2º Dia| Especial Mundial| Análise de Arons de Carvalho

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Da surpreendente Susana ao regressado Gatlin

A segunda jornada ficou naturalmente marcada pela vitória de Justin Gatlin sobre Usain Bolt (3º) nos 100 m e, em termos nacionais, pela passagem à final do triplo de Patrícia Mamona (sem surpresa) e Susana Costa (e com recorde pessoal!).

De manhã, logo após a desilusão que constituiu o apuramento do peso, com a eliminação de Tsanko Arnaudov e de Francisco Belo, as duas triplistas estiveram em pleno. Primeiro Patrícia Mamona, que depois de insuficientes 13,97 a abrir, se qualificou diretamente para a final (eram precisos 14,20 m), com 14,29 (v:+0,8), a sua terceira melhor marca da época, depois dos 14,42 do Meeting de Roma e dos 14,32 que lhe valeram o título europeu de pista coberta. Promete para a final de segunda-feira (20.25 h), tanto mais que este salto de 14,29 foi conseguido com uma chamada a 17 cm do limite!

Depois, no terceiro ensaio, Susana Costa, que vinha de uma época aquém do seu melhor (14,09 em Madrid foi a sua única prova acima de 14 m), chegou aos 14,35 (v:+0,6), mais um centímetro que o seu recorde pessoal, que há um ano lhe valera o 5º lugar no Europeu de Amesterdão. Antes, havia saltado 13,83 e 13,88. Embora com significado reduzido, não deixa de ser agradável verificar que Susana foi a 3ª do apuramento e Patrícia a 4ª.

Já no apuramento do peso, as coisas correram mal aos dois lançadores portugueses, que ficaram a quase metro e meio dos seus (valiosos) recordes pessoais. Tsanko Arnaudov, de quem se esperava uma boa classificação na final, lançou 19,83-20,02-20,08. Francisco Belo ficou-se pelos 18,28-19,47-nulo. O apuramento direto (20,75) foi conseguido por 9 atletas e o 12º e último apurado conseguiu-o com 20,61, marca que Tsanko ultrapassou esta época em nada menos de oito competições!… O grande destaque da qualificação vai para o neozelandês Tomas Walsh, que no seu primeiro e único ensaio bateu o recorde pessoal com 22,14. Tsanko foi o 17º no apuramento e Belo o 29º, entre 32 concorrentes.

Entretanto, Lecabela Quaresma não esteve feliz na primeira jornada do heptatlo, que terminou com 3465 pontos, menos 278 que aquando do seu recorde pessoal (6174 p em Kladno). Ficou bem aquém das marcas de então nos 100 m barreiras (13,94 contra 13,56), na altura (1,71 contra 1,80), no peso (13,48 contra 14,61) e nos 200 m (25,38 contra 24,98) e está na 26ª posição entre 31 concorrentes, quando poderia ser 9ª ao seu melhor nível.

Também Salomé Rocha ficou distante do que vale na final direta de 10.000 m, que concluiu na 28ª posição, com 32.51,71, apenas com cinco atletas atrás de si, incluindo as duas desistentes. Gastou 16.25,12+16.27,59 por cada légua e já seguia na 28ª posição a meio da prova.

Bolt termina com bronze

A grande expetativa do Mundial estava na final dos 100 metros, que terminou a jornada deste domingo. Conseguiria Usain Bolt o seu quarto título mundial nos 100 m (depois dos de 2009, 2013 e 2015) e o 12º no conjunto (mais 4 nos 200 m e 4 nos 4×100 m, desde 2009), a que se poderão juntar duas medalhas de prata (200 m e 4×100 m) em 2007? E já sem contar com a 8 medalhas de ouro olímpicas desde 2008… Desta vez o jamaicano falhou, sendo terceiro com 9,95, atrás de Justin Gatlin (9,92) e Christian Coleman (9,94). Campeão olímpico em 2004 e mundial em 2005, Gatlin foi entretanto suspenso quatro anos, por doping, e regressou aos pódios nos Jogos de 2012 (bronze) e 2016 (prata) e nos Mundiais de 2013 e 2015 (prata). E, agora, aos 35 anos de idade, regressou aos títulos mundiais… derrotando Usain Bolt.

Antes, a final de 10.000 m só “dera” Almaz Ayana, que juntou o título mundial ao olímpico de 2016, agora com a melhor marca mundial do ano (30.16,32) e larguíssimos 46 segundos de vantagem sobre a sua compatriota etíope Tirunesh Dibaba, campeã mundial em 2005, 2007 e 2013!

E enquanto no disco houve renovação, com o triunfo do lituano Andrius Gudzius, dois centímetros à frente do sueco Daniel Stahl (69,21-69,19), no comprimento o sul-africano Luvo Manyonga, vice-campeão olímpico em 2016, chegou aos 8,48, mais quatro centímetros que Jarrion Lawson, que teve ensaios a 8,44, 8,43 e 8,40 e um total de cinco saltos a 8,31 ou mais!

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