Como o Bahrein compra atletas a mudarem a sua nacionalidade

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Um milhão de dólares para se ser barenita

O Bahrein é um pequeno arquipélago no Golfo Pérsico que chegou a ser ocupado pelos portugueses entre 1521 e 1602. Tem 35 ilhas e ilhotas, das quais apenas três são habitadas. Com uma população que não chega ao milhão e meio de pessoas, o país tem um dos melhores índices de desenvolvimento humano da região do Golfo e a sua riqueza deve-se muito ao petróleo.

A participação deste pequeno país nas grandes competições internacionais tem aumentado nos últimos anos mas recorrendo frequentemente a atletas de outros países. Nos últimos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, a delegação barenita era composta por 35 pessoas, sendo dez quenianas, sete etíopes, seis nigerianas, três marroquinas, duas jamaicanas e uma russa. Apenas seis eram de facto nascidas no Bahrein.

Neste Mundial de Londres, a delegação barenita tem 26 atletas, muitos deles naturalizados. Como por exemplo a nova campeã mundial da maratona, Rose Chelimo, também ela de ascendência queniana e que continua a viver no seu país natal.

Cada atleta não receberá menos de um milhão de dólares pela mudança de nacionalidade. Mas outros prémios chorudos os esperam se ganharem medalhas nas grandes competições. Por exemplo, a ex-queniana Ruth Jebet recebeu meio milhão de dólares por ter ganho a medalha de ouro nos 3.000 m obstáculos no Rio de Janeiro. Se mantivesse a nacionalidade queniana, o prémio seria de dez mil dólares.

Não é só o Bahrein que naturaliza atletas comprando a nacionalidade. O Katar, a Turquia, entre muitos outros países, são apenas mais dois exemplos que têm mais seguidores na Europa.

Este fenómeno é controverso e tem levantado questões em relação à legitimidade de incluir atletas naturalizados nas comitivas de um país.

Coe é contra as nacionalizações sem regras

Em recente conversa do presidente da IAAF com a imprensa espanhola, Sebastian Coe mostrou-se contra  as nacionalizações sem regras. “Cansei-me bastante dos constantes correios eletrónicos entre federações e o mercado de atletas e decidi congelar as mudanças de nacionalidade no passado mês de Fevereiro. Havia 17 pedidos pendentes no sistema e havia que decidir e o meu instinto disse-me que era necessário parar estas mudanças”, sublinhou Coe.

Esta nova normativa procura parar o aumento de nacionalizações de atletas que se tem verificado nos últimos anos, principalmente nas monarquias do Golfo Pérsico.

“Se um atleta começa a competir debaixo de uma bandeira, deveria retirar-se defendendo essas mesmas cores, a menos que haja circunstâncias evidentes do contrário”. E Coe dá o exemplo de Wilson Kipketer: “Casou-se com uma dinamarquesa e teve filhos na Dinamarca, entendo o seu caso, mas não compreendo como quatro dias antes dos Jogos do Rio de Janeiro, tivemos de lidar com 20 pedidos de mudanças de nacionalidade. Temos de ter um sistema que lide com esta situação e que restaure a confiança no atletismo”.

 

 

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