A Federação Queniana de Atletismo (AK) descobriu um escândalo de fraude da idade profundamente enraizado que abalou o sistema de atletismo do país, com pelo menos 20 atletas considerados culpados de falsificar as suas idades para competir em eventos juvenis.
A investigação, realizada em conjunto pela AK e pela World Athletics, analisou 60 casos que remontam a 2016. Destes, 25 atletas foram inocentados, 20 foram considerados culpados de manipulação de idade, enquanto 15 casos permanecem sob investigação.
“Embora tenhamos impedido que os considerados culpados compitam localmente, estamos agora a aguardar que a World Athletics nos oriente sobre os próximos passos”, disse Joseph Ilovi, secretário do Comité da Juventude e Desenvolvimento.
O escândalo lançou uma sombra sobre o sucesso do atletismo júnior do Quénia, visto que quatro dos atletas envolvidos haviam conquistado medalhas no Campeonato Mundial de Atletismo Sub-20 de 2021.
Novos casos também surgiram nos Campeonatos Africanos Sub-20 e Sub-18 de 2025, realizados na Nigéria, o que sugere que o problema persiste.
“O que torna isto particularmente preocupante é que a maioria daqueles que falsificaram as suas idades competem agora competem a nível sénior, e alguns até conseguiram bolsas de estudo para estudar nos Estados Unidos”, revelou Joseph Ilovi.
Os investigadores também descobriram o envolvimento de pelo menos dez escolas, onde professores e treinadores alteraram alegadamente documentos de atletas, em alguns casos sem o conhecimento ou consentimento dos pais, motivados pela procura de troféus, reconhecimento e bolsas de estudo.
Durante uma visita ao Quénia no ano passado, o presidente da World Athletics, Sebastian Coe, fez um alerta severo de que os atletas considerados culpados de fraude na idade ficariam sem os títulos e medalhas então conquistados e poderiam enfrentar suspensões semelhantes às impostas por delitos de doping.
O presidente da AK, Jack Tuwei, está alinhado com estas preocupações, alertando que os colaboradores locais enfrentariam ações judiciais, já que o vício ameaça rivalizar com o doping como a maior crise de integridade que o atletismo queniano enfrenta.
“Alguns atletas forneceram datas de nascimento inconsistentes, com alguns casos remontando a oito anos. Até mesmo os melhores atletas estão sob escrutínio”, disse Barnaba Korir, Diretor de Desenvolvimento Juvenil da AK, numa uma entrevista anterior.
Desde então, a World Athletics colocou o Quénia sob vigilância rigorosa antes do Campeonato Mundial Sub-20 em Eugene, alertando que novas violações podem levar a restrições ou suspensões.
Embora a AK tenha suspendido provisoriamente os atletas afetados, as sanções finais serão determinadas pela World Athletics.
“Só divulgaremos os nomes deles depois da World Athletics comunicar os próximos passos”, disse Joseph Ilovi.

