Morreu Gretel Bergmann, a atleta judia que Hitler vetou para os Jogos Olímpicos de Berlim

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A ex-atleta alemã Gretel Bergmann, cuja participação nos Jogos Olímpicos de Berlim 1936 foi proibida pelo nazismo por ser judia, morreu aos 103 anos em Nova York.

Gretel era na década dos anos 30, uma das melhores saltadoras em altura do mundo e partia como uma das favoritas a subir ao pódio nos Jogos Olímpicos. Um ano antes, havia batido o recorde nacional da Alemanha com 1,60 metros.

No entanto, ela foi proibida à última hora de participar nos Jogos por ser judia, tendo sido substituída, segundo se soube décadas depois, por um hermafrodita chamado Dora Ratjen que apenas conseguiu o quarto lugar.

“Tinha ganho o ouro, não havia outra possibilidade”, afirmou Gretel no ano passado. “Era meu companheiro de quarto, nunca pensei que não fosse uma mulher”, recordou.

A vitória da prova foi para a húngara Ibolya Csak com 1,60 m.

Foi novamente convocada para a seleção alemã depois de os EUA terem ameaçado em boicotar os Jogos Olímpicos se a Alemanha não aceitasse judeus. Ainda assim no último momento, ela acabou por ser proibida de participar.

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Rua próxima do Estádio Olímpico de Berlim rebatizada como Gretel Bergmann Weg

“Odiei a Alemanha, as pessoas e até o idioma pelo que me fizeram e ao povo judeu”.

Temendo pela sua vida, Gretel emigrou depois para os EUA em 1937. Foi campeã nacional em 1937 e 1938. Em 1939, casou-se com Bruno Lambert, um médico judeu exilado da Alemanha e que morreu em 2013, depois de viver com ela quase 75 anos.

Prometeu nunca mais regressar à Alemanha mas fê-lo em 1999 para receber o prémio Georg von Opel que apenas distingue atletas que não receberam o seu justo reconhecimento. Em 2012, ingressou no Salão da Fama da Fundação Alemã para a Ajuda ao Desporto.

O presidente da Federação Alemã de Atletismo expressou a sua “profunda tristeza” pela morte de Gretel, a quem visitou quando ela fez cem anos em Abril de 2014.

“Ela sofreu uma terrível injustiça durante o terceiro Reich”, recordou Prokop num comunicado da federação alemã. “Foi um exemplo para os nossos jovens atletas. Faremos uma comemoração especial durante os Campeonatos Europeus de 2018 em Berlim”.

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