Ex-presidente do Comité Olímpico do Brasil acusado de corrupção

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Além do ex-presidente do COB e do ex-governador do Rio de Janeiro, o Ministério Público acusa o empresário Arthur Soares e outros membros do COI

O agora ex-presidente do Comité Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, foi denunciado, nesta quarta-feira, pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ), juntamente com o ex-diretor de operações e marketing do COB, Leonardo Gryner, o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral e o empresário  Arthur Soares, conhecido como ‘Rei Arthur’, por corrupção passiva no caso de compra de votos para a eleição do Rio de Janeiro como sede dos Jogos de 2016.

Além destes nomes, foram denunciados também os senegaleses Papa Massata Diack e Lamine Diack, presidente da IAAF e membro do Comité Olímpico Internacional (COI). Nuzman, detido desde o dia 5 deste mês, foi denunciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Já Gryner, por fazer parte de uma organização criminosa.

O ex-mandatário do COB ainda é acusado de “dissimular a propriedade e a origem de 16 quilos de ouro, mantidos num cofre na Suíça”. O MPF pede, fora a condenação pelos crimes, uma reparação por danos materiais no valor de 6,34 milhões de reais (1,6 milhões de euros) e de danos morais no valor de 1 bilião de reais (270 milhões de euros).

“A denúncia equipara Nuzman e Gryner a funcionários públicos, uma vez que tanto o COB como o Comité Organizador dos Jogos receberam e eram gestores de verbas públicas e exerciam, por delegação, uma atividade típica de Estado: o desporto”, diz o Ministério Público.

“A despeito de tratar-se de uma ‘pessoa jurídica de direito privado’, o Comité Olímpico Brasileiro, por meio dos seus dirigentes, representa a República Federativa do Brasil em eventos desportivos internacionais, recebe verba pública (que representa a maior parte do seu orçamento) e, ainda, exerce uma atividade típica da Administração Pública Federal ao fomentar e organizar as atividades desportivas olímpicas no Brasil”, afirmam os procuradores do MPF.

“Onde existe verba pública, existe dever de probidade e existe a responsabilidade daqueles que a gerem, podendo, portanto, ser responsabilizados quando atuarem em contrariedade ao que determina a lei”, acrescentam.

Os procurados do MPF acrescentam que houve uma tentativa de ocultação de bens no último mês, depois de a polícia ter cumprido um mandado de busca na casa de Nuzman. Ele teria utilizado, de acordo com o Ministério Público, dinheiro do Rio 2016 para pagar o escritório de Nélio Machado, seu advogado. Num email enviado no dia 25 de setembro deste ano, após ter sido levado coercitivamente para prestar depoimento, diz que a Diretoria Estatutária do Comité Rio 2016 estabeleceu a aprovação do contrato de prestação de serviço com o escritório de advocacia, no valor de 5,5 milhões de reais.

Prisão

Carlos Arthur Nuzman está preso preventivamente numa Cadeia Pública, na zona norte do Rio de Janeiro, acusado de ser o intermediário para o pagamento de 2 milhões de dólares de comissões a Papa Massata Diack para que membros africanos do COI votassem no Rio de Janeiro na eleição que aconteceu em 2009. O empresário ‘Rei Arthur’ era o principal operador de Sérgio Cabral e foi o responsável pelo depósito numa conta na suíça. As defesas negam as acusações.

 

 

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