9º Dia|Especial Mundial|Análise de Arons de Carvalho

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Farah segundo, Bolt lesionado em jornada de sensações

O segundo lugar de Mo Farah, falhando nova “dobradinha”, e a lesão de Usain Bolt, no último percurso dos 4×100 m, marcaram a penúltima jornada do Mundial, que teve várias outras surpresas.

A jornada ficou primeiramente marcada pela derrota de Mo Farah, que desta feita não conseguiu fazer a “dobradinha” 5000/10000 m, como nos Jogos de 2012 e 2016 e nos Mundiais de 2013 e 2015. Foi 1º e 2º nos Mundiais de 2011 e 2017, falhando os 10000 m no primeiro caso e os 5000 m agora (dois segundos lugares). A prova foi lenta e, a 400 m da meta havia sete atletas na frente. Acabaram por destacar-se quatro, com o líder do ano, o etíope Muktar Edris, a destacar-se na reta final, ganhando em 13.32,79, com os últimos 400 m em 52,5 segundos. Mo Farah foi segundo (13.33,22) e o norte-americano (de origem queniana) Paul Chelimo fechou o pódio (13.33,30), imediatamente antes de outro etíope, Yomif Kejelcha (13.33,51). Um único queniano na final (!) e apenas… 13º!

Lesão muscular de Bolt na estafeta

A fechar a jornada, a despedida de Usain Bolt não podia ser mais triste. Logo a seguir à última transmissão teve uma lesão muscular na perna que o derrubou. Seguia ligeiramente atrasado em relação aos norte-americanos, mas em posição de lutar pela vitória. Sensacional foi o último percurso do britânico Mitchell-Blake, que ultrapassou o norte-americano Coleman (vice-campeão de 100 m), colocando o estádio em êxtase a fechar a jornada. A Grã-Bretanha ganhou em 37,47 contra 37,52 dos Estados Unidos e 38,04 do Japão.

Sally Pearson imparável nos 100 m barreiras

Entretanto, nos 100 m barreiras, a norte-americana Kendra Harrison, recordista mundial (12,20 em 2016) e detentora da melhor marca do ano (12,28), partiu bem mas cedeu a partir do meio da prova, terminando apenas quarta (12,74). Imparável esteve a australiana Sally Pearson, campeã olímpica em 2016 (e 2ª em 2008), que ganhou com 12,59, à frente da melhor das quatro norte-americanas que estiveram na final, Dawn Harper Nelson, que juntou a prata mundial (com 12,63) à olímpica há um ano.

Vitória esperada de Vetter no dardo

Vitória esperada do alemão Johannes Vetter, 4º nos Jogos de 2016 mas com 94,44 esta época, no dardo. Abriu com 89,89 e 89,78 mas apanhou um susto quando o checo Jakub Vadlejch lançou 89,73 (recorde pessoal) no 2º ensaio. Mas manteve a liderança até final, já que o seu compatriota Thomas Roller, campeão olímpico e com 93,90 esta época, se limitou a 88,26, caindo para o quarto lugar. Outra surpresa foi o também checo Petr Frydrych, que fechou com 88,32 (também recorde pessoal), ultrapassando o alemão. Dois checos no pódio, eles que haviam sido apenas 8º e 12º nos Jogos do Rio…

Mariya Lasitskene na altura

Na altura, nada de novo: a russa Mariya Lasitskene, já campeã em 2015, marcou nítida superioridade, só falhando um ensaio a 1,99 e ganhando com 2,03, antes de tentar, sem êxito, o recorde mundial a 2,08. Surpreendente foi a segunda, a jovem (20 anos) ucraniana Yulia Levchenko, que bateu o recorde pessoal com 2,01.

Kevin Meyer com melhor marca do ano

No decatlo, segunda vitória francesa neste Mundial, agora por Kevin Meyer, 4º no Mundial de 2015, com a melhor marca mundial do ano, 8768 pontos (ele tem 8834 como recorde pessoal), mais de 200 pontos de vantagem sobre o segundo, o alemão Rico Freimuth, bronze em 2015, com 8564 pontos.

EUA na estafeta feminina

Os Estados Unidos, que já haviam feito a melhor marca das meias-finais femininas de 4×100 m (41,84), melhoraram dois centésimos na final (41,82), ganhando à Grã-Bretanha (42,12) e à Jamaica (42,19). Mas as jamaicanas falharam a última transmissão, perdendo a (ligeira) vantagem que detinham.

Medalheiro

E assim se chega ao último dia, com os Estados Unidos em grande vantagem no medalheiro: 9 medalhas de ouro,10 de prata e 8 de bronze (27 no total). O Quénia tem três títulos (e 8 medalhas) e, com dois títulos, estão Polónia (7 medalhas), África do Sul (5), Etiópia (4), Grã-Bretanha (4) e França (3). Na pontuação, os Estados Unidos têm agora 240 pontos, contra 90 do Quénia e 85 da Grã-Bretanha.

Inês Henriques amanhã nos 50 km marcha

Entre as 11 finais do último dia, uma novidade: os 50 km marcha femininos, que poderão proporcionar um histórico título a Inês Henriques, que se tornaria a primeira campeã mundial da distância, 35 anos (menos um mês) depois de Rosa Mora ter ganho a maratona do Europeu de Atenas’1982, na estreia da distância em grandes competições.

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