4º Dia|Especial Mundial|Análise de Arons de Carvalho

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Balde de água fria no triplo coloca Mamona fora do top’8

Balde de água fria na muito aguardada final do triplo. No último ensaio da terceira ronda, quando Patrícia Mamona estava no 8º lugar (com 14,12), a espanhola Ana Peleteiro, que tinha 13,92, saltou 14,23 (recorde pessoal!) e relegou a atleta portuguesa para a 9ª posição, fora dos três ensaios finais. Mamona abrira com um nulo, fez depois 14,04 e fechou com 14,12 (v:+0,1), marca que a colocava num ingrato 8º lugar, quando havia ainda duas atletas com marca inferior para saltar. Acabou por ser a espanhola a qualificar-se, enquanto Mamona ficava a um só centímetro do 8º lugar. Entretanto, Susana Costa obteve 13,99 (v:+0,4) e 13,97, terminando na 11ª posição. Depois dos 14,35 da véspera, esperava-se melhor.

Lá na frente, deu-se o esperado despique entre a colombiana Caterine Ibarguen, campeã olímpica em 2016 e campeã mundial em 2013 e 2015, e a venezuelana Yulimar Rojas, vice-campeã olímpica e campeã mundial de pista coberta. Desta vez, foi esta a levar a melhor, graças a uns 14,91 no 5º ensaio, que superaram os 14,89 ao 3º ensaio de Ibarguen! No 6º e muito aguardado salto final, Rojas, que tivera outros ensaios a 14,82 (2º) e 14,89 (3º), ficou-se pelos 14,50 e Ibarguen, a última a saltar, criou suspense, ao chegar a… 14,88. Não houve alteração.

Entretanto, Olga Rypakova cedo garantiu a medalha de bronze, com 14,77 ao 3º ensaio. Também aqui sem surpresa…

Nelson Évora finalista

Entretanto, na qualificação masculina do triplo, Nelson Évora garantiu a passagem à final por boa margem (foi 6º com 16,94), embora sem atingir a marca de qualificação automática (17,00), apenas conseguida por três atletas: os norte-americanos Chris Benard (17,20) e Christian Taylor (17,15) e o cubano Cristian Nápoles (17,06). O outro grande favorito, Will Claye, ficou-se pelos 16,95. O 12º e último apurado fez 16,66 e Nelson Évora obteve 16,64 no 1º ensaio, 16,94 no 2º (v:+0,1) e fez nulo no 3º. Grande baixa para a final é a do alemão Max Hess, campeão europeu em 2016 e com 17,52 como recorde pessoal esta época, que não compareceu. A final realizar-se-á apenas na quinta-feira.

David Lima semi-finalista

A abrir a jornada, David Lima conseguiu o apuramento para as meias-finais de 200 metros (a realizar quarta-feira) graças ao seu segundo melhor tempo de sempre (20,54), a seguir ao recorde pessoal de 20,30. Foi 5º na sua série, ganha pelo turco Ramil Guliyev em 20,16 (v:+0,7 m/s). Eram apurados os três primeiros de cada uma das sete séries, mais os três melhores tempos. E David Lima foi o último dos 24 apurados. A melhor marca pertenceu a Jerelim Richards (Trindade e Tobago), com 20,05, e o sul-africano Wayde van Niekerk, o grande favorito, gastou 20,16. Antes da meia-final de 4ª feira (e da final de 5ª feira), terá esta terça-feira a final dos 400 m, para a qual parte igualmente como grande favorito.

As outras finais

Houve mais três finais neste terceiro dia. No martelo, nada de novo: terceiro título (depois de 2009 e 2015 – foi 5ª em 2011 e 2ª em 2013) para a polaca Anita Wlodarczyk, campeã olímpica em 2012 e 2016, que já vai em 41 vitórias consecutivas e continua a ser a única acima de 80 metros! Mas não foi fácil. Começou com “apenas” 70,45 e viu a sua compatriota Malwina Kopron liderar ao fim do primeiro ensaio, com 74,76. Fez nulo no 2º ensaio enquanto a chinesa Zheng Wang, que havia lançado a 74,31 a abrir, passou a liderar com 74,94. Wlodarczyk lançou insuficientes 71,94. E apenas no 4º ensaio resolveu a questão do título, com 77,39, melhorados no último ensaio para 77,90. Wang conquistou a medalha de prata melhorando para 75,98 (lançou seis vezes a 74,21 ou melhor!) e a polaca Kopron manteve o 3º lugar.

Nos 110 m barreiras, a Jamaica, através de Omar McLeod, desforrou-se das derrotas nos 100 metros. O campeão olímpico ganhou em 13,04, contra 13,14 do campeão mundial de 2015, o russo Sergey Shubenkov.

Emocionantes os 1500 metros femininos que fecharam a jornada. Foram bem lentos (2.17,13 aos 800 m) até que, por volta dos 900 m de prova, a holandesa Sifan Hassan, detentora da melhor marca do ano, atacou e parecia, na reta final, a caminho do título, apesar da réplica da campeã olímpica Faith Kipyegon. Esta viria a ganhar, em 4.02,59, enquanto de trás surgia fortíssima, pelo interior, a norte-americana Jennifer Simpson a ser segunda (4.02,76) e a enriquecer o seu medalheiro: prata a juntar ao ouro do Mundial de 2011, à prata do Mundial de 2013 e ao bronze dos Jogos de 2016. Caster Semenya, grande favorita para os 800 m, completou o pódio (4.02,90), enquanto Sifan Hassan caiu para quinta (4.03,34) e a recordista e campeã mundial (e “vice” olímpica) Genzebe Dibaba era 12ª e última, com 4.06,72! Um final de jornada de grande emoção!

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