No passado domingo, pela primeira vez, os participantes da Meia Maratona de Paris tiveram que levar as suas próprias garrafas de água para se manterem hidratados durante a prova. O mesmo valerá para a maratona no dia 12 de abril. O objetivo da Organização de reduzir a pegada de carbono, respeitando os compromissos ambientais da cidade de Paris, foi, em geral, bem recebido pelos corredores.

A decisão de exigir que os corredores levassem os seus próprios recipientes é inédita em provas de estrada que atraem dezenas de milhares de participantes. Thomas Delpeuch, um dos responsáveis da prova, explicou: “O sistema de garrafas deixou de ser sustentável do ponto de vista ambiental. Todos precisam de fazer um esforço.”
Ao todo, participaram cerca de cinquenta mil corredores na Meia Maratona de Paris deste ano, um recorde para o evento, 46% eram mulheres. Mais de um terço dos 50 mil participava pela primeira vez numa meia maratona. Recomendava-se levar garrafas térmicas, mochilas de hidratação ou copos reutilizáveis para se preparar para a nova configuração dos postos de abastecimento, localizados a cada cinco quilómetros: bebedouros e chuveiros de auto-serviço, operados por voluntários, para reabastecer os recipientes.
Corredores mais rápidos são mais céticos

Os corredores mais rápidos mostraram-se céticos com a decisão da Organização, não concordando em ter de parar nos postos de abastecimento. Um deles disse:“Incomoda-me perder um ou dois minutos para reabastecer. E notei que a taxa de inscrição está a aumentar enquanto o serviço oferecido aos corredores está a diminuir”.
Maioria aceitou bem as novas regras de abastecimento
No final da prova, todos os corredores entrevistados confirmaram, por vezes com entusiasmo, que a experiência havia sido um sucesso e que a nova política dos postos de apoio não prejudicou de forma alguma o seu desempenho.
Um outro corredor que partiu no último bloco de partida, admitiu ter ignorado os postos de hidratação, confiando, em vez disso, nas duas garrafas de 250 ml que havia enchido antes da partida. Mas chamou a atenção para outra questão: “Todos têm que fazer a sua parte. Inclusive descartar corretamente o próprio lixo.”

Este é um ponto sobre o qual as Organizações, tanto de provas de estrada como de trail, não têm controle. E a Meia Maratona de Paris confirmou isso. Antes do posto de hidratação dos dez quilómetros, dezenas de embalagens de gel energético estavam espalhadas pela pista, comprovando que as preocupações ambientais continuam a ser uma questão secundária para muitos corredores.
A questão dos copos de papelão reciclável anteriormente fornecidos e ainda utilizados em muitas provas de estrada (incluindo grandes maratonas como a de Nova York), é controversa para além da comunidade dos corredores.

