A minha 1ª maratona – Por João Silva

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A 1ª maratona de João Silva foi em 2018. Terminou em 3h33m, melhorando no ano seguinte para 3h21m, atual recorde pessoal.

1 – Idade: 31 anos

2 – Corre há quantos anos? Há 3 anos e 6 meses.

3 – Quando começou a correr, pensava algum dia fazer uma maratona? No momento em que comecei, não tive logo essa ideia, até porque o meu objetivo passava sempre pela perda de peso. Em bom rigor, naquela altura, nem sequer achava que algum dia ia participar em provas de corrida. Queria apenas fazer algo por mim. No entanto, pouco tempo após começar, fiquei “agarrado”. Não havia volta a dar.

4 – Como surgiu a ideia de correr uma maratona? Não me recordo ao certo da altura em que isso aconteceu, mas tenho a sensação de foi pouco depois de ter feito a minha primeira meia maratona, na Figueira da Foz, em junho de 2017. Já era um apaixonado pelas grandes distâncias, mas foi ali que vi que tinha “máquina” para aguentar o passo seguinte. Toda a metodologia de treino que usei para preparar a prova na Figueira serviu de plataforma de sustentação de voos mais altos. Percebi que, com tempo, conseguiria chegar a uma maratona. No fundo, a partir daquele momento, tornei-me verdadeiramente um maratonista, principalmente, ao nível psicológico.

5 – Data e local da primeira maratona? No dia 04 de novembro de 2018, corri a minha primeira maratona. Foi numa cidade que me diz muito, o Porto.

6 – Como correu a prova? O dia foi mágico, mas começou bem cedo, ainda em plena madrugada, quando, juntamente com a minha esposa e com outros colegas da minha equipa, a ARCD Venda da Luísa, rumámos de Condeixa-a-Nova até ao Porto. O nervosismo era palpável. Ainda assim, pela preparação que tinha tido, não senti que estivesse perante algo maior do que eu. No fundo, dentro de mim, acreditava que estava preparado, que tinha chegado ali com muito sacrifício, mas que iria acabar bem de saúde e com o maior desafio desportivo da minha vida superado.

Falar no que se passou durante a prova é descrever magia, já que o apoio daquelas pessoas e a multidão de atletas me catapultaram para um patamar que nem julgava possível. Foi assim, de sorriso rasgado e a puxar pelos espetadores, que atravessei a Ponte D. Luís e cruzei a meta. Nesse momento, foram tantas as lágrimas. Acima de tudo, foi uma mescla de emoções como nunca tinha vivido e como dificilmente conseguirei descrever em palavras. Foram meses de treino e de pensamentos naquele dia, naquele momento. Foi rever a matéria de um aluno que começou muito obeso, com 118 kg, e que cruzou aquela meta com perto de 70 kg. Foi uma das melhores sensações da minha vida.

7 – Qual o tempo que demorou? Esteve dentro das expetativas? Fiz a prova em 3 horas e 33 minutos, muito abaixo daquilo que tinha em mente. Levava o objetivo de acabar consciente e, se possível dentro das 4 horas. Por outro lado, tenho de ser honesto e de dizer que as minhas indicações nos treinos me davam a entender que conseguiria baixar das 4 horas. Quis ser prudente, mas, na verdade, aquele tempo não se revelou uma verdadeira surpresa. Nada daquilo tinha sido obra do acaso. Afirmo-o sem qualquer tipo de arrogância, mas porque sabia o quanto tinha investido de mim próprio.

8 – Continuou a correr maratonas? Se sim, quantas mais completou? Ficou-me no corpo, no sangue, diria. Portanto, só tinha mesmo de continuar. Depois daquela, fiz mais duas: a de Aveiro em 2019 e novamente a do Porto em 2019. Ambas foram terminadas. A primeira de 2019 não correu da melhor maneira pois foi numa fase de má forma e em que não percebi a volta que tinha de dar aos meus treinos.

9 – Qual a maratona que lhe deixou melhores recordações? A primeira fica sempre, sobretudo, pela presença da minha esposa, a única pessoa que sabia o que estava em jogo para mim. Portanto, essa não dá para superar. Porém, a última que fiz, em novembro de 2019, foi mágica pela fantástica prestação que consegui e por ter sido aquela prova em que no pensamento só levava a ideia de que seria para dedicar ao meu filho que nasceu agora em 2020. Portanto, foi um bom misto de emoções. Além disso, a de 2019 tem também um sabor muito especial porque foi aquela em que melhor apliquei a minha metodologia de treino, inspirada em pessoas com mais experiência do que eu. A segunda metade de 2019 foi sinónimo de quebra de recordes pessoais em provas de meio fundo e de fundo e tudo aquilo foi o resultado de um segundo semestre muito bem preparado e intenso, com muitos treinos técnicos que fui adotando em função do que li e pesquisei.

10 – Recorde pessoal na maratona? Onde e quando foi? O meu recorde atual nesta competição está nas 3 horas e 21 minutos e foi obtido em novembro de 2019 na maratona do Porto. Senti-me tão bem durante aquela prova que acredito que foi a combinação perfeita das diferentes metodologias e disciplinas desportivas. Foi o corolário de uma segunda metade de ano a roçar a perfeição para as minhas expetativas. Poucas vezes fico satisfeito com resultados e prestações. Há sempre por onde melhorar, mas aquela prova foi perfeita, principalmente, em termos de gestão do corpo e da técnica de corrida. Estou inscrito na maratona do Porto em 2020, mas, dadas as circunstâncias e o facto de ter um filho recém-nascido e que se insere num grupo de risco face a eventuais contágios, ainda não estou certo de que a farei.

 

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