(Foto FPA)
Ana Paula Pinheiro enviou-nos um artigo sobre o Olímpico Jovem que terá lugar este fim de semana em Albufeira.
Juíza de atletismo e mãe de atletas, Ana Paula tem tido “o privilégio de acompanhar de perto inúmeras competições e de testemunhar emoções únicas dentro e fora da pista”.
Eis o seu artigo sobre o entusiasmo e a alegria vividos pelos jovens atletas quando participam neste tipo de competições como o Olímpico Jovem.
Muito mais do que medalhas
Há um brilho especial no olhar de um jovem quando veste o equipamento da sua associação e entra numa pista onde estão atletas de todo o país. Não é apenas nervosismo. Não é apenas entusiasmo. É orgulho. É o sentimento profundo de pertença. A consciência de que está ali por mérito próprio, mas também em representação de algo muito maior do que si mesmo.
Nas competições nacionais de atletismo, os resultados contam, naturalmente. Cronómetros, classificações e recordes fazem parte da essência da modalidade. Mas, para muitos jovens, o verdadeiro prémio começa muito antes da partida.
Começa na viagem de autocarro, nas conversas animadas entre colegas, nos lanches partilhados e nas gargalhadas que aliviam a ansiedade da competição. Começa no momento em que entram no estádio, observam as bancadas, sentem o ambiente único de um campeonato nacional e percebem que chegaram ali depois de meses, por vezes anos, de esforço silencioso e dedicação diária. E torna-se ainda mais especial quando ouvem o nome da sua associação ecoar pelos altifalantes. Nesse momento, compreendem que não correm apenas por si. Correm pelos treinadores que os acompanham todos os dias, pelos colegas de treino que partilham sacrifícios e conquistas, pelas famílias que os apoiam incondicionalmente.
Para muitos jovens atletas, participar num campeonato nacional é um sonho concretizado.
Pouco importa se terminam em primeiro ou longe do pódio. O simples facto de ali estarem representa superação, aprendizagem e crescimento pessoal.
O atletismo tem esta capacidade rara de formar muito mais que atletas. Ensina disciplina, respeito, resiliência, espírito de sacrifício e companheirismo. Mesmo sendo frequentemente vista como uma modalidade individual, quem acompanha os escalões jovens sabe que existe uma enorme união entre colegas. Celebram-se recordes pessoais como se fossem vitórias coletivas. Aplaudem-se os companheiros com sinceridade. Consolam-se lágrimas de desilusão e multiplicam-se abraços de incentivo. Criam-se memórias que ficam para sempre.
Talvez seja precisamente isso que torna o desporto tão importante na infância/adolescência.
Não apenas formar atletas, mas ajudar a formar jovens mais felizes, mais confiantes e capazes de acreditar em si próprios.
Num tempo em que tantas crianças vivem ligadas a ecrãs e rotinas aceleradas, ver centenas de jovens a correrem, saltarem e competirem com um sorriso genuíno é um lembrete poderoso do verdadeiro significado do desporto.
Porque, no fim de cada corrida, salto ou lançamento, há algo que vale muito mais do que qualquer medalha: a alegria inesquecível de representar a sua associação num palco nacional.

