Bobby Kersee, treinador de grandes nomes do atletismo norte-americano como Sydney McLaughlin-Levrone, deixou de treinar Athing Mu-Nikolayev, de 23 anos.
“Ela casou-se (em março)”, disse Kersee. “Ela e o marido estavam à procura de uma solução em Dallas. Encontrámo-nos (antes do Mundial) e não guardei ressentimentos. Foi simplesmente uma escolha de vida. (…) Tenho a certeza de que eles encontrarão um bom treinador e, assim que ela recuperar, será muito difícil derrotá-la. Ela tem um talento excecional. Acho que foi um privilégio para mim treiná-la; adorei fazer isso. Adorei a atitude dela, adorei o apoio dela. Não me arrependo de nada.”
Antes de se juntar a Kersee, Athing Mu-Nikolayev havia conquistado dois títulos nos JO de Tóquio, com apenas 19 anos, nos 800 m e na estafeta 4×400 m, e vencido o Campeonato Mundial de 2022. Em 2023, na sua primeira época com Kersee, ela bateu o recorde nacional para 1.54,97, pouco depois de conquistar a medalha de bronze no Campeonato Mundial de Budapeste.
Apesar do seu perfil nos 400/800 m (tem um recorde de 49,57 nos 400 m), ela passou a competir nos 1.500 m, considerando uma dobradinha nos 800 m e 1.500 m nos JO de Los Angeles em 2024. Mas uma lesão na coxa interrompeu a sua preparação e uma queda na final das seletivas olímpicas, privou-a completamente dos JO de Paris.
Em 2025, após dois anos já difíceis, inclusive mentalmente, a estratégia de Kersee e Athing Mu-Nikolayev tornou-se difícil de acompanhar. A sua primeira competição em abril foi justamente quando ela desistiu aos 3.000 m de uma prova de 5.000 m. Participou depois, numa prova de 1.500 m da Divisão II em Los Angeles, que venceu com 55 segundos de vantagem. Em julho, no Prefontaine Classic, terminou os 800 m em último lugar com o tempo de 2.03,44 e não conseguiu classificar-se algumas semanas depois, para a final do Campeonato Nacional, perdendo assim uma vaga para o Mundial de Tóquio.

