Auriol Dongmo (19,53) heroína de uns bons Campeonatos de Portugal

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(Foto da FPA)

Excelente o Campeonato de Portugal, realizado este sábado. Muito boas marcas, grandes despiques, algumas surpresas. Pena foi a sua realização em diversas pistas, dando origem a alguns campeões no mínimo polémicos. E por que não a disputa das provas tradicionais, agora que já não há limitações?

Auriol Dongmo foi a grande figura, com um novo recorde nacional de categoria mundial: 19,53 no peso, marca este ano apenas superada por uma chinesa. Mas, na jornada da tarde, também Gerson Baldé (2,23 na altura), Tsanko Arnaudov (20,77 no peso), Leandro Ramos (75,78 no dardo) estiveram em grande plano. O júnior João Pedro Buaró foi protagonista da surpresa da tarde, ao ganhar o salto com vara. Salomé Afonso, campeã de 800 m de manhã, juntou-lhe o título de 1500 m à tarde. E João Vieira, aos 44 anos, continua a somar títulos na marcha: foi o 20º só nos Campeonatos de Portugal de pista.

Mas vejamos, prova a prova, o que de mais relevante aconteceu.

Provas masculinas:

200 metros: Grande despique entre os benfiquistas Frederico Curvelo (21,26) e Delvis Santos (21,27), prejudicado pelo vento (+2,2 m/s) que impediu recordes pessoais. Vítor Ricardo Santos (Benfica) fechou o pódio, com 21,38.

1500 metros: Bom despique, com vitória natural de Isaac Nader (Benfica), com 3.47,19, seguido de Miguel Moreira (Sporting), com 3.48,34, e de Hugo Rocha (Benfica), com 3.48,90.

2000 m obstáculos: Grande despique em Braga entre André Pereira (Benfica), vencedor com 5.28,50, e Fernando Serrão (Sporting), segundo com 5.28,92. Em Lisboa, o melhor foi Ricardo Ferreira (Sporting), com 5.34,64 (medalha de bronze), face a Etson Barros (Benfica), 5.36,53. Mas porque não os 3000 m obstáculos tradicionais?…

400 m barreiras: O venezuelano Lucírio Garrido (Benfica) foi um natural vencedor (50,76) mas houve surpresa no título nacional de Edgar Remédios (GD Estreito), primeiro da série secundária de Lisboa com 52,75, um centésimo menos que o 2º da série principal, Diogo Mestre (Benfica). André Sá (C Bf Faro) completou o pódio, com 53,24.

Altura: Sem Paulo Conceição e Victor Korst, foi a vez de brilhar Gerson Baldé (Benfica), que passou 2,20 à primeira e 2,23 à segunda (falhou depois 2,25), batendo o recorde pessoal (tinha 2,21 esta época) e subindo a terceiro português de sempre. Completaram o pódio Tiago Pereira (Sporting), com 2,14, e Francisco Barreto (SC Braga), com 2,11 (recorde pessoal igualado). Referência ainda para Nelson Pinto (CA Seia), com 2,08.

Vara: Despique cerrado à distância e vitória inesperada do júnior João Pedro Buaró (GD Estreito), que na Madeira passou 5,05 à primeira, sobre o recordista nacional Diogo Ferreira (Benfica), que em Lisboa passou essa altura à segunda. Ambos falharam depois a 5,15. Mais um recorde pessoal para o progressivo Carlos Pitra (Sporting), que passou 4,95.

Comprimento: Mais um título polémico. Marcos Chuva (Benfica) ganhou em Lisboa com 7,58 ventosos (+2,9) e 7,47 regulares (+0,7). Ivo Tavares (Benfica) conseguiu 7,55 em Braga, com vento regular (+0,4). O júnior Rodrigo Agostinho (CA Mar. Grande) foi surpreendente terceiro, graças a uns 7,29 também ventosos (+3,4).

Peso: Com Francisco Belo ausente, Tsanko Arnaudov (Benfica) foi folgado vencedor (mais de quatro metros de vantagem!), com a sua melhor marca da época: 20,77. Conseguiu ainda 20,72 e mais três lançamentos acima de 20 metros. Marco Fortes (Sporting) foi natural segundo (16,61) e Mykyta Sudashov (Sporting) o terceiro (15,70).

Disco: Mais um bom despique entre Edujose Lima (Sporting) e Emanuel Sousa (Benfica). Este começou melhor, com 56,14 no 2º ensaio, mas Edujose passou-o no 5º, com 58,14 (a sua melhor marca da época). Emanuel Sousa melhorou para 57,48 no último, mas foi insuficiente. Fechou o pódio Filipe Vital Silva (Real Sociedade – Espanha), com 51,44.

Dardo: Excelente concurso. Leandro Ramos (Benfica) abriu com 75,78, a terceira melhor marca do ano e a quinta de sempre. Fez depois 71,69 e quatro nulos. Tiago Aperta (Novas Luzes) abriu com 72,74, a sua melhor marca da época. Fechou o pódio Mário Marques (SC Braga), com 59,61.

3000 m marcha: 20º título (desde 1999) de João Vieira (Sporting) nos Campeonatos de Portugal de pista (56º contando com os de estrada e pista coberta!). E, aos 44 anos, continua a dominar à vontade. Nestes 3000 metros (outra triste invenção destes campeonatos), gastou 11.45,85, contra 12.28,81 de Rui Coelho (CA Seia) e 12.41,58 de Pedro Isidro (Benfica).

Pentatlo: Bom despique entre os benfiquistas Abdel Larrinaga (campeão com 3820 p) e Manuel Dias (3722). O ex-atleta cubano foi muito superior no peso e na altura, compensando assim a sua inferioridade nos 1000 metros. Parciais: Larrinaga: 11,12 (v:0,0)-6,85 (-0,2)-13,16-2,01-2.54,24. Dias: 11,12 (0,0)-6,88 (+0,4)-12,08-1,80-2.40,75. André Oliveira (J Vidigalense) completou o pódio, com 3343 pontos.

Provas femininas:

200 metros: Mais uma prova estragada pelo vento que soprou no Estádio Universitário de Lisboa (+3,2 m/s neste caso). Triunfo natural e folgado de Lorène Bazolo (Sporting), com 23,62, à frente de Sofia Duarte (Sporting), com 24,45, e de Rivinilda Mentai (Benfica), com 24,61.

1500 metros: Depois de ganhar os 800 metros de manhã, Salomé Afonso (Sporting) juntou-lhe o título de 1500 m à tarde! Gastou 4.23,48, contra 4.26,38 de Andreia Pingueiro (J Vidigalense). Em Braga triunfou Neide Dias (vice-campeã de 800 m), terceira da geral, com 4.27,33.

2000 m obstáculos: Correndo praticamente sozinha na Madeira, Joana Soares (J. Serra) conseguiu (e com boa vantagem) a melhor marca da tarde, com 6.09,59.  A espanhola Alice Finot foi a melhor em Braga (6.19,92) e Emília Pisoeiro (RD Águeda) ganhou em Lisboa, com 6.26,86, seguida de Carla Reis (Benfica), com 6.32,51, completando o pódio.

400 m barreiras: Oitavo título (em dez anos) para Vera Barbosa (Sporting), natural e folgada vencedora em 57,65, melhor marca nacional do ano. Andreia Crespo (Sporting) foi natural segunda (60,64) e Juliana Guerreiro (Sporting) fechou o pódio (62,94).

Triplo: Presentes as três melhores especialistas nacionais, com vitória natural para Patrícia Mamona (Sporting), que conseguiu 14,26 (v:+2,0) e outro salto válido a 14,21 (+4,2). Evelise Veiga (Sporting) foi segunda com 14,16 (+3,2) e Susana Costa (Ac. F. Ribeiro) regressou com 14,10 (+1,8). O vento não permite a homologação como recordes pessoais dos 13,57 (+2,7 m/s) de Ana M. Oliveira (GA Fátima) e dos 13,56 (+3,2 m/s) de Lucinda Gomes (GD Estreito). Todas as cinco competiram em Lisboa.

Peso: Sensacional recorde nacional de Auriol Dongmo (Sporting), que melhorou de 19,27 há mês e meio para 19,53 no último ensaio, depois de chegar a 18,90 no segundo. Só a chinesa Lijao Gong, com 19,70 em pista coberta, fez melhor esta época e, em 2019, apenas quatro atletas superaram estes 19,53 da ex-atleta camaronesa, naturalizada em outubro do ano passado. Jéssica Inchude (Sporting), segunda classificada com 17,42 (e outro lançamento a 17,40) ficou a escassos 12 cm do seu ex-recorde nacional. Francislaine Serra (Sporting), com 17,10, ficou a 9 cm do seu melhor. E Eliana Bandeira (Benfica) ficou fora do pódio, com 17,00… Apenas uma ressalva: nenhuma das quatro atletas tem origem portuguesa…

3000 m marcha: 10º título de pista para Ana Cabecinha (CO Pechão), vencedora com 12.43,01, à frente de Edna Barros (CO Pechão), com 13.02,49, e de Inês Henriques (CN Rio Maior), com 13.10,81.

Pentatlo: A júnior Inês Pires (GDA Donas) sagrou-se campeã, com 3316 pontos, contra 3277 de Jennifer Gomes (Grecas) e 3214 de Raquel Lourenço (J Vidigalense). A espanhola Valvanuz Cañizo, que somou 3650 pontos, participou extra. A vencedora, que fora campeã nacional júnior com 3155 pontos, fez agora 15,07 nos 100 m barreiras (v:+0,6), 1,60 na altura, 8,36 no peso, 5,25 no comprimento (v:+1,7) e 2.29,70 nos 800 m. Porque não a realização do tradicional heptatlo?

4 Comentários

  1. (…) Altura: Sem Paulo Gonçalves e Victor Korst (…)
    Penso que queria dizer Paulo Conceição e não o há alguns anos retirado Paulo Gonçalves

  2. PERGUNTA;
    os 2.23 de Gerson Baldé não são recorde nacional de sub-23, superando os 2.21 de Tiago Pereira em 2015 e do próprio Baldé em pista coberta já no presente ano?

    Aproveito para agradecer o excelente trabalho por vós desenvolvido ao longo de tantos e tantos anos desde o número 1 da revista Atletismo devia eu ter uns vinte ou vinte e um anos.
    Saudações desportivas

    • Obrigado pelas suas palavras. Efetivamente, o Gerson Baldé bateu o recorde nacional sub’23. Escapou-me mas vou referi-lo no Balanço aos Campeonatos de Portugal que irão sair ainda hoje.
      Cumprimentos,
      Arons de Carvalho

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