Uganda recebe Mundial de corta-mato… «sem» europeus

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Dez anos depois, o Campeonato do Mundo de Corta-Mato volta a África. A seguir a Mombaça, no Quénia, será este domingo em Kampala, no Uganda. Um campeonato cada vez mais africano e menos europeu. O número de concorrentes seniores tem vindo a diminuir de forma nítida nos últimos 20 anos, conforme se pode ver no quadro seguinte:

MASC. FEM.
ANO     LOCAL AT. EQ. AT. EQ.
1987 Varsóvia 278 33 152 26
1997 Turim 280 27 147 24
2007 Mombaça* 163 13 93 12
2017 Kampala 159 22 117 18

* O facto de a prova de 2007 se ter realizado em África não influiu nos números. Em Edimburgo’2009 houve 179 concorrentes masculinos e 95 femininos e respetivamente 15 e 12 equipas classificadas.

Nota: indicam-se, relativamente aos campeonatos passados, o número de atletas que efetivamente participaram (classificados+desistentes) e as equipas classificadas (mínimo: 4 atletas na meta). Os números de Kampala’2017 referem-se a atletas inscritos e países com um mínimo de 4 atletas (os números na prova deverão ser algo inferiores).

Africanos em maioria, raros europeus

Mas o facto mais saliente prende-se com a escassez de atletas europeus inscritos: nas corridas seniores, apenas 14 na prova masculina (de cinco países) e 13 na feminina (de três países); nos juniores, 14 rapazes (4 países) e 20 raparigas (5 países) – cerca de 10 por cento dos concorrentes, apenas. Equipas seniores com um mínimo de quatro atletas (para pontuar), são duas masculinas (Espanha e Dinamarca) e duas femininas (Espanha e Grã-Bretanha)…

Na estafeta mista (dois homens e duas mulheres), que se realiza pela primeira vez, estão inscritas 12 equipas e ainda uma formação de atletas refugiados. Dessas 12 equipas, apenas três são europeias: Espanha, Itália e Turquia.

Africanos (claro!) favoritos

Os atletas africanos são naturalmente os favoritos, sendo difícil, no entanto, garantir quais os “mais favoritos”. Os quenianos Geoffrey Kamworor e Agnes Tirop tentarão manter os títulos conquistados há dois anos, na China, repetindo feitos conseguidos pela última vez em 2006, quando Kenenisa Bekele ganhou pelo quinto ano consecutivo e Tirunesh Dibaba pelo segundo. Mas não terão tarefa nada fácil, até porque foram “apenas” 3º e 5ª no recente campeonato queniano, ganho respetivamente por Leonard Barsotom e Irene Cheptai. O Quénia, que vinha de seis títulos consecutivos no setor masculino e quatro no feminino, foi batido pela Etiópia em 2013 e 2015, respetivamente. E, neste ano, os etíopes voltaram a ganhar entre os homens.

Atenção, entretanto, para as formações do Uganda, que correm “em casa”. O Uganda foi, há dois anos, 5º nos homens e 3º nas mulheres (o Bahrain fechou o pódio masculino). Outros nomes a destacar: o ugandês Stephen Kiprotich, campeão olímpico (2012) e mundial da maratona; e as campeãs olímpicas no Rio’2016, a queniana Faith Kipyegon (1500 m) e a bahrain Ruth Jebet (3000 m obstáculos). Serão provas muito abertas…

Duas juniores portuguesas

Tal como há dois anos, Portugal terá uma representação mínima, limitada a duas juniores, Beatriz Rodrigues (RD Águeda), campeã nacional, e Catarina Guerreiro (Sporting), 2ª classificada. Estarão no Mundial para ganhar experiência, mas com perspetivas muito limitadas quanto a classificações. Há dois anos, os dois juniores portugueses ficaram no último quarto da classificação…

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