Joelho instável tem solução

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A dor na parte da frente do joelho, principalmente no agachamento e/ou durante a corrida, pode ser sinal de instabilidade fémoro-patelar. Eis como evitar o problema ou enfrentá-lo, se for o caso.

A dor no joelho é algo comum a todos os que fazem atividade física e entre as suas causas, a instabilidade fémoro-patelar é sem dúvida uma das situações que mais dificultam a prática desportiva, como a corrida. Essa instabilidade é caracterizada por dores especialmente durante trabalhos com carga, ocorrendo nos casos mais graves, luxações laterais da rórula, que causam grande limitação de movimentos.

O principal sintoma é a dor na frente (região anterior) do joelho e ocorre principalmente em movimentos na qual a rótula é pressionada contra o fémur, como ao agachar ou correr. Estes movimentos fazem com que os músculos extensores recebam uma força cerca de 5 a 7 vezes maior que o peso do corpo, sofrendo, portanto, grande carga e aumentando a pressão da rótula contra o fémur.

Dependendo da gravidade da instabilidade fémoro-patelar, a pessoa pode ter a sensação de que o joelho se vai deslocar a qualquer momento, podendo até perder o equilíbrio ou causando insegurança em realizar atividades desportivas e/ou quotidianas. O inchaço (edema) também pode ser observado, mas ele nem sempre acontece. E surgem eventualmente dificuldades em realizar a extensão total do joelho.

Os fatores que levam ao joelho instável, podem ser musculares, articulares ou traumáticos (queda, esforço exagerado), podendo ocorrer em conjunto ou isoladamente. Detetar a verdadeira causa do problema é fundamental para a escolha do tratamento.

Para o diagnóstico, o primeiro exame é clínico. Na inspeção do individuo em pé, observa-se o alinhamento do joelho, rótula e perna como um todo. A análise da marcha (do andar) e da corrida também é necessária para detetar desequilíbrios musculares e articulares, pois geralmente é no movimento que a instabilidade fémoro-patelar se manifesta. Os exames complementares como o raio-x e a tomografia computadorizada são importantes, tanto para a certeza do diagnóstico, como para definir-se a gravidade da lesão.

O tratamento

O programa de tratamento vai depender da causa e da gravidade da lesão. Estudos de eletromiografia (utilizando eletrodos para avaliar a atividade muscular) mostram que a atividade tónica (contração) do músculo vasto medial oblíquo é significativamente diminuída quando o indivíduo tem dor fémoro-patelar. Portanto, torna-se necessário o tratamento da dor para garantir o fortalecimento necessário deste grupo muscular. Recursos fisioterapêuticos de calor profundo, como o ultra-som e a crioterapia (gelo), são muito eficazes para a melhora da dor local, inflamação e edema.

A eletroestimulação (TENS) pode ser usada tanto para a melhoria da dor (analgesia) como para estimular a contração muscular por meio de impulsos elétricos (FES), que proporciona uma contração muscular de forma passiva, ou seja, sem que o paciente necessite de força. Este método não garante ganho de grande força muscular, mas é importante para recrutar a contração de forma isolada, principalmente na fase de dor intensa, em que o paciente não tem condições para realizar sozinho atividades de fortalecimento muscular.

Quando há melhoria da dor, o tratamento visa geralmente o fortalecimento do músculo quadríceps, principalmente do vasto medial obliquo, alongamento dos músculos posteriores da coxa (isquiotibiais) e do vasto lateral, manipulação latero-lateral da rótula, evitando-se atividades que exijam a rotação externa excessiva do joelho.

O treino proprioceptivo (consciência do movimento) e o fortalecimento muscular procuram uma nova capacidade motora durante as atividades, ou seja, trazer um equilíbrio na contração dos músculos vasto lateral e do vasto medial oblíquo, durante as atividades corriqueiras e na corrida.

Na maioria das vezes, o tratamento é conservador, ou seja, sem a necessidade de cirurgia, a depender da gravidade e do tempo da lesão. A indicação cirúrgica pode ocorrer após seis meses de fisioterapia sem se observar melhorias.

Tem solução!

A instabilidade fémoro-patelar pode impedir ou limitar significativamente a prática da corrida. O diagnóstico precoce evita o agravamento do quadro ou surgimento de outras lesões, como a da cartilagem, pelo aumento do atrito da rótula com o fémur.

Na maioria das vezes, esta alteração responde muito bem ao tratamento fisioterapêutico e possibilita que o atleta volte a correr com segurança. Há evidências de que o treino adequado pode promover um alinhamento correto da rótula, possibilitando ao corredor a prática desportiva sem dor, por tempo prolongado. Por isso, caso sinta dor na região anterior do joelho, principalmente no agachamento e/ou durante a corrida, procure um médico.

Ajuda usar joelheiras?

Há vários tipos de joelheiras no mercado, cada uma com uma indicação diferente. A joelheira recomendada para ser usada durante a corrida, por atletas que sofrem de instabilidade fémoro-patelar, possui um orifício na região da rótula.

Esta joelheira proporciona o posicionamento correto da rótula sobre o fémur, impedindo que ela deslize para a lateral. Mas atenção, use sob a orientação de um profissional.

 

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