Candidatura do Qatar para Mundial de Atletismo tem evidências de corrupção

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Khalifa International Stadium - Quatar

Uma empresa fundada por um ex-membro da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) teria recebido dois pagamentos totalizando 3,5 milhões de libras, alguns dias antes de o Qatar falhar a candidatura para sede do Mundial de 2017 e enquanto ainda era candidata para receber os Jogos Olímpicos de 2020.

De acordo com o jornal francês “Le Monde”, os pagamentos foram feitos em 2011 e eram provenientes da Oryx Catar Sports Investiments (QSI), um braço do governo qatari, para a Pamodzi Sports Marketing, empresa fundada pelo senegalês Papa Massata Diack, ex-consultor de marketing da IAAF e filho do ex-presidente da entidade, Lamine Diack, afastado por corrupção.

Papa Massata Diack
Papa Massata Diack: empresa teria intermediado pagamento de comissão

Banido para o resto da vida da política desportiva por corrupção, Papa Massata Diack negou ter agido dessa maneira em Dezembro de 2014, quando o jornal britânico “The Guardian” revelou e-mails que pareciam mostrar que ele havia pedido US$ 5 milhões em pagamentos da QSI em 2011. A Federação de Atletismo do Qatar também negou qualquer irregularidade, embora os promotores franceses acreditem estar diante de processos de licitação suspeitos de corrupção para todos os campeonatos mundiais entre 2009 e 2022. 


Segundo o “Le Monde”, há evidências de uma transferência bancária de 3 milhões de libras em Outubro de 2011 da QSI para Pamodzi, e outra de 500 mil libras em Novembro, quatro dias antes da reunião que acabou escolhendo Londres como sede do Mundial de Atletismo em 2017. 

Três anos depois, Doha era finalmente eleita para receber o Mundial de 2019 após mandar, alguns minutos antes da votação, uma carta para membros do conselho da IAAF prometendo 23,5 milhões de libras em patrocínios e direitos de televisão.

Papa Massata não foi encontrado pela reportagem do “Le Monde” para comentar o caso. Procurado pela Interpol por recebimento de comissões, corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros crimes, ele está escondido no Senegal.

Entretanto, o seu pai Lamine, presidente da IAAF entre 1999 e 2015, vai voltar ao tribunal em Paris na próxima segunda-feira. Com 83 anos, ele é acusado de aceitar mais de 1 milhão de libras) para esconder testes positivos de doping. Ele corre o risco de ir para a prisão se não pagar uma fiança.

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