Curiosidades e marcas dos Jogos Olímpicos

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Ao longo dos Jogos Olímpicos, há estórias engraçadas e feitos incríveis, que nunca mais serão igualados, além de super-heróis das pistas. Eis algumas delas.

Jesse Owens
Em pleno crescimento do nazismo na Alemanha, Berlim recebeu os Jogos Olímpicos de 1936. A competição serviu de propaganda para o regime de Adolf Hitler. O ditador, porém, teve de observar o negro norte-americano Jesse Owens, um dos melhores atletas de todos os tempos, ganhar quatro medalhas de ouro. Owens venceu os 100 m, os 200 m, o salto em comprimento e a estafeta 4×100 m.

Carl Lewis e Michael Johnson

Carl LewisOutro norte-americano a merecer destaque é Carl Lewis. Em Atlanta 1996, ele igualou o finlandês Paavo Nurmi como o maior número de medalhas de ouro conquistadas, precisamente nove. O também norte-americano Michael Johnson brilhou em Atlanta ao tornar-se o primeiro homem a ganhar os 200 e os 400 m numa mesma edição. Johnson foi até 2016, o recordista mundial dos 400 m com 43,18 s.

Divisão de forças
Como vemos nas provas de estrada e de pista, há uma divisão de forças no atletismo nos Jogos Olímpicos. Nas de explosão muscular, que incluem as de velocidade, a hegemonia é dos Estados Unidos, com quase metade das medalhas de ouro distribuídas em todo o atletismo na história dos Jogos Olímpicos, com a Jamaica ainda a sobressair no Rio de Janeiro. Já nas provas de média e longa distância, porém, o domínio é dos africanos, destacando-se os etíopes e os quenianos. No salto em altura, como comparação, quem tem mais triunfos são os europeus, apesar de que o recorde mundial pertencer ao cubano Javier Sotomayor com 2,45 m.

Usain Bolt
foto-bolt
Tanto por causa do carisma quanto dos resultados nas pistas, o grande nome do atletismo foi o agora retirado Usain Bolt. O jamaicano, aos 22 anos, tornou-se o primeiro velocista da história ao ganhar os 100 e os 200 m com recordes mundiais nas duas provas nuns mesmos Jogos Olímpicos: 9,69 e 19,30, em Pequim 2008. Antes dele, nove atletas já haviam conseguido vencer as duas provas mais rápidas do atletismo nos mesmos Jogos, mas não com tanta superioridade. O último a conseguir tal feito havia sido o norte-americano Carl Lewis, 24 anos antes, em Los Angeles 1984. Bolt repetiu a dobradinha em Londres 2012 e Rio de Janeiro 2016. Para se ter uma ideia de como Bolt é um fenómeno, pertencem-lhe os três melhores tempos da história nos 100 m: 9.58, 9.63 e 9.69.

Heróis dos 10.000 m
Em quatro edições dos Jogos Olímpicos, os 10.000 m tiveram um país como “dono”: a Etiópia. Haile Gebrselassie em Atlanta 1996 e Sydney 2000 e Kenenisa Bekele em Atenas 2004 e Pequim 2008.

foto-kenenisa-bekele_A dupla, inclusive, tem sete dos dez melhores tempos da distância na história. Os dois mais rápidos pertencem a Bekele: 26.17,53 (recorde mundial em vigor) e 26.20,31.

A seguir, vem Gebrselassie, com 26.22,75 e, novamente, Bekele com 26.25,97. O “intruso” na relação é o queniano Paul Tergat, que se retirou com o recorde pessoal de 26.27,97. Isso porque, continuando a relação, mais dois resultados impressionantes da dupla etíope: 26.28,72 de Bekele e 26.29,22 de Gebrselassie. Um último pormenor: Gebrselassie foi recordista mundial da maratona, enquanto Bekele é ainda o recordista dos 5.000 m e dos 10.000 m.

A maratona feminina
Foi apenas em 1984, em Los Angeles, que as mulheres passaram a poder disputar a maratona nuns Jogos Olímpicos. A vencedora foi a norte-americana Joan Benoit Samuelson, com 2h24m52s e a nossa Rosa Mota, terceira.

Descalço
O maratonista etíope Abebe Bikila venceu a Maratona dos Jogos Olímpicos de Roma (1960) correndo descalço e com um novo recorde mundial em 2h15m16s. Como prémio, recebeu um automóvel do governo etíope e, neste mesmo carro, veio a ter um grave acidente em 1969, quando fugia de manifestações violentas contra o governo. Perdeu o controlo do carro e caiu num barranco ficando paralítico. Em 1973, teve uma hemorragia cerebral que o matou, complicação neurológica em virtude do acidente quatro anos antes.

Mas antes em Tóquio 1964, onde já correu calçado, Bikila tornou-se no primeiro a vencer por duas vezes a maratona olímpica, feito só igualado por Waldemar Cierpinski da RDA que, tal como Bikila, venceu consecutivamente (1976-1980).

Finlandês voador
Paavo Nurmi
Ao lado de Carl Lewis, o finlandês Paavo Nurmi é o recordista de medalhas de ouro olímpicas no atletismo, com nove. Porém, no somatório total, está isolado no primeiro lugar com 12 (tem três de prata contra “apenas” uma do norte-americano). É considerado um dos maiores corredores de todos os tempos, se não o maior. Estreou-se em Antuérpia 1920 com a prata nos 5.000 m, perdendo para o francês Joseph Guillemot. Na sequência, teve ouro nos 10.000 m e no corta-mato individual e coletivo (então, modalidade olímpica). Em Paris 1924, conseguiu cinco medalhas de ouro em seis dias: 1.500 m, 5.000 m, 3.000 m por equipas e corta-mato individual e coletivo. A carreira olímpica terminou em Amsterdão-1928, quando foi ouro nos 10.000 m e prata nos 5.000 m e 3.000 m obstáculos. Acusado de ser atleta profissional, algo proibido na época, foi impedido de competir em Los Angeles 1932, ou a lenda poderia ter sido ainda maior. No currículo, tem 29 recordes mundiais dos 1.500 m aos 20.000 m.

Locomotiva Humana
Emil Zatopek
O checo Emil Zatopeck é o único homem a conquistar, numa mesma edição (Helsínquia 1952), as medalhas de ouro nos 5.000 m, 10.000 m e na maratona. Um feito que dificilmente será igualado, não só pela atual proximidade das datas dessas provas, como pela “especialização” dos fundistas, que preferem focar-se numa única competição (no máximo 5.000 e 10.000 m), para uma maior hipótese de alcançar o pódio.

Mulheres
A velocista jamaicana Merlene Ottey-Page é a líder do ranking olímpico, com nove pódios. Foram três pratas (nos 100 m e 200 m em Atlanta 1996 e na estafeta 4×100 m em Sydney 2000) e seis bronzes (200 m em Moscovo 1980, 100 m e 200 m em Los Angeles 1984, 200 m em Barcelona 1992 e estafeta 4×100 m em Atlanta 1996).

Em medalhas de ouro, empatadas com três cada (além de duas de prata e dois bronzes), temos a polaca Irena Szewinska e a também jamaicana Verónica Campbell-Brown. Irena foi campeã olímpica na estafeta 4×100 m em Tóquio 1964, nos 200 m na Cidade do México 1968 e nos 400 m em Montreal 1976. Já Verónica foi ouro no 4×100 m e nos 200 m em Atenas 2004 e nos 200 m em Pequim 2008.

Super-heróis
O título de atleta mais completo dos Jogos Olímpicos, é definido nas provas do decatlo (homens) e do heptatlo (mulheres). São dois dias de competição. Em masculinos, a sequência prevê no primeiro dia os 100 metros, salto em comprimento, lançamento do peso, salto em altura e 400 metros. No segundo dia, 110 metros barreiras, lançamento do disco, salto com vara, lançamento do dardo e 1.500 metros. Já para as mulheres, são 100 metros barreiras, salto em altura, lançamento do peso, 200 m, salto comprimento, lançamento do dardo e 800 m.

Sem roupa
Há alguns factos antigos e curiosos na história olímpica. De acordo com relatos, em 720 a.C., na 15ª edição dos Jogos Olímpicos da Grécia Antiga, Orsippus de Megara venceu, sem roupa, a prova de corrida. O hábito de correr nu tornou-se comum entre os gregos e, segundo historiadores, o Orsippus teria sido o precursor. Acredita-se que Orsippus, tendo percebido que, sem roupa, ficaria com os movimentos mais soltos, despiu-se antes da partida e comprovou a teoria, ficando com a medalha de ouro no pescoço.

 

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