Gebrselassie: “Ninguém pode correr a maratona abaixo das duas horas sem tecnologia”

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Apesar de já estar retirado da competição, o etíope Haile Gebreselassie, detentor de 27 recordes mundiais, continua a ser uma figura da modalidade. Agora com 44 anos, é um reconhecido homem de negócios na Etiópia e o embaixador da multinacional Adidas. Ao passar por Barcelona, deu uma interessante entrevista ao jornal desportivo “Marca”, em que a possibilidade de correr-se a maratona em menos de duas horas foi o tema dominante. Reproduzimos as partes principais da referida entrevista.

Pergunta: Como é um dia da sua vida fora da competição? Continuo correndo como atleta que ainda me sinto. De facto, gostaria de continuar a competir. Tenho os meus negócios no meu país e dedico a eles a maior parte do meu tempo.

Pergunta: Todo o mundo fala da possibilidade de baixar-se das duas horas à maratona. Há um projeto científico chamado “subtwohours” ou “1.59.59”, dirigido pelo professor Yannis Pitsiladis. É possível? Eu sempre quis fazer parte da história e quero envolver-me no projeto de baixar-se das duas horas. Ninguém achava como sendo algo excitante baixar-se das três horas mas duas, já é outra coisa.

Pergunta: Vê na atualidade algum atleta capaz de baixar das duas horas? Não vejo ninguém capaz de baixar das duas horas nos próximos anos sem tecnologia. Com esta, um dia poder-se-á correr em 1h50m. Se se põe algo especial no calçado que te possa empurrar, então creio que será possível.

Pergunta: Há algum atleta parecido com o Gebrselassie? Há alguns atletas que se parecem comigo e que seguem as mesmas rotinas que eu tinha mas querem ser eles mesmos e terem a sua própria personalidade.

Pergunta: Porque não saem mais maratonistas da Etiópia? Eu creio que a gente jovem faz o mesmo que eu mas hoje, as escolas estão muito mais próximos do que no meu tempo. No mundo, gastam-se muitas horas com as redes sociais. Se quiseres, há sempre tempo para treinar. É-me igual se está sol, chove ou faz vento. Não valem as desculpas.

Pergunta:  Eliud Kipchoge, Zersenay Tadese e Lelisa Desisa tentarão bater na próxima semana no circuito de Monza o recorde do mundo da maratona que está na posse de Dennis Kimetto. Estarão rodeados de treinadores e cientistas com o objetivo de baixar-se da duas horas. Gebrselassie dá validade a isto? Sinto dizer isto mas não aceito isso como algo válido. Está fora do rendimento próprio do atleta. Se eles treinam para saber do que necessitam, as sapatilhas que têm que usar, o que têm que beber, o estilo da passada, tu não podes dizer que isso é a habilidade própria do atleta.

Pergunta: Que é o mais importante para ser-se um campeão: a genética, a dieta, as rotinas de treino…? A genética é muito importante. O treino não é suficiente, está claro. Tens que comer e beber o justo.

Pergunta: Na sua época, os atletas começavam com provas de 5.000 metros, depois davam o salto para os 10.000 e finalmente, especializavam-se na maratona. Porque é que hoje, os atletas africanos começam diretamente com a maratona? A razão principal é que as provas de 5.000 e 10.000 metros estão em baixo e a nova geração prefere ser maratonista. Há mais dinheiro na maratona. Mesmo atletas com menos de 20 anos começam na maratona e isso é um erro porque a única coisa que conseguem é lesionarem-se. A idade ideal é entre os 30 e os 37 anos.

 

 

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