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Home Running Clube do Pelotão

Caldas de São Jorge Sport Clube/Atletismo é modalidade rainha na terra das termas

Nuno Oliveira by Nuno Oliveira
2026-04-09
in Clube do Pelotão, Destaque, Entrevista, Running
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Caldas de São Jorge Sport Clube/Atletismo é modalidade rainha na terra das termas
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O Caldas de São Jorge foi fundado em 1980 e tem atualmente, 62 atletas. Hugo dos Santos é o presidente do clube que tem um orçamento anual de 4.500 euros no atletismo. Com grande falta de condições, o trabalho desenvolvido no atletismo é merecedor de outros apoios.

O Caldas de São Jorge está situado na vila com o mesmo nome, concelho de Santa Maria da Feira. Vila com menos de três mil habitantes e famosa pelas suas termas, viu o clube ser fundado em 24 de Outubro de 1980 por um grupo de entusiastas locais, que tinham como objetivo criar uma equipa que representasse a comunidade nas competições regionais e possibilitar uma alternativa desportiva para os jovens da terra.

Carlos Ferreira conta: “Estávamos em junho de 1980, provavelmente devia ser um dia quente, quando dois dos amigos que se habitualmente se juntavam aos domingos para fazer desporto, se encontraram no parque das Termas e aí combinaram em participar pela primeira vez numa prova de atletismo. A memória apenas recorda que foi um domingo e a prova foi em Azevedo. Foi aí que tudo começou e nunca mais parou, pelo menos até hoje”.

O clube organizou pela primeira vez, o seu Grande Prémio Porém o ânimo e os resultados não resolveram tudo e durante alguns anos, ocorreu um interregno.

Em 2001, refundou-se o clube que tem sabido vencer as dificuldades e ganhar uma identidade reconhecida pelas conquistas. Carlos Ferreira acrescenta: ”Podemos dizer, com orgulho, que somos o clube mais representativo do concelho e dos mais representativos do distrito de Aveiro. De um grupo de amigos, somos atualmente uma Secção que conta com cerca de sessenta sócios e anualmente, o clube participa em cerca 120 provas desportivas. Passo a passo, a ‘canalhada das Caldas’ continua a crescer e os limites parecem não existir. Conquistámos respeito e reconhecimento da comunidade desportiva. A título de exemplo, refira-se que já nos tentaram retirar a data do nosso Grande Prémio do mês de setembro e só a qualidade e respeito pelo trabalho efetuado fortaleceu a tradição”.

65 sócios e 54 atletas

Hugo Santos é o presidente do Caldas de São Jorge que tem mais de cem sócios que pagam uma quota anual de 20 euros. Com a sua sede, tem no atletismo a sua única modalidade.

O clube tem 62 atletas e conta com um treinador, Carlos Ferreira, o grande responsável da Secção de Atletismo. Para ele: “Não é o ideal, porque a diversidade das disciplinas e idades, exigem um acompanhamento maior, o que uma pessoa apenas não pode fazer da forma ideal, mas é o possível”.

“Precisamos de gente que ao elegermos, nos representem e que tenham horizontes mais largos, que criem condições mínimas para todas as modalidades e não só no futebol”

Prioridade às provas distritais

Os atletas do Caldas de S. Jorge participam prioritariamente nos escalões de formação, nas provas de pista, estrada, corta-mato e trails dos Campeonatos Distritais da Associação de Atletismo de Aveiro.

As provas nacionais são também objetivo para o clube conseguir ter atletas a fazerem marcas e apuramentos que os leve a estarem presentes. “Já tivemos alguns pódios nacionais conquistados por atletas da formação e masters”.

As provas populares de estrada, trails e outras, também têm a participação do clube, principalmente os do escalão sénior.

Destaque particular para Maria Dias

O clube tem alguns campeões nacionais de veteranos e medalhados nacionais nos escalões jovens, em épocas anteriores.

A nível distrital, os atletas têm-se sagrado regularmente campeões, tanto nos escalões jovens como nos veteranos. Alguns deles têm feito parte da seleção de Aveiro.

Mas esta época, há uma atleta que se tem destacado, Maria Dias que se sagrou vice-campeã nacional de corta-mato escolar.

“Os campeões formam-se! As qualidades, por si só, não fazem nada. Para isso, precisamos de condições! E no nosso particular, não pedimos muito”

CALDAS DE SÃO JORGE SPORT CLUBE

Concelho: Santa Maria da Feira

Ano fundação: 1980

Presidente: Hugo dos Santos

Sócios: mais de 100

Atletas: 62

Técnicos: 1

Orçamento: 4.500 euros

Objetivos para esta época

Para esta época, as perspetivas são as melhores porque “temos bastantes atletas que têm demonstrado qualidades, trabalho e resultados promissores”.

Segundo Carlos Ferreira, os objetivos são os mesmos de todas e que se orienta pelo que está no regulamento interno do clube, no seu artigo 2º: “…. Proporcionando principalmente aos jovens uma aproximação descontraída à competição, dedicando-lhes o tempo na prática formativa nas diversas especialidades técnicas e uma ocupação saudável dos tempos livres. O acompanhamento, orientação e apoio, são requisitos prestados a todos atletas”.

E claro, resultados. “Naturalmente que todos queremos, gostávamos de ganhar e conquistar sempre mais e melhor. Por isso, a simbiose, destes dois pontos levam a um ‘compromisso’ geral de tentarmos evoluir, melhorando tempos e classificações anteriores, recordes pessoais, tentarem mínimos para poder participar em competições nacionais”.

“Pedimos apenas que o equipamento que temos disponível seja urgentemente intervencionado, como é do conhecimento de todas entidades responsáveis”

Orçamento anual de cerca de 4.500 euros

O orçamento anual ronda os 4.500 euros. O clube tem tido alguns apoios da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia. Mas têm sido insuficientes. “O atletismo é o desporto pobre e isso reflete-se no nível de apoio e criação de infraestruturas com condições para a modalidade. É neste quadro que o nosso clube se insere, apesar de termos o apoio das entidades referidas que nos apoiam no nosso Grande Prémio, nas inscrições de filiações de todas as camadas jovens, sénior e veteranas femininas”.

Para Carlos Ferreira, tem sido fundamental o apoio de empresas locais e privados. Os oito patrocinadores têm sido a sua maior fonte de receitas, com destaque para o patrocinador oficial Suil Park Seguros. Mas há também os peditórios, rifas e um ou outro convívio aproveitado para se conseguir angariar algumas ajudas.

Como acontece com a maior parte dos clubes populares, os subsídios estatais são insuficientes para manter o clube ativo, “mas são uma ajuda que juntando com os patrocinadores, fazemos os possíveis para nos governarmos.”

Os apoios aos atletas passam pela sua filiação, exames médicos, seguro, equipamentos, uma pequena ajuda nas inscrições das provas, prémios no fim de época aos que conquistam pódios e material de apoio aos treinos.

Grande Prémio de Atletismo do Caldas de São Jorge Sport Clube

O clube organiza o “Grande Prémio de Atletismo do Caldas de São Jorge Sport Clube”. Disputado em setembro, terá este ano a sua edição no dia 20.

O número de participantes tem vindo a subir ao longo dos anos, tendo no ano passado, ultrapassado os 600 atletas, nos diversos escalões.

Para Carlos Ferreira, “É uma prova emblemática que já avançou para fora do nosso distrito e já acolhe atletas dos vários pontos do país. O local é outra atração pelo meio circundante. A realização do evento ocorre nas Termas de Caldas de São Jorge”.

“Fazemos o nosso melhor e se compararmos os resultados com as condições… fazemos milagres!”

Principais dificuldades na prática da modalidade

Carlos Ferreira enumera as principais dificuldades na prática do atletismo: “o recinto (parque desportivo) muito degradado, o que cria muitas dificuldades no inverno devido à má iluminação. A pista está sem cuidados e quando chove, ela fica impraticável. Falta por isso, um local coberto como alternativa nos dias frios e chuvosos. Falta gente com formação para ajudar nos treinos (treinadores), mais material de apoio ao treino. Mas mesmo com ou sem estes meios, fazemos o nosso melhor e se compararmos os resultados com as condições… fazemos milagres!”

“É inadmissível os investimentos em campos de futebol por freguesias, piscinas, pavilhões desportivos… e uma pista de atletismo não existir no mínimo por município”

Atletas com piores marcas chegam em segundo e terceiro lugares

Não faltam histórias no Caldas de S. Jorge. Carlos Ferreira conta uma passada numa prova de 300 m barreiras com duas das suas atletas. “Foi a primeira prova realizada pelas minhas duas atletas, estavam um pouco nervosas. Na palestra, disse-lhes, só ganha quem chegar em primeiro, assim sucessivamente, visto que todas as outras adversárias eram melhores, tinham melhores marcas e mais experiência. Só lhes disse, só no fim é que sabemos a vossa classificação. A prova estava a decorrer como previsto. Ao chegarem à antepenúltima e à penúltima barreira, a infelicidade das adversárias, foi a sorte das nossas atletas, que acabaram no segundo e terceiro lugar. Foi esta lição. Temos de acreditar até passar a meta”.

“Os campeões formam-se! As qualidades, por si só, não fazem nada. Para isso, precisamos de condições! “

É preciso mudar mentalidades e criar condições para a prática do atletismo

A terminar, Carlos Ferreira analisou as muitas dificuldades na prática da modalidade no concelho.

“Para nós é importante divulgar este desporto – Atletismo. Este merece maior respeito pelo poder político. Governo, municípios e juntas de freguesias têm de fazer mais e melhor por esta modalidade. É inadmissível os investimentos em campos de futebol por freguesias, piscinas, pavilhões desportivos… e uma pista de atletismo não existir no mínimo por município.

Existem campos de futebol abandonados com condições para fazer tudo isto e ter um equipamento que podia receber provas nacionais, eventos internacionais, para além de servir de apoio aos vários clubes de atletismo do município, para poderem treinar e desenvolver os atletas.

Precisamos de gente que ao elegermos, nos representem e que tenham horizontes mais largos, que criem condições mínimas para todas as modalidades e não só no futebol. Se as mentes forem abertas, conseguem perceber que podem-se coabitar e criarem um local para todos e onde se pode rentabilizar todo o investimento em poucos anos, no comércio, hotelaria, turismo…

Os campeões formam-se! As qualidades, por si só, não fazem nada. Para isso, precisamos de condições! E no nosso particular, não pedimos muito. Pedimos apenas que o equipamento que temos disponível seja urgentemente intervencionado, como é do conhecimento de todas entidades responsáveis.

O Parque desportivo precisa urgentemente de obras, como estão prometidas há vários anos. Iluminação, muro de suporte da pista e remoção de todos os escombros colocados no recinto. Este já se encontra lá há mais de quatro anos e é motivo de insegurança e preocupação de pais, treinador e dirigentes, em todos os treinos devido ao elevado número de crianças.

Obras nos balneários que não têm condições mínimas, nas áreas das casas de banho, duches e a própria estrutura física do edifício, muito danificada pelos inúmeros anos sem manutenção.

O nosso lema e chavão é: ‘Juntos somos mais fortes!’, é o nosso maior suporte! Mas precisamos de condições que ultrapassam as nossas capacidades e que não dependem de nós”.

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