1º Dia| Especial Mundial| Análise de Arons de Carvalho

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Mo Farah excecional e má estreia nacional  

Um excecional Mo Farah terminou em grande a jornada de abertura do Mundial de Londres que, no que aos portugueses diz respeito, não correu nada bem: David Lima esteve uma sombra do que tem sido e Marta Pen correu numa série “errada”.

Marta foi a primeira a correr, na segunda das três séries de 1500 metros, a primeira das quais, ganha por Genzebe Dibaba em 4.02,67, foi rapidíssima: a 12ª fez 4.08,55, tempo que ficou desde logo como limite para o apuramento por marcas (6 atletas para além das seis primeiras de cada série). A segunda série, a qual Marta Pen chegou a liderar até aos 700 m, foi bem mais lenta. A vencedora, a holandesa Sifan Hassan, gastou mais que a 12ª da primeira série: 4.08,89. Ficaram apuradas as seis primeiras e Marta Pen foi oitava, com 4.10,22, a menos de um segundo do objetivo-6º lugar (4.09,32). A terceira série também foi rápida e ainda apurou três das seis semifinalistas por tempos, a última das quais com 4.05,48. Marta Pen acabou por fazer apenas o 32º tempo entre as 44 concorrentes, das quais 24 passaram às meias-finais. Seria sempre uma tarefa bem difícil.

Já David Lima foi apenas 7º na sua série de 100 metros, com 10,41 (v:-0,6 m/s), bem longe do seu melhor (10,05) e dos 10,24 que apuraram os últimos semifinalistas (24). Acabou por ser o 37º entre 46 atletas que correram as seis séries, aos quais haverá que juntar 14 eliminados na fase preliminar. A sua série foi ganha pelo japonês Abdul Sami Brown em 10,05. O melhor no conjunto foi o jamaicano Julien Forte, com 9,99. Usain Bolt fez uma prova sem forçar: partiu muito lento e só apareceu na frente na segunda metade, chegando a dar a sensação, inicialmente, que poderia ser eliminado. Gastou 10,07. Será certamente bem diferente nas meias-finais e final deste sábado…

Mo Farah sensacional

Excelente a prova de 10000 m, com nada menos de sete atletas a menos de 27 minutos e Mo Farah a fazer o melhor tempo mundial do ano (26.49,51), bem perto do recorde dos campeonatos de Kenenisa Bekele, com 26.46,31 em Berlim’2009. Foi o seu terceiro título mundial consecutivo desde 2013 (e quarto pódio, já que foi 2º em 2011), para além de duas vitórias olímpicas, em 2012 e 2016!

A grande sensação foi, no entanto, o ugandês Joshua Cheptegei, que fez boa parte das despesas da corrida e, no final, ainda foi segundo, com 26.49,94, à frente do queniano Paul Tanui (26.50,60).

A prova foi rápida mas com vários esticões. Mo Farah defendeu-se, evitando a frente da corrida, aonde apareceu apenas aos 4 km, depois de “puxar” pelo público, levantando os braços, e, depois, na parte final, quando os nove atletas que desde os 8 km ficaram na frente se foram reduzindo. Na última volta, Mo Farah ainda teve um problema – chegou a desequilibrar-se e a colocar um pé fora da pista – mas na altura própria foi imparável. Agora, irá tentar o quarto título mundial consecutivo nos 5000 metros! Além dos dois olímpicos pelo meio…

 

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