Comprimento: Carlos Calado um caso à parte… 50 anos depois de Álvaro Dias

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Em 1947, Álvaro Dias conseguiu um salto de 7,34, terceira marca europeia desse ano. Repeti-la-ia um ano depois (5º da Europa) e, em 1950, conseguiu 7,32 na qualificação do Europeu, lesionando-se na final (foi 4º com 7,00), que seria ganha com… 7,32.

50 anos depois (1997), Carlos Calado chegou aos 8,36, terceira marca europeia do ano (e 10ª mundial). Ele seria nesse ano campeão europeu de sub’23; em 1998, vice-campeão europeu de pista coberta; e, em 2001, bronze nos Mundiais de pista coberta de Lisboa e de ar livre de Edmonton. Só lhe faltou brilhar nos Jogos de Sydney’2000 (foi “apenas” 10º).

Quem se aproximou bastante do recorde de Carlos Calado (e continua a persegui-lo) foi Marcos Chuva, com 8,34 em 2011. Mas a sua segunda marca ainda está algo distante: 8,15 em 1913. Foi 7º no Europeu de Helsínquia’2012 e 10º no Mundial de Daegu’2011, para além de vice-campeão europeu sub’23 em 2011. Em 1998, Carlos Castelbranco conseguiu 8,28, mas a sua segunda marca ficou distante (7,97). Acima de oito metros estão também nos rankings, Gaspar Araújo e Nelson Évora, ambos com 8,10. Nelson Évora é ainda o recordista nacional júnior (7,83 em 2003), foi nesse ano campeão europeu da categoria e ganhou o Festival Olímpico da Juventude Europeia em 2001. Mas, depois, dedicou-se quase em exclusivo ao triplo… com os resultados que se conhecem.

Álvaro Dias, que melhorou o recorde nacional de Edgar Tamegão (6,89 em 1941) sucessivamente para 6,95 (em 1944), 6,99 e 7,09 (1945) e 7,34 (1947 e 1948) – fora algumas marcas não reconhecidas à época, deteve o recorde ao longo de 13 anos, até que surgiu Pedro Almeida a conseguir 7,38 em 1961 e 7.62 (!) em 1962, recorde que duraria 23 anos. Foi batido em 1985 por Carlos Medeiros, com 7,66, marca que melhoraria no ano seguinte para 7,71 e seria igualada em 1990 por Carlos Castelbranco e batida em 1991 por António Veiga (7,72). Até que apareceu Carlos Calado em 1996 a conseguir 8,02 na altitude de Medellin (1500 m) e, duas semanas volvidas, 8,04 (duas vezes) no Funchal. Ainda em 1996 (cinco recordes em mês e meio), chegou sucessivamente a 8,22 e 8,25 e em 1997 fixou o recorde em 8,36, o qual já completou duas décadas.

Carlos Calado é o mais internacional no comprimento (14 provas), à frente de Pedro Almeida (13). Álvaro Dias conseguiu dez títulos nacionais (1943-1953), nove dos quais consecutivos, mais dois que Marcos Chuva… que ainda pode continuar.

Entre os mais jovens, e para além dos já citados Carlos Calado, Marcos Chuva e Nelson Évora, há a citar Marcos Caldeira, ainda recordista nacional de juvenis (7,38 em 2005), que foi terceiro no Europeu de Juniores de 2007 e ganhou o FOJE em 2005.

RECORDES NACIONAIS  
Absolutos Carlos Calado Sporting CP 8,36 1997  
Sub’23 Carlos Calado Sporting CP 8,36 1997  
Juniores Nelson Évora FC Porto 7,83 2003  
Juvenis Marcos Caldeira CJ Sal. Manique 7,38 2005  
Iniciados Rodrigo Agostinho J. Vidigalense 6,77 2016  
Infantis Pedro Mossamedes SUO Vais 6,20 2004  
OS + CAMPEÕES DE PORTUGAL  
Álvaro Dias 10 (1943-1953)  
Marcos Chuva 8 (2008-2017)  
Péricles Pinto 6 (1970-1977)  
Pedro Almeida 5 (1960-1964)  
Gaspar Araújo 5 (2000-2010)  
OS + INTERNACIONAIS  
Carlos Calado 14 (1994-2004)  
Pedro Almeida 13 (1958-1963)  
Júlio Fernandes 11 (1960-1969)  
Marcos Chuva 10 (2010-2017)  
RECORDES DOS CAMPEONATOS NACIONAIS  
Absolutos Nelson Évora SL Benfica 8,00 2007  
Sub’23 Nelson Évora SL Benfica 7,98 2006  
Juniores Oleksandr Lyashchenko CA Mar. Grande 7,48 2015  
Juvenis Nelson Évora SL Benfica 7,47 2001  
PRINCIPAIS CLASSIFICAÇÕES NAS GRANDES COMPETIÇÕES
JO 8 10º Carlos Calado 8,04q Sydney 2000
CM 5 Carlos Calado 8,21 Edmonton 2001
10º Marcos Chuva Daegu 2011
15º Carlos Calado Atenas 1997
16º Marcos Chuva Moscovo 2013
CE 8 Álvaro Dias Bruxelas 1950
Nelson Évora Gotemburgo 2006
Marcos Chuva 7,96q Helsínquia 2012
Nota: a seguir à competição (J. Olímpicos, C. Mundo, C. Europa), indica-se o número de atletas

portugueses presentes no conjunto de   todas as edições, as classificações no top’16 (JO. CM) ou

top’8 (CE), os melhores tempos nacionais na prova e os locais e anos dessas classificações.

PORTUGUESES NA TAÇA DA EUROPA/EUROPEU DE SELEÇÕES  
Mais presenças:  
Carlos Calado 5 (1995-2002)  
Nelson Évora 4 (2006-2009)  
Marcos Chuva 4 (2010-2017)  
Melhor marca: Carlos Calado 8,26 (1996)  
Melhores classificações:  
Na Superliga: 3º Nelson Évora 2009  
Na I Liga 1º Carlos Calado 2000  
1º Gaspar Araújo 2004  
1º Nelson Évora 08/07/2006  
PORTUGUESES NOUTRAS COMPETIÇÕES  
Campeonato da Europa de Sub’23:  
Carlos Calado 1997  
Marcos Chuva 2011  
Miguel Marques 2017  
Marcos Chuva 2009  
Campeonato do Mundo de Juniores:  
Carlos Calado 1994  
Campeonato da Europa de Juniores:  
Nelson Évora 2003  
Marcos Caldeira 2007  
FOJE (Festival Olímpico da Juventude Europeia)  
Nelson Évora 2001  
Marcos Caldeira 2005  
Rui Barros 1991  
Vítor Barros 1999  
André Pimenta 2017  
João Rocha 2009  
Jogos Mundiais Universitários/Universíadas  
Marcos Chuva 2013  
Gaspar Araújo 2005  
PORTUGUESES NO TOP’3 EUROPEU DO ANO
Marcos Chuva 2011 8,34 (7º)
Álvaro Dias 1947 7,34 (24º)
Carlos Calado 1997 8,36 (10º)
Carlos Castelbranco 1998 8,28 (10º)
Carlos Calado 1999 8,34 (7º)
Nota: apresenta-se na última coluna o lugar no ranking mundial do ano
   
             

A seguir: triplo

(Este artigo ficará igualmente arquivado no site www.atletismo-estatistica.pt)

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