Bekele: As pernas, o coração e a mente são mais importantes do que as sapatilhas

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O etíope Kenenisa Bekele deu nas vésperas da Maratona de Londres, uma interessante entrevista ao jornal espanhol “Marca”. Dela, divulgamos algumas das passagens mais interessantes.

Como chega a esta maratona de Londres depois de um ano tão condicionado pelo coronavíus?

A preparação foi boa mas não excelente devido ao confinamento na Etiópia. Tive que ser criativo. Durante o confinamento, não foi fácil treinar com normalidade. Tive que adaptar o meu programa com um treino mais alternativo, como a bicicleta e o ginásio.

Estreou-se na maratona em 2014 e leva dez no total, com três abandonos. Pode dizer-se que depois do seu grande registo em Berlim 2019 (2.01.41), esta é a maratona mais importante da sua carreira? O seu grande momento?

Berlim foi especial e um grande momento para mim, porque havia lutado contra as lesões durante vários anos, antes dessa corrida. Por fim, estava são mas tinha feito um treino limitado e não tinha ideia do que se podia passar. Correr apenas dois segundos acima do recorde mundial deu-me uma grande motivação e confirmou-me que todavia, posso fazer melhor nesta distância. Portanto, não só quero comprovar do que sou capaz aqui em Londres como em futuras corridas.

Foi um dos melhores corredores da história na pista. Beneficia-o correr num circuito fechado de apenas 2,15 quilómetros?

Não sei. O percurso é totalmente diferente e além disso, não teremos a motivação dos aplausos dos aficionados, algo que estranharei bastante. Mas gosto da ideia de correr dando voltas a um circuito, como nas corridas na pista, assim há que esperarmos.

Como é a sua relação pessoal com Kipchoge, seu companheiro na NN Running Team?

Somos rivais desde 2003, há muito tempo mas somos amigos exceto em competição. Tenho um grande respeito por Eliud, que é um grande embaixador do nosso desporto.

Crê que é possível baixar das duas horas numa maratona convencional?

É difícil de prever porque tudo tem de estar nas condições adequadas, mas Kipchoge já demonstrou com a sua atuação em INEOS 1:59 Challenge que tudo é possível. Trata-se de uma preparação física e mental.

Nunca correu uma maratona olímpica ou mundial. Descarta competir em Tóquio 2020?

Sempre quis disputar uma maratona olímpica e de facto, posso anunciar em Marca que gostaria de correr a maratona olímpica de Paris 2024.

Que marcas teria alcançado na pista nos 5.000 e 10.000 metros com as sapatilhas atuais?

Claro, as sapatilhas e a qualidade das pistas são melhores que há 15 anos mas o desporto avança e é assim a vida. Estou feliz por a Nike ter desenvolvido novas e inteligentes formas de manter os atletas alerta sobre qualquer novidade, avanços que aliás, nos ajudam a treinar melhor e correr mais rápido. Contudo, quero recordar que são as pernas, o coração e a mente dos atletas que correm em qualquer corrida e que necessitam ainda de ter milhares de horas de preparação para triunfar.

Tem 38 anos. Já pensou numa data para a sua retirada?

Estou forte e sinto que todavia, não alcancei todo o meu potencial na maratona, pelo que visualizo grandes corridas no meu futuro. Os meus compatriotas Haile Gebreselassie e Miruts Yifter – bicampeão olímpico de 5.000 e 10.000 m em Moscovo 1980 com 36 anos – demonstraram que ainda se pode correr muito numa idade avançada para o atletismo. Se treinas inteligentemente e tens uma boa equipa à tua volta, é possível correr bem e a idade não importa tanto.

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