O Campeonato Africano de Atletismo teve início em Accra, capital do Gana. Logo no primeiro dia, surgiram as críticas à organização do evento. Os resultados ficaram para segundo plano face à confusão, às falhas técnicas e ao nível de desorganização que deixou atletas e imprensa perplexos. Há imagens nas redes sociais mostrando atletas a rever as suas provas para verem qual foi a ordem de chegada: “Um verdadeiro caos em Gana!”
Segundo uma pessoa no X, “Quénia, Botswuana, Etiópia e África do Sul receberam este ano, meetings continentais do Circuito Mundial de Atletismo. A Confederação Africana de Atletismo deveria explicar porque estes Campeonatos não são realizados num desses países, que possuem sistemas de cronometragem adequados.”
Os jornalistas não conseguiram ter acesso a dados básicos. Atletas reclamaram de acomodações que mais pareciam uma excursão escolar do que um campeonato de elite. Problemas técnicos interromperam repetidamente a competição.
O jornalista ganês Yaw Ofosu escreveu no X, considerando o Campeonato uma farsa completa. Questionou o que seria uma competição de atletismo sem cronometragem e como os jornalistas poderiam noticiar o evento quando os atletas cruzam a meta exigindo resultados e só recebem silêncio.
O Gana teve quase dois anos para se preparar após vencer Botswuana no Congresso Africano de 2024 em Douala, Camarões. Segundo Ofosu, os problemas foram muito além dos atrasos. Ele escreveu que não havia um centro de imprensa a funcionar e que a tribuna de imprensa estava lotada de artistas e cantores.
Ele também apontou para as repetidas falhas no sistema de partida nas eliminatórias dos 100 m masculinos. O sistema de partida apresentou diversas vezes defeitos, interrompendo os atletas a meio da prova. Ele considerou isso uma vergonha e expressou a esperança de que as condições melhorassem ao longo do Campeonato.
O jornalista e fotógrafo nigeriano Christopher Maduewesi também expressou a sua frustração. Segundo relatos, os meios de comunicação credenciados foram instruídos a comprar os seus próprios dados de internet caso desejassem enviar artigos ou fotos.
Depois, veio a crítica mais condenatória de todas. O campeão sul-africano do lançamento do peso, Aiden Smith, conquistou o ouro com um lançamento de 20,01 metros. Mas o seu desempenho foi ofuscado pela sua descrição das acomodações dos atletas perto do Estádio da Universidade de Gana, em Legon.
Aiden Smith disse que esperava pelo menos um quarto de hotel. Em vez disso, os atletas receberam lençóis e um travesseiro, mas nenhum cobertor. Disseram-lhes para trazerem os seus. Ele descreveu o acesso limitado aos controles do ar condicionado, a falta de papel higiénico, o encanamento instável e a falta de água quente.
As suas críticas mais contundentes foram direcionadas à alimentação. Aiden Smith afirmou que os atletas precisavam de exigir refeições suficientes e que os funcionários restringiam as porções a um único pedaço de frango ou peixe. Ele lembrou a todos que os atletas precisam de se alimentar e hidratar-se. Disse que normalmente consome oito ou nove ovos durante os períodos de competição e muito mais durante os treinos intensos. Nestes campeonatos, os atletas teriam sido limitados a um ovo no pequeno almoço.
De: Christopher Kelsall

