Mundial Doha/A quem aproveita sessões com sete horas e a acabarem depois da meia-noite?

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Muito se tem escrito acerca do reduzido número de espetadores no Khalifa Stadium. Com uma lotação de 40 mil pessoas, para este Mundial apenas estão disponíveis, metade dos lugares porque os restantes estão ocupados com enormes coberturas coloridas.

Tem havido sessões entre três e oito mil pessoas e com imagens mostrando as bancadas quase despidas aquando do momento de consagração dos vencedores dos 100 metros.

O Comité de Organização local forneceu números de espetadores totalmente irrealistas e deu como explicações possíveis para este fiasco, diferentes razões: horários muito tardios, população pouco habituada e interessada no atletismo, péssimas relações do Qatar com diversos países vizinhos que teriam dificultado a presença de potenciais espetadores.

Horários tardios? Mas afinal, quem elaborou os horários das sessões? Que nos lembremos, em todos os Europeus e Mundiais, tem havido sempre as sessões da manhã (mais dedicadas às eliminatórias) e as da fim de tarde/noite (mais dedicadas às meias-finais e finais), ambas com a duração média de 3/4 horas no máximo.

Ora, o que é que nós temos observado em Doha? Ainda ontem a sessão chegou a prolongar-se bem para além da meia-noite. Às 00.25, começou a prova dos 1.500 m do Decatlo!

A IAAF quer reduzir as sessões dos meetings da Liga Diamante, excluindo provas como os 10 mil metros (já o fez) e os 5.000 m no futuro. O argumento passa pelas transmissões das televisões e dos interesses publicitários. Então e em Doha? Que dizer de sessões com 7 h (2º dia) ou 6h45 (6º dia)? Que dizer das sessões que terminam depois das 23 horas (3º, 6º e 7º dia)? Isto sem falarmos das provas da maratona e 20 km marcha com início às 23.59 ou dos 50 km marcha que começou às 23.30.

O presidente da IAAF pode dizer que o Mundial tem sido um êxito e desvalorizar a fraca afluência do público. Pode desvalorizar as condições climatéricas que põem em risco a saúde dos atletas, argumentando que elas são semelhantes às do Mundial na Coreia. O que conta são os milhões de euros que entram nos cofres da IAAF, o resto é conversa fiada.

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