Morreu Myruts Yifter, bicampeão olímpico que foi preso por “traição”

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O etíope Myruts Yifter, vencedor dos 5.000 e 10.000 metros nos Jogos Olímpicos de Moscovo 1980 e bronze nos 10.000 em Munique 1972, faleceu aos 72 anos de idade devido a uma insuficiência respiratória num hospital em Toronto, cidade onde residia.

Yfter, sucessor de Abebe Bikila no fundo etíope e seguido como modelo por Haile Gebrselassie, foi na sua juventude operário fabril e condutor de carros. Despertou para o atletismo no serviço militar e participou nos Jogos Olímpicos de Munique 1972 com uns supostos 28 anos de idade, ainda que nalgumas ocasiões lhe atribuíssem mais seis anos.

Na final dos 10.000 metros, Yfter foi terceiro depois do finlandês Lasse Viren e do belga Emil Puttemans. Yfter também estava inscrito na prova de 5.000 metros mas não se apresentou na sua série. Segundo explicou, foi um erro dos seus treinadores que o levaram à área de aquecimento sem avisá-lo de que a corrida já havia começado.

Teve muitos problemas no seu regresso à Etiópia pois foi acusado de traição à patria e foi preso. Continuou a treinar na equipa de atletismo da prisão.

Foi libertado ao fim de três meses e obteve o ouro nos 10.000 metros e a prata nos 5.000 nos Jogos Panafricanos de Lagos 1973. Nos Jogos Olímpicos de Montreal 76, era um dos favoritos mas não pôde comparecer debido ao boicote africano aos Jogos por suposta “tolerância” dos canadianos para com o apartheid sul africano. Depois, nas Taças do Mundo da IAAF de 1977 e 1979, venceu os 5.000 e 10.000 metros e estabeleceu a melhor marca mundial da meia maratona em 1977 com 1h02m57s.

Nos Jogos Olímpicos de Moscovo 1980, Yifter conquistou o ouro nos 10.000 e 5.000 metros, derrotando adversários como os finlandeses Lasse Viren e Kaarlo Manninka, os etíopes Mohamed Kedir e Tolossa Kotu, o irlandês Eamon Coghlan e o tanzaniano Suleiman Nyambui.

Nos seus últimos anos da carreira, Yifter dedicou-se ao corta-mato e conduziu o seu país a dois títulos mundiais por equipas. Emigrou nos anos 90 para o Canadá na qualidade de treinador. Voltou à Etiópia, desta vez como herói em 2004.

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