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Home Running Atleta do Pelotão

Adriana Fernandes/Uma Run Tejo que corre há um ano e já sabe o que é ganhar corridas!

Manuel Sequeira by Manuel Sequeira
2026-11-01
in Atleta do Pelotão, Destaque, Entrevista, Running
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Adriana Fernandes/Uma Run Tejo que corre há um ano e já sabe o que é ganhar corridas!
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Adriana Fernandes tem 34 anos e é médica nefrologista. Corre desde o ano passado e é atleta do Run Tejo-Prevent Sprain. Desde então, não parou de evoluir e já ganhou duas corridas na distância de dez quilómetros.

Adriana Fernandes tem 34 anos e é natural de Vila Nova de São Bento, concelho de Serpa. Médica nefrologista, é atleta do Run Tejo-Prevent Sprain. Estreou-se no mundo das corridas em outubro do ano passado mas sempre teve o gosto pela corrida. “A corrida sempre foi uma paixão. Inicialmente de forma recreativa porque era uma forma de desligar da rotina exigente da Medicina e de organizar os pensamentos. Em outubro de 2025, quando participei na minha primeira competição, descobri o gosto por competir e por superar os meus próprios limites. Desde então, a corrida ganhou um lugar cada vez mais importante na minha vida. Em janeiro de 2026, comecei a treinar de forma estruturada com a equipa Run Tejo, dando o passo para o atletismo competitivo. Hoje, encaro este percurso com muita motivação, ambição e vontade de continuar a evoluir, conciliando a exigência da minha profissão com a paixão pela corrida”.

“Ter treinador fez uma grande diferença na forma como encaro a corrida”

Diferenças entre ter ou não ter um treinador

Como acontece com a esmagadora maioria dos corredores populares, Adriana começou a correr sem treinador. Agora que está num clube e tem um treinador, explica-nos a diferença. “Ter treinador fez uma grande diferença na forma como encaro a corrida. Antes, corria sobretudo por gosto e de forma mais intuitiva (sem treinos específicos). Com o acompanhamento do treinador, passei a ter um plano estruturado, objetivos definidos e uma melhor compreensão do que é necessário para evoluir. Aprendi a valorizar não só os treinos de qualidade, mas também os dias de recuperação, a consistência e a importância de respeitar cada fase do treino. Além disso, ter alguém que acompanha a minha evolução, identifica aspetos a melhorar e me desafia a sair da zona de conforto, tem sido fundamental para ganhar confiança e perceber melhor os meus limites”.

Adriana já viu os reflexos de ter o seu treinador e correr com um plano de treinos estruturado. Em poucos meses, já venceu duas corridas, a da FPF em maio e, mais recentemente, a Corrida do Millennium BCP.

“São duas áreas exigentes (medicina e atletismo), mas que se complementam e me ensinam diariamente a gerir melhor o esforço, a superar desafios e a procurar dar sempre o meu melhor”

Recordes pessoais

Os seus recordes pessoais refletem a sua evolução no espaço de um ano:

– Milha: 5m23s

– 5 km: 18m16s

– 10 km: 38m43s

– Meia Maratona: 1h24m51s

Difícil conciliar profissão de médica com a corrida

Adriana treina todos os dias e, na maioria das vezes, sozinha. Os treinos mais específicos (como séries) faz com a equipa. O seu treinador Carlos Freitas organiza-lhe semanalmente o plano de treinos.

Como médica, não tem sido fácil conciliar a sua atividade profissional com as corridas, exigindo-lhe muita organização, disciplina, esforço e boa vontade. “A Medicina é uma profissão exigente, sobretudo quando inclui urgências e horários imprevisíveis, por isso, muitas vezes, tenho de treinar bem cedo, antes de começar o dia de trabalho, para conseguir conciliar os treinos com as responsabilidades profissionais. Há dias em que também me apetece ficar a dormir mais um pouco, mas, quando sei que aquela é a única altura do dia em que consigo treinar, é a força de vontade que acaba por me tirar da cama. Nem sempre é fácil, mas aprendi a ser organizada e a valorizar a consistência, adaptando-me às exigências de cada semana. São duas áreas exigentes, mas que se complementam e me ensinam diariamente a gerir melhor o esforço, a superar desafios e a procurar dar sempre o meu melhor”.

Estreia na Meia Maratona da Ponte Vasco da Gama

A sua estreia no mundo das corridas foi na Meia Maratona de Lisboa, na Ponte Vasco da Gama, em outubro de 2025. Como foi então a experiência? “Na altura, ainda não estava familiarizada com o ambiente competitivo e até fui para a partida sem fazer aquecimento, porque nem sabia que era importante fazê-lo! Lembro-me de estar muito tranquila, sem grandes expectativas e sem saber muito bem ao que ia. Acabou por me correr melhor do que esperava e fiquei com uma impressão muito positiva da experiência, tanto pelo ambiente competitivo como pela própria organização e pelo conceito das provas de estrada. Foi uma experiência que despertou em mim o gosto pela competição e me motivou a treinar mais e melhor”.

“Gostava de realizar mais provas de pista e explorar o meu potencial em distâncias mais curtas e rápidas”

Meia Maratona do Douro e Marginal à Noite, provas preferidas

Adriana elege a Meia Maratona do Douro e a Marginal à Noite como as suas provas preferidas. E justifica a escolha: “A Meia Maratona do Douro é uma das provas de que mais gostei de participar, pelo percurso ao longo do rio, que é lindíssimo, mas também pelo apoio e carinho que senti por parte do público ao longo da prova. É uma experiência que torna a corrida ainda mais especial”.

Já a Marginal à Noite tem a ver com a “organização, o horário da prova e o percurso, mas também pelo ambiente competitivo, que me motiva e desafia a dar o meu melhor. São duas provas com características diferentes, mas que têm em comum aquilo de que mais gosto na corrida: a combinação entre o ambiente, o desafio competitivo e a experiência que fica para além do resultado”.

Não tem uma prova onde tenha gostado menos de participar. “Não diria que há uma prova em que tenha gostado particularmente menos de participar. Acho que cada corrida tem as suas características e que há sempre algo a retirar de cada experiência, mesmo quando o resultado não corresponde às expectativas”.

“Tenho consciência da importância de ouvir o corpo, prevenir lesões e respeitar a recuperação”

Distância preferida passa pela meia maratona

A sua distância preferida passa pela meia-maratona, “pela combinação entre o desafio físico, a componente estratégica e a satisfação de gerir o esforço ao longo da distância. É uma distância que me motiva particularmente e na qual gosto de testar os meus limites e procurar evoluir”.

Ainda não se estreou nos míticos 42,195 quilómetros, não estando nos seus planos a curto prazo. “Provavelmente será um projeto a médio/longo prazo”.

Preferência pela estrada mas atenta à pista

Adriana gosta mais de correr na estrada, até porque a grande maioria das provas em que participou foram nessa vertente. Ainda só fez uma prova na pista mas gostou da experiência e pelo desafio da velocidade. Admite no futuro, correr mais vezes na pista. “Gostava de realizar mais provas de pista e explorar o meu potencial em distâncias mais curtas e rápidas”.

Ainda não experimentou o trail, não sendo por agora, um objetivo.

“O pior que me pode acontecer é começar um treino ou prova com fome”

Momento marcante

Na sua ainda curta carreira desportiva, um dos momentos que mais a marcou foi a sua participação no Campeonato Nacional de Estrada de 5 km e milha. “Foi uma experiência especial pela oportunidade de competir com atletas de elevado nível, pelo espírito de equipa e pela competitividade vivida”.

“Acima de tudo, quero que a corrida continue a ser uma paixão e uma fonte de realização pessoal, independentemente dos objetivos e resultados”

Alimentação equilibrada e variada

Quanto à alimentação, Adriana foi vegetariana desde 2021, mas, nos últimos meses, começou a introduzir o peixe em algumas refeições semanais. “Procuro manter uma alimentação equilibrada e variada, adaptada às exigências dos treinos, garantindo energia suficiente para a carga de treino. Não faço grandes restrições alimentares e procuro ouvir o meu corpo, respeitando aquilo que me apetece comer. O pior que me pode acontecer é começar um treino ou prova com fome”.

Não dispensa os exames médicos de rotina para “acompanhar a sua saúde e garantir que reúne as condições necessárias para praticar atletismo de forma segura”.

As lesões ainda não a incomodaram muito. “Felizmente, não tive lesões significativas que me impedissem de treinar. Já tive algumas pequenas queixas musculares, que procurei gerir com descanso e exercícios específicos. Tenho consciência da importância de ouvir o corpo, prevenir lesões e respeitar a recuperação”.

“Considero que ainda há espaço para evoluir na igualdade de oportunidades e na valorização do atletismo feminino”

Ciclismo como modalidade alternativa

Pensa correr enquanto fizer sentido para si e continuar a sentir o gosto, a motivação e a alegria de correr. “Acima de tudo, quero que a corrida continue a ser uma paixão e uma fonte de realização pessoal, independentemente dos objetivos e resultados”.

E se não tivesse enveredado pelo atletismo, qual seria a modalidade alternativa? Escolhe o ciclismo, uma modalidade também do seu agrado e que lhe permite continuar a desafiar-se fisicamente. “Faço alguns treinos de cycling, embora com muito menor frequência do que a corrida”.

Há que investir mais no atletismo

Para Adriana, a população demonstra um crescente interesse pela corrida mas a modalidade ainda tem pouco apoio e algum desconhecimento. Na sua opinião, deveria investir-se mais no atletismo, dar maior visibilidade às suas diferentes vertentes e criar melhores condições para os atletas e treinadores, para que possam evoluir, competir a um nível mais elevado e conciliar o desporto com a vida profissional e pessoal.

“É especial perceber que, apesar de ser um desporto individual, existe uma enorme componente coletiva, em que todos podemos crescer e evoluir juntos”

O espírito de equipa e a possibilidade de conhecer pessoas que partilham a mesma paixão

No mundo das corridas, aprecia particularmente o espírito de equipa e a possibilidade de conhecer pessoas que partilham a mesma paixão. “Gosto também do ambiente das provas, da competitividade saudável e da forma como a corrida nos desafia constantemente a superar os nossos próprios limites. É especial perceber que, apesar de ser um desporto individual, existe uma enorme componente coletiva, em que todos podemos crescer e evoluir juntos”.

Como atleta popular, ainda não se sentiu diretamente discriminada por ser mulher. “Mas considero que ainda há espaço para evoluir na igualdade de oportunidades e na valorização do atletismo feminino”.

‘Prova de Sonho’ à espera

Como atleta popular, Adriana tem uma ‘prova de sonho’ à sua espera. “Gostava de participar numa grande prova internacional de estrada, com atletas de elite e um ambiente competitivo de alto nível. Seria uma oportunidade de me desafiar, perceber até onde posso chegar. Não é um objetivo para já, mas algo que gostaria de concretizar no futuro, quando sentir que estou mais preparada para esse desafio”.

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