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Home Running Atleta do Pelotão

Artur Rodrigues/Campeão europeu de Masters

Nuno Oliveira by Nuno Oliveira
2026-06-01
in Atleta do Pelotão, Destaque, Entrevista, Running
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Artur Rodrigues/Campeão europeu de Masters
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Artur Rodrigues tem 50 anos e é atleta do Grupo Desportivo e Cultural do Guilhovai. Devido à sua vida profissional, só consegue treinar habitualmente depois das 21 horas. Corre em média 30 provas por ano, a maioria em trails.

Artur Rodrigues tem 50 anos e é natural de Espinho. É técnico de manutenção, na reparação de máquinas industriais.

Começou a correr aos 12 anos, com uma interrupção entre os 20 e 25 anos. “Tudo começou quando eu tinha 12 anos e um amigo me convidou para participar numa prova de estrada em Espinho, para ajudar a sua equipa. Aceitei e alertei que nunca tinha feito nenhuma prova como também não fazia treinos mas que daria o meu melhor. No final da prova, para meu espanto, ganhei destacadamente onde fiquei muito feliz. Fui felicitado pelo presidente do clube que me convidou para fazer parte da equipa de atletismo do Esmojães”. E conclui: “Foi gratificante pelo apoio de todos, muitas pessoas a ver e um dia bonito”.

Foi assim que Artur Rodrigues se iniciou no mundo das corridas, “onde venci e perdi muitas vezes mas criei grandes amizades para a vida”.

Treinar só depois das 21 horas em dia muito ocupado

Artur é atleta do Grupo Desportivo e Cultural do Guilhovai. Não tem treinador e treina em média, seis vezes por semana, sempre que possível, com companhia.

Ele tem um dia muito ocupado a nível profissional. Começa a trabalhar às 8 horas e sai às 17 horas “se tudo estiver ok, caso contrário, só quando terminar”.

Vai depois para outro trabalho de reparação de eletrodomésticos até às 21 horas. Só depois, é que vai treinar.

“Venci e perdi muitas vezes mas criei grandes amizades para a vida”

Na Maratona do Gerês

Artur só correu uma maratona, a do Gerês. “Correu mais ou menos, porque não me tinha preparado para ela. Sofri nos últimos sete quilómetros, terminei em quinto da geral e gostei por todas as sensações”.

A sua distância preferida passa pelos dez quilómetros, “onde me identifico devido aos meus treinos”.

Corre em média, 30 provas por ano com preferência nos trails “pela sua beleza e adrenalina”. Mas também gosta dos corta-matos não deixando de participar em provas de estrada.

Já as provas de velocidade na pista são as que menos lhe agrada. “Distâncias abaixo de 400 metros, não sou rápido o suficiente e sofro muito”.

Momentos marcantes no Europeu de Masters no Algarve

Artur elege o Campeonato Europeu de Masters no Algarve como o momento mais marcante da sua carreira desportiva. As razões são fáceis de explicar: “Foi onde me consagrei campeão europeu de 10.000 m e meia maratona estrada, no corta-mato, na estafeta em corta-mato e coletivamente por Portugal.

“O atletismo no seu geral está no bom caminho, tanto na quantidade de atletas como na qualidade”

“Prova de sonho” seria a Marathon des Sables

E qual seria a corrida de sonho” que gostaria um dia de correr? Artur “sonha” com a Marathon des Sables, no deserto do Sahara, pela sua dificuldade.

No mundo das corridas, aprecia particularmente “a amizade e a entreajuda entre todos”.

E se não estivesse no atletismo, escolhia o ciclismo, “pelo trabalho em equipa”.

Não às lesões

Artur não dispensa os exames médicos de rotina e pensa correr enquanto a saúde o deixar. Até agora, as lesões não o têm visitado muito. Apenas uma no nervo ciático.

Quanto à alimentação, come um pouco de tudo sem abusar nos salgados e doces.

Atletismo no bom caminho

Artur gostava um dia de ser presidente de um clube. Vê o futuro da modalidade com otimismo. “O atletismo no seu geral está no bom caminho, tanto na quantidade de atletas como na qualidade. Espero muito que existam mais provas mas com prémios monetários e que motive os atletas e os faça acreditar no futuro como desportistas e não como um trabalhador desportista”.

Quanto a sugestões para uma melhor organização das provas, refere a existência de locais com espaço, banhos e prémios para as classificações gerais masculinas e femininas e todos os escalões, “para valorizar quem realmente corre mais”.

“Com a mente positiva, tudo é mais fácil para alcançar bons resultados e levar o nosso corpo aos limites”

Corrida de 3.000 m obstáculos com um obstáculo inesperado

Artur também tem as suas estórias curiosas nas corridas. Uma delas passou-se numa prova de 3.000 m obstáculos. “Estavam na frente quatro atletas, ao lado uns dos outros. Eu seguia no grupo de trás, também com quatro atletas, ao lado uns dos outros, obrigando a muita atenção quando temos que fazer os saltos no obstáculo.

A certa altura e já com alguma fadiga no grupo de trás onde eu estava, ninguém contava já com outro obstáculo. Os quatro primeiros saltaram e nós batemos todos contra o obstáculo. Não nos aleijámos e deu para rir pelo nosso falhanço”.

Conselhos finais

A terminar, Artur deixou alguns conselhos a quem corre. “Com treinos regulares, todos nós evoluímos” e “Com a mente positiva, tudo é mais fácil para alcançar bons resultados e levar o nosso corpo aos limites”.

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