Mariana Machado com tarefa difícil no Europeu de Corta-Mato

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A júnior Mariana Machado é a grande esperança portuguesa no Campeonato da Europa de Corta-Mato que este domingo se realiza mo Parque da Bela Vista, em Lisboa. A atleta do SC Braga, filha da antiga atleta olímpica Albertina Machado e que na época passada, foi vice-campeã europeia júnior de 3000 m (e, depois, na tarde desse mesmo dia, foi 4ª nos 1500 m!) demonstrou em dois crosses recentes, em Espanha, estar em excelente forma. No entanto, terá pela frente bem difíceis adversárias. Desde logo, a italiana Nadia Battocletti, campeã em título e que no Europeu de pista, foi vice-campeã de 5000 metros. Mas também a suíça Delia Sclabas, vice-campeã europeia de corta-mato (a um só segundo da italiana vencedora) e, na pista, campeã de 1500 m e vice-campeã de 800 m, depois de já ter sido campeã de 3000 m em 2017 e ter conquistado outras duas medalhas de bronze no Mundial júnior de 2018 (também em 800 e 1500 m). Mas as adversárias difíceis para Mariana Machado não se ficam por aqui: correrão três outras campeãs europeias juniores de pista, a polaca Zofia Dudek (3000 m), a eslovena Klara Lukan (5000 m) e a alemã Paula Achneiders (3000 m obstáculos).

Triunfar será tarefa difícil mas possível para Mariana Machado, que foi 24ª em 2017 e 15ª na época passada e agora tentará repetir os feitos de Inês Monteiro em 1999 e de Jéssica Augusto em 2000, as outras duas portuguesas que se sagraram campeãs europeias juniores… já lá vão 20 anos!

Etson Barros, a outra esperança

Medalhado de bronze nos 3000 m obstáculos do Europeu de juniores da época passada, o benfiquista Etson Barros é a outra esperança nacional para este Europeu, embora (teoricamente pelo menos…) com bem menores possibilidades de chegar ao pódio júnior. O título da prova que abrirá (às 10 horas) o Europeu dificilmente fugirá, pela 4ª vez consecutiva (!), ao norueguês Jakob Ingebrigtsen, que no ano passado bateu o recorde de títulos juniores (ninguém tem mais de dois). Ganhou então com folgados nove segundos de vantagem e depois, na época de pista, bateu os recordes europeus de 1500 m (3.30,16), milha (3.51,30) e 5000 m (13.02,03). O alemão Elias Schreml, campeão europeu de 3000 m, poderá ser o seu principal adversário… à distância. Depois está tudo em aberto e Etson Barros, que se estreará na competição, poderá lutar por um honroso lugar no top’10. Na época passada, o melhor português foi Duarte Gomes (38º), que voltará a competir como júnior. E na equipa, está o campeão europeu júnior de 1500 m, Nuno Pereira (67º em 2018), ainda corredor essencialmente de 800/1500 m e não propriamente fundista.

As outras provas

São bem mais limitadas as aspirações portuguesas nas corridas de seniores e sub’23. A curiosidade estará na presença de (apenas) duas das (seis) melhores fundistas nacionais, naquela que seria certamente a última oportunidade de um regresso ao pódio coletivo. Mas Sara Moreira tem estado lesionada, Jéssica Augusto fora de forma e Catarina Ribeiro e Inês Monteiro optaram pela maratona. Restam Dulce Félix, na sua 8ª presença em Europeus (duas como júnior), e Salomé Rocha, na 11ª (três como sub’23 e três como júnior). Dulce foi segunda em 2011 e 2012 e terceira em 2010 e 2013, não voltando a participar depois disso, embora tenha sido campeã nacional entre 2010 e 2015 e, depois, já este ano (sete títulos!). Salomé foi 7ª nos sub’23 em 2012 e tem como melhor classificação sénior, um 9º lugar em 2013, tendo sido 28ª há um ano, quando foi a melhor portuguesa de uma equipa que desiludiu: Inês Monteiro foi então 41ª, Catarina Ribeiro 58ª, Sara Moreira e Jéssica Augusto desistiram e a equipa foi apenas 12ª. Espera-se melhor de Dulce Félix (ausente há um ano por ter sido mãe recentemente) e de Salomé Rocha, enquanto Susana Francisco deverá melhorar o 61º lugar de 2016 naquela que será apenas a sua segunda presença como sénior.

A turca Yasemin Can, campeã já há três anos (um recorde), tentará o quarto título consecutivo, apesar da longa paragem por lesão que a impediu de fazer a época de pista. Há um ano, derrotou a suíça Fabienne Schlumpf (desta feita ausente) por um segundo e a norueguesa Karoline Grovdal por dois. Esta poderá ser a sua principal adversária, para além da também turca Meryem Akdag, segunda em 2016.

Realce ainda para a presença da bi-campeã em 2011 e 2012 (à frente de Dulce Félix), a irlandesa Fionnuala Britton (agora Fionnuala McCormack), com 35 anos e que conseguirá um recorde de presenças no Europeu (16), ultrapassando Inês Monteiro, que tem 15.

Na principal corrida masculina, outro dos irmãos Ingebrigtsen – Filip – tentará renovar o título da época passada, voltando a encontrar o belga Isaac Kimeli, então medalha de prata, a três segundos, e o turco Aras Kaya, bronze a sete segundos, depois de ter sido campeão em 2016, a seguir a outro turco este ano candidato, Ali Kaya, vencedor em 2015. Atenção ainda ao italiano Nekagenet Crippa, 8º nos 10000 m do Mundial de Doha’2019 com um recorde nacional de 27.10,76.

Em termos nacionais as esperanças são muito limitadas. O campeão nacional Rui Teixeira estará presente mas estreou-se na maratona há mês e meio e isso deixa rasto… Foi 18º em 2011 e nunca mais participou no Europeu. Quem mais se distinguiu na prova de seleção foram André Pereira (49º há um ano) e Miguel Marques (45º).

No escalão de sub’23, os campeões em título Jimmy Gressier (França) e Anna Emilie Moller (Dinamarca) tentarão reeditar as vitórias de Tilburg’2018. Ele procura o seu terceiro título sub’23 consecutivo, que juntará às vitórias alcançadas nos 5000 e 10000 m do Europeu de Sub’23 deste ano. Ela será a única presente entre as três atletas que há um ano subiram ao pódio sub’23.

Entre os portugueses, Isaac Nader, 62º júnior em 2018, parece ser quem mais hipóteses tem de uma classificação honrosa, mas certamente aquém do top’10. Há um ano, os melhores foram João Pereira (48º) e Lília Martins (42ª)…

Finalmente, Portugal estará ainda na estafeta mista de 4×1,5 km, que se realiza pela terceira vez. Há um ano, em estreia, a seleção foi 10ª entre 12 equipas, tantas as que estarão este ano. O quarteto formado por Salomé Afonso, Patrícia Silva, Paulo Rosário e Luís Monteiro tem aspirações naturalmente limitadas. A Espanha tem boas hipóteses de reeditar o triunfo de há um ano.

A SELEÇÃO NACIONAL

Eis a lista dos atletas nacionais (publicada em repetição), o número de presenças anteriores (entre parênteses as de sub’23 e juniores) e as melhores classificações (absoluta e como sénior):

Presenças Clas. Sénior
Seniores (M):
André Pereira SLB 5 (3s+1j) 35ºsub 49º
Miguel Marques SCP 6 (2s+3j) 24ºjun 45º
Hugo Almeida SCB 2 53º
Rui Teixeira SCP 2 18º
Paulo Barbosa MAC
Luís Saraiva SCB
Seniores (F):
Dulce Félix SLB 8 (2j)
Salomé Rocha SCP 11 (3s+3j) 7ªsub
Susana Francisco SCB 2 (1 estaf.) 61ª
Sub’23 (M):
Isaac Nader SLB 2 (2j) 62ºjun
Alexandre Figueiredo SLB
Ricardo Ferreira SCP 3 (1s+2j) 34ºjun
Cristiano Borges SCP
Jorge Moreira SCB 2 (2j) 62ºjun
Filipe Vitorino CNRM 2 (2j) 58ºjun
Sub’23 (F):
Joana Ferreira JV
Beatriz Rodrigues SCP
Manuela Martins MCP 2 (1s+1j) 59ªsub
Sara Duarte ACDSJS
Lília Martins JV 4 (2s+2j) 42ºsub
Sara Monteiro ADNO
Juniores (M):
Etson Barros SLB
Ruben Amaral SCP
Miguel Ribeiro SLB 1 (1j) 87ºjun
Miguel Moreira SCP
Duarte Gomes SLB 1 (1j) 38ºjun
Nuno Pereira SCP 1 (1j) 67ºjun
Juniores (F):
Mariana Machado SCB 2 (2j) 15ªjun
Lia Lemos MAC
Bárbara Neiva SCP
Mónica Silva VSC
Cátia Pereira SCP
Camila Gomes SLB
Estafeta mista:
Salomé Afonso SCP 1 (1est) 10ªestaf.
Patrícia Silva SLB 1 (1j) 48ªjun
Paulo Rosário SCP
Luís Monteiro SCP

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