Dois membros da Organização da Maratona de Kish no Irão, foram presos no sábado, acusados de terem deixado várias mulheres correr sem véu, apesar da obrigatoriedade do hijab em vigor no país.
“A forma como o evento se desenrolou foi contrária à decência”, disse o procurador público de Kish, citado pela agência de notícias Mizan. “Foram instaurados processos criminais“ contra os organizadores, acrescentou, apelando a medidas “firmes, dissuasivas e intransigentes“ .
Desde a Revolução Islâmica de 1979, todas as mulheres no Irão são obrigadas a cobrir a cabeça com um véu (hijab) em público e a usar roupas modestas e folgadas, mas essa obrigação está a ser cada vez menos cumprida, o que está a provocar a ira de parte da classe política.
Embora o presidente Massoud Pezeshkian afirme que as mulheres não podem ser obrigadas a usar o hijab, nos últimos meses, as autoridades fecharam diversos cafés e restaurantes por não cumprirem a obrigatoriedade do uso do hijab.
Muitas mulheres saem agora à rua sem véu, algumas usando roupas reveladoras. Este fenómeno, inimaginável há poucos anos, parece ter aumentado ainda mais desde o fim da guerra contra Israel em junho, particularmente na capital, Teerão.
A maratona de Kish atraiu 5.000 participantes, incluindo muitas corredoras que não usavam o véu. As autoridades locais concluíram, portanto, que o evento “foi contrário à decência”
A prova tornou-se rapidamente polémica em todo o país porque mulheres sem véu foram autorizadas a participar em algumas provas (segregadas).
Vídeo da partida
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