Altos e baixos (e curiosidades) das II e III Divisões nacionais

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Divididas por seis pistas mas em muitos casos em competição direta com atletas dos clubes da I Divisão, as II e III Divisões do Nacional de Clubes disputado no passado sábado, tiveram alguns aspetos curiosos, que aqui deixamos em género de rescaldo.

II DIVISÃO (M)

1º CA SEIA, 96,5 p.: Despique emocionante, com apenas ponto e meio a separar as três primeiras equipas e a vitória (por meio ponto!) a sorrir à formação de Seia, que já fora campeã da II Divisão em 2001, 2004 e 2012 e, exceto em 2012, se mantinha na I Divisão desde 2007, chegando a ser três vezes quarta classificada. Desta feita, ganhou quatro provas e foi outras quatro vezes segunda. Destaque para o marchador Rui Coelho, que obteve a melhor marca (12.35,48) das três divisões (melhor mesmo que um “descansado” João Vieira, na I Divisão!); para Ericsson Tavares, vencedor dos 400 m com um tempo (48,58) que lhe daria o 3º lugar na I Divisão (e ainda foi 2º nos 110 m barreiras); para os também vencedores Nélson Pinto na altura (2,05) e Hélio Vaz nas barreiras (14,89/+2,0 m/s). Tiago Rocha foi 2º nos 100 e 200 m. Pontos negativos nos lançamentos: a equipa foi última no peso e disco e penúltima no martelo.

2º AC PÓVOA DE VARZIM, 96 p.: repetiu o 2º lugar de 2019 (depois de três anos na III Divisão), mas a escasso meio ponto do título. Vitórias de André Regufe nos 3000 m (8.28,52) e 2000 m obstáculos (5.50,71), do veterano Dário Manso no martelo (59,89) – seria 3º na I Divisão – e de Martim Faustino nos 400 m barreiras (55,36). A equipa foi ainda segunda em quatro provas. As piores classificações foram três sétimos lugares.

3º MAIA AC, 95 p.: Entre 2002 e 2004, o clube foi duas vezes 3º e uma vez 4º na I Divisão, mas depois “desapareceu”, regressando à II Divisão em 2015. E agora alcançou o 3º lugar pelo terceiro ano consecutivo! Mas, desta vez, bem perto da vitória… Destaque para Marcos Caldeira, vencedor do triplo (15,31/-1,4 m/s) e segundo no comprimento (6,96/+2,1); Paulo Barbosa, primeiro nos 1500 m, com o segundo tempo no conjunto das três divisões (3.54,92) – beneficiou da lentidão do andamento na I Divisão…; e Alexandre Almeida, o melhor no disco (39,40). A equipa alcançou quatro segundos lugares e foi a que teve menos pontos fracos: nos dois últimos lugares só teve o “marchador”, destacado último.

AS OUTRAS EQUIPAS: O GD Estreito, depois de seis anos na I Divisão, foi agora apenas quarto na II, embora não muito longe dos primeiros (somou 88 pontos). Teve no júnior João Pedro Buaró (5,00 na vara, segunda marca no conjunto das três divisões) o seu melhor elemento. Destaque, no Campismo (5º), para Claudino Tavares, com 10,85 (+0,6) nos 100 m e 21,91 (+1,6) nos 200 m. A Associação 20 Km de Almeirim (6º) e Sobral de Ceira (7º) estrearam-se na II Divisão e a formação açoriana da Juv. Ilha Verde, a competir sozinha em Ponta Delgada, teve um vencedor (Luís Melo, com 14,14 no peso) mas não fugiu ao último lugar.

II DIVISÃO (F)

1º GA FÁTIMA, 109 p.: Na quinta temporada na II Divisão, sempre a subir (5º-4º-3º-3º-1º), chegou ao título, graças a uma equipa sem pontos fracos (dois quintos lugares como piores classificações). Ganhou cinco provas, com destaque para Ana Oliveira, cujas marcas na altura (1,70… e não tentou mais alto) e triplo (13,31/+1,7) lhe dariam segundos lugares na I Divisão. Também Raquel Marques, com 3,25 na vara, seria segunda. Patrícia Rodrigues ganhou os 100 m (12,41/+2,8) e 200 m (25,70/+2,9).

2º GR EIRENSE, 103 p.: Em estreia, o clube da Associação de Coimbra ficou a escassos seis pontos do título, ganhando nada menos de cinco provas. Destaque para os duplos triunfos de Lurdes Oliveira nas barreiras (15,38/+0,2) e comprimento (5,79/+1,7) e Francisca Cantante nos 800 m (2.12,87) e 1500 m (4.41,69) e ainda para a vitória de Mariana Bento no dardo (34,79). Apenas numa prova, a equipa caiu num dos dois últimos lugares (7º na vara).

3º MAIA AC, 101 p.: Terceiro lugar, tal como no setor masculino, embora sabendo a pouco face aos títulos conquistados em 2014, 2016 e 2017 e à passagem pela I Divisão em 2015. Vitórias individuais para Mara Resende nos 3000 m (10.32,29) e Alice Oliveira nos 2000 m obstáculos (7.06,00). Classificações inferiores apenas nos 100 m (7º) e martelo (8º).

AS OUTRAS EQUIPAS: O CS Marítimo (4º com 96 pontos) está longe dos tempos da I Divisão. Triunfou nos 400 m (Miriam Tavares, 58,09), 400 m barreiras (Carlota Spínola, 67,29) e marcha (Vera Portela, 15.15,69). A Casa do Benfica de Faro (5ª com 73,5 p.) melhorou os 8º lugares dos dois anos anteriores e a AC Póvoa de Varzim estreou-se com um 6º lugar (70 p.) e vitória de Purificação Fernandes no peso (10,78). NA Cucujães (7ª com apenas 43 p., apesar dos triunfos de Eva Gonçalves, 39,85 no disco e 44,83 no martelo) e ADRE Palhaça (8ª com 34,5 p.) desiludiram.

III DIVISÃO (M)

Larga superioridade do GR Eirense (110 p.), CA Mazarefes (102 p.) e CA Bª Banheira (101 p.), que ganharam 14 das 18 provas (5+4+4) e deixaram a quarta equipa, o regressado Belenenses, bem longe (74 p.). O GR Eirense, em ano de estreia, juntou o título masculino da III Divisão ao 2º lugar na II Divisão feminina. Ganhou cinco provas e apenas em duas, desceu abaixo do 5º lugar (6º e 7º), concluindo com uma confortável vantagem de oito pontos. O CA Mazarefes teve a melhor das suas seis presenças na III Divisão, fazendo pleno de vitórias nos lançamentos, através de Remi Lima (peso e disco) e João Ferreira (martelo e dardo). O CA Baixa da Banheira, que em 2000 e 2012 competiu na I Divisão (7º), ficou a um ponto do 2º posto e teve em Wilson Pedro o atleta mais em evidência, ao ganhar os 100 e 200 m, com um tempo no hectómetro (10,82/+1,7 m/s) que lhe daria o 3º lugar na I Divisão.

III DIVISÃO (F)

Das cinco primeiras equipas classificadas, apenas o CDR Ribeirinho não era estreante em fases finais de Nacionais de Clubes! Apesar de ter ganho apenas uma prova (triplo, por Celina Penedo), a Academia de Valdevez sagrou-se campeã e por margem razoável, somando 106,5 pontos, contra 98 do União de Tomar, que conseguiu seis vitórias individuais! Mas o que conta é o conjunto e enquanto a equipa minhota conseguiu nada menos de oito segundos lugares, a formação de Tomar não pontuou na marcha e foi duas vezes sétima. Uma curiosidade: no mesmo dia, Maria José Pinto ganhou os 3000 m (às 10 h da manhã) e os 2000 m obstáculos (nove horas depois). Fechou o pódio a equipa do CDR Ribeirinho, com 93 pontos (e uma só vitória individual). Outras referências: a formação açoriana da Juv. Ilha Verde foi quarta (83,5 p.); a da EA Trofa (5ª – 70 p.) não pontuou em nada menos de cinco provas (mas ganhou quatro)! O menor número de equipas presentes este ano na fase de apuramento (de fora das três divisões ficaram apenas cinco equipas masculinas e três femininas, entre as classificadas) levou a que algumas formações da III Divisão (masc. e fem.) fossem mais fracas do que habitualmente.

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