os trails. “Este ano, comecei a correr provas de montanha e também estou a gostar. Parece-me um misto de corta-mato e trail”.

Gosta de provas em montanhas e serras bonitas, e com subidas longas. Em Portugal, destaca a Serra da Arga, “ainda quero lá voltar”, a Serra da Estrela, o Marão, a Serra da Lousã e o Sicó. Estas duas muito diferentes. “Gosto de correr em locais que mantenham florestas nativas, provavelmente pela minha profissão, aprecio muito essas florestas”.

“Já estive em algumas provas de trail com mau tempo nas quais, se podiam ter evitado algumas situações bastante perigosas”

Atenção à segurança nos trails

Já as provas que lhe merecem menos agrado passam por aquelas com muito sobe-desce e que “nos obriguem a ir dentro de ribeiros para molhar os pés”. Na sua opinião, “há provas que parece que fazem isto só para inventar desnível ou dificuldade e eu não acho grande piada”.

Chama a atenção para a segurança nas provas. “Acho que por vezes, era preciso uma aposta maior na segurança, já estive em algumas provas de trail com mau tempo nas quais, se podiam ter evitado algumas situações bastante perigosas”.

Falta uma maratona de estrada

Embora Susana já tenha corrido na montanha, muitas provas com a distância da maratona ou mais, nunca correu os 42.195 metros na estrada. O máximo que correu foi a Meia Maratona da Figueira da Foz em 2015, antes de começar no trail-running. “Foi muito divertido porque treinei com um amigo, a seguir um plano de 3/4 meses que ele tirou de uma revista. No dia da prova, fomos juntos quase até ao fim, foi uma boa experiência, mas os dias a seguir foram difíceis. Claramente não tínhamos treino suficiente. O ano passado vi o ambiente da maratona de Sevilha e adorei, fiquei com vontade de fazer alguma maratona de estrada, mas ainda não tenho conseguido encaixar”.

Rico curriculum desportivo

Susana tem um rico curriculum desportivo no trail. Para além de vários títulos coletivos com o Saca Trilhos, eis alguns dos seus melhores resultados:

2018: 3ª classificada no Circuito Nacional de Trail ATRP; 3ª classificada na prova do Campeonato Nacional de Trail ATRP

2019: 3ª classificada no Circuito Nacional de Trail ATRP; 1ª classificada na prova do Campeonato Nacional de Ultra Trail ATRP

2021: Campeã nacional Trail F45

2022: Campeã nacional Trail F45

2023: Campeã nacional Trail F45; Campeã nacional Sprint F45

2024: Campeã mundial Mater W50; Campeã distrital Aveiro F50

2025: Campeã nacional Trail F50; Campeã nacional Ultra F50

2026: Campeã nacional montanha Up and Down F50

Momentos marcantes na carreira desportiva

Recheada de um bonito curriculum desportivo, Susana tem vários momentos marcantes na sua carreira: Em 2019, venceu a prova do Campeonato de Ultra Trail mas como ainda não tinha a nacionalidade portuguesa, não pôde ser campeã.

Também o Campeonato Nacional de Trail em 2025, onde se classificou no quarto lugar. “ Ia sem expectativas porque o nível era muito alto e eu já não sou muito nova! Tive pena de não conseguir fazer pódio, mas o quarto lugar soube bem e permitiu assegurar a vitória por equipas!”

Lembra ainda quando foi selecionada para representar Portugal nos Campeonatos do Mundo. “É um orgulho. E especialmente o desafio de ir ao Trail Longo do Mundial em 2025. Eram 82 km e tinha muitas dúvidas, nunca tinha feito algo assim, tinha treinado com dificuldades porque estava com anemia. O dia da prova foi fantástico, foram muitas emoções”.

Susana já representou Portugal por duas vezes: A primeira foi no Campeonato Mundial em Innsbruck, em 2023, onde correu o Trail Curto de 46 km, sendo a quarta da equipa. A segunda vez foi no ano passado no Campeonato Mundial em Canfranc, onde foi a segunda da equipa portuguesa a cortar a meta.

“Foi uma emoção enorme ser campeã F50, e cantar o hino português no pódio! “

Campeã mundial de Masters em 2024

Representou ainda o país no Campeonato Mundial de Masters em 2024, outro momento marcante quando se sagrou campeã mundial. Susana relata-nos esse momento.” Foi tão emocionante! Vinha de uma lesão que tive no início de 2024, e que me impediu ir aos Campeonatos Nacionais. Quando comecei a recuperar, precisava de um desafio e vi que o Mundial de Masters era em Canfranc, nos Pirinéus. Juntámos um bom grupo do Saca Trilhos que também estavam interessados, e lá fomos à aventura. Uma das melhores coisas destas provas é o convívio e a partilha de casa, de treinos, de dúvidas e ali, foi muito especial, foram dias muito divertidos e intensos. No dia da prova, estava um bocado ansiosa e passei uns quilómetros a lutar com as dores de barriga. Mas aos poucos, consegui sentir-me bem, fluir e desfrutar de correr naquelas paisagens fabulosas. Depois de superar a lesão, foi uma emoção enorme ser campeã F50, e cantar o hino português no pódio! “

“É sempre reconfortante sentir o reconhecimento pelos colegas da equipa e pela direção do clube”

“Atleta do Ano” de 2024 do Saca Trilhos

Campeã mundial de masters, Susana foi nomeada pelo clube “Atleta do ano” em 2024. “Foi uma boa surpresa e um grande orgulho, temos tantas boas atletas no clube que nem tinha pensado nessa possibilidade. É sempre reconfortante sentir o reconhecimento pelos colegas da equipa e pela direção do clube”.

“Espero pelo menos poder continuar a correr nos trilhos nos fins de semana durante muito tempo porque me faz muito feliz”

Fustigada pelas lesões

Susana tem sido visitada pelas lesões. Teve uma entorse muito grave que demorou mais de seis meses a curar completamente, “o meu fisioterapeuta acha que a articulação nunca ficou bem, mas pelo menos não dói!

Tem tido ainda uma tendinopatia dos tendões de Aquiles, já tentou vários tratamentos, mas nunca conseguiu curar completamente. E no início de 2024, teve uma lesão que nunca chegou a saber bem o que foi. “Suspeito que foi provocada por umas palmilhas, tive de parar completamente mais de um mês, nem caminhar conseguia. A parte boa foi que aí, comecei a levar a sério o reforço muscular”.

“Não sigo um plano de alimentação estrito, e se tenho uma jantarada ou uma festa, não me preocupo muito”

Cuidados q. b. com a alimentação

Quanto à alimentação, tem os devidos cuidados. “Tento comer de forma saudável, com proteína, legumes e hidratos de carbono em todas as refeições. Mas não sigo um plano de alimentação estrito, e se tenho uma jantarada ou uma festa, não me preocupo muito”.

Não dispensa os exames médicos anuais, no mínimo, uma análise sanguínea e um eletrocardiograma.

“Acho que o atletismo em Portugal está num bom nível! Nos últimos campeonatos e meetings internacionais, tem tido muito bons resultados”

Ambiente do trail é especial

No mundo das corridas, Susana aprecia particularmente o ambiente do trail, “de muita camaradagem e companheirismo, gosto desses valores. Acho que a competição não pode ser o único fator que nos defina”.

Como acontece com a maior parte dos corredores, Susana espera correr durante muito tempo. “Mas tenho consciência da minha idade, e sei que é muito difícil permanecer competitiva. Já comecei tarde, com 43 anos, mas nos últimos anos, tenho sentido mudanças, porque custa mais recuperar e não consigo correr a ritmos tão altos. Espero pelo menos poder continuar a correr nos trilhos nos fins de semana durante muito tempo porque me faz muito feliz”.

E se não estivesse no atletismo, qual modalidade gostaria de ter seguido? Escolhe a escalada, “mas não sei se para competir, se tivesse mais tempo, gostava de aprender a jogar bem badminton ou padel”.

Projetos futuros na modalidade

Susana gostava de fazer algumas provas de endurance, “são provas desafiantes pelo tempo que é preciso para as preparar bem. E também fazer alguma prova de referência que ainda não consegui fazer, como o MIUT ou provas no estrangeiro, sempre se aprende muito a ver coisas diferentes”.

“Quero deixar um apelo para os mais novos fazerem desporto, e sobretudo para as miúdas e as mulheres, que não deixem de fazer desporto”

Atletismo português está bem

Susana vê com otimismo o atletismo nacional. “Acho que o atletismo em Portugal está num bom nível! Nos últimos campeonatos e meetings internacionais, tem tido muito bons resultados. A modalidade de trail foi integrada recentemente na Federação de Atletismo e acho que ainda são precisos alguns ajustamentos porque é uma modalidade muito diferente, mas confio muito no trabalho dos técnicos de trail e montanha que tenho conhecido, por isso só pode crescer”.

Tão concentrada no Louzantrail…

Histórias não faltam a Susana. Na primeira vez que foi correr o Louzantrail, uma colega tinha umas fotos num cadeirão tiradas a meio da prova e nas letras da Lousã. “Eu teimava em que não tinha passado nos mesmos sítios que ela…mas tinha passado, só que ia tão concentrada no chão que não vi nada!

Quando se perdem nos treinos

Perderem-se uns dos outros é fácil. “Algumas vezes a treinar nos trilhos, e mesmo na cidade, já nos aconteceu perdermos uns de outros. Parece impossível porque vamos todos pelo mesmo trilho ou pelas mesmas ruas, mas de repente, alguém desaparece ou tu estás sozinha…”

Encontro especial com corredores da terra

Foto especial em Canfranc

Esta passou-se no Trail dos Abutres em Miranda do Corvo. “De repente, vejo uns atletas que eram da minha terra na Espanha! Não nos conhecíamos e ficámos amigos e até fui depois correr com eles em Espanha”.

Susana estava com a seleção portuguesa num café em Canfranc. “A senhora do balcão quis tirar uma foto connosco, e foi pedir para tirar a foto a outro cliente que lá estava, que era o Luis Alberto, um espanhol que já foi campeão do mundo várias vezes! Portanto muito mais importante que nós, foi uma situação engraçada”.

Façam desporto!

A terminar, Susana deixou um apelo à prática desportiva. “Quero deixar um apelo para os mais novos fazerem desporto, e sobretudo para as miúdas e as mulheres, que não deixem de fazer desporto. Eu acho o atletismo muito bonito, como todas as modalidades, mas se não for atletismo, que seja algo desafiante e que lhes faça sentir bem.

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