Dean Karnazes, o ultramaratonista que nunca se cansa

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Em 2006, Karnazes correu 50 maratonas, em 50 estados, em 50 dias consecutivos

O americano ultramaratonista Dean Karnazes começou a correr em criança quando saía da escola para casa, apenas para se divertir. No início, fazia caminhos diretos, mais tarde começou a aumentar a distância, passando por lugares que não conhecia. Depois, participou e organizou eventos de curta duração com outras crianças. Mais velho, começou a testar os seus limites: aos onze anos, já tinha subido o Grand Canyon e o Monte Whitney, a montanha mais alta nos Estados Unidos. No seu 12º aniversário e sem os seus pais saberem, correu 40 milhas (64 km) para a casa dos seus avós para se divertir.

Ainda na escola, Karnazes conheceu Jack McTavish, um treinador de pista que se tornou o seu mentor e o introduziu nas provas de longa distância. Karnazes ganhou então o Campeonato de Longa Distância do Estado da Califórnia.

Em 1976, como estudante de ensino médio em San Clemente High, Karnazes juntou-se à equipa de corta-mato treinado por Benner Cummings. O seu lema era “correr com o coração”. Naquela época, Karnazes foi premiado como o membro da equipa “mais inspirador”.

Ele também realizou o seu primeiro evento de resistência naquele ano, recolhendo fundos para crianças desfavorecidas. A iniciativa teve lugar numa pista de atletismo com os patrocinadores a darem um dólar por cada volta que os alunos dessem na pista. A recolha do dinheiro durou apenas seis horas e enquanto a maioria dos alunos, correu apenas 10 ou 15 voltas à volta da pista, Karnazes correu 105, uma maratona completa. Porém, ele não se dava bem com o treinador da escola secundária e deixou de correr durante quinze anos.

Em 2004,  venceu a Ultramaratona de Badwater no Vale da Morte, Califórnia, considerada a prova mais dura do mundo. Karnazes percorreu os 217 km do percurso com temperaturas na casa dos 50 graus em 27h22m.

karnazes1Em 2006, Karnazes embarcou no Endurance 50: foram 50 maratonas, em 50 estados, em 50 dias consecutivos. Começou com a Maratona de Lewis e Clark em St. Louis, em 17 de setembro de 2006 e terminou com a  de Nova York, em 5 de novembro. Apenas oito das 50 corridas eram provas convencionais. Foi o caso da Maratona de Boston, ele não podia estar à espera até a data da prova para correr o percurso. Percorreu então as mesmas ruas e a distância do evento, fora da data.

Karnazes superou as dificuldades de resistência e logística desse objetivo e terminou a maratona final, a NYC Marathon, no dia oficial da corrida em 3h30m.

O diretor de cinema J. B. Benna fez então um filme intitulado UltraMarathon Man: 50 Marathons – 50 States – 50 Days, primeiro longa metragem sobre Karnazes. O filme foi visto em 300 salas em 2008 e foi lançado em DVD em 2009.

Karnazes já esteve em Portugal para apresentar o seu livro “O homem da Ultra Maratona” e chegou mais tarde, a correr numa prova.

O que diferencia Karnazes da maioria dos seres humanos é que, para ele, não há limiar anaeróbio que o restrinja, como ocorre mesmo com os melhores dos atletas olímpicos. O limiar anaeróbio é o limite da capacidade do corpo em remover ácido láctico e evitar o seu acúmulo no sangue e nos músculos, o que causa a exaustão do atleta. Em toda a sua vida, o ultramaratonista nunca experimentou fadiga muscular ou sofreu cãibras. Para ele, o limite não é físico, mas mental.

Depois de correr mais de 500 km em 81 horas sem parar, ele encontrou o seu limite. Passou duas noites sem dormir e estava bem, mas na terceira noite o corredor começou a alucinar e até dormia correndo, foi aí que percebeu que esse era o limite funcional que um ser humano podia atingir.

 

 

 

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