Operação Lava Jato envolve Papa Diack em mais casos de corrupção

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Filho do ex-presidente da IAAF é acusado de receber comissões no escândalo da compra de votos de sede olímpica e encobrir casos de doping russo

Peça-chave das investigações da Operação “Jogo Sujo”, Papa Massata Diack é figura frequente no noticiário e nas denúncias de corrupção envolvendo federações desportivas internacionais e o Comité Olímpico Internacional (COI). O senegalês é acusado pela justiça brasileira e pelo Ministério Público Francês de ser o recetor da comissão utilizada na suposta compra de votos durante a eleição da sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Papa Diack também está envolvido no escândalo do doping russo e também é acusado de receber altos valores nas eleições para a sede do Mundial de Atletismo de 2017 e 2019.

O desdobramento da Operação Lava Jato teve início na França. O Ministério Público Federal local investigava os escândalos do doping russo envolvendo a IAAF quando se deparou com indícios de corrupção na escolha do Rio como sede olímpica de 2016. Em março deste ano, uma reportagem do jornal francês “Le Monde” revelou que uma investigação da polícia francesa mostrava indícios de pagamentos do brasileiro Arthur Soares  a dois membros do COI – Lamine Diack e Franck Fredericks. O dinheiro teria sido depositado na conta de Papa Diack, filho do ex-presidente da IAAF e membro honorário do Comité Olímpico Internacional.

Este não é o primeiro caso de corrupção em que Papa Diack é citado como um dos principais envolvidos. Em novembro de 2015, um escândalo que ligava a IAAF, o governo russo e membros do COI, acusava Papa Massata Diack e o seu pai de receber dinheiro para encobrir casos de doping na Rússia. Poucos meses após a divulgação de um relatório da Agência Mundial Antidoping (WADA), a comissão de ética da IAAF baniu o senegalês.

Suspeitas de corrupção na candidatura do Qatar para receber o Mundial de Atletismo colocaram o nome de Papa Diack de volta nas manchetes em novembro de 2016. O ex-consultor de marketing da IAAF foi acusado de receber dois pagamentos totalizando 3,5 milhões de libras alguns dias antes da reunião que escolheu Londres como sede do Mundial de atletismo de 2017. Três anos depois, Doha era finalmente eleita para receber o Mundial de 2019 após enviar, alguns minutos antes da votação, uma carta para membros do conselho da IAAF prometendo 23,5 milhões de libras em patrocínios e direitos de televisão.

No fim de agosto deste ano, o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) rejeitou o recurso de Papa Massata Diack contra a decisão da Comissão de Ética da IAAF de 7 de janeiro de 2016. Na ocasião, o dirigente foi banido de forma vitalícia da modalidade por violar as regras de doping. O ex-dirigente da IAAF é procurado pela Interpol por recebimento de comissões, corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros crimes, e o seu paradeiro é desconhecido. Fontes indicam que Massata Diack está escondido em Senegal, seu país natal.

Entender o desdobramento da operação Lava Jacto

Foi iniciada nesta terça-feira a Operação Unfair Play (chamada de “Jogo Limpo” por investigadores brasileiros), um desdobramento da Operação Lava Jato para investigar o uso de dinheiro público no pagamento de comissões para a compra de votos na eleição que apontou o Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016.

Mais de 70 agentes da Polícia Federal (PF) cumpriram 11 mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva dos empresários Arthur Soares e Eliane Pereira Cavalcante – o “Rei Arthur, como é mais conhecido, é considerado foragido. Um dos locais revistados foi a residência do presidente do Comité Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, que posteriormente foi conduzido à sede da PF para prestar depoimento.

Segundo investigação da Justiça Francesa em parceria com a Justiça Brasileira, Nuzman teria sido o elo de conexão entre Arthur Soares e membros votantes da eleição do Comité Olímpico Internacional (COI) para a eleição da sede dos Jogos de 2016.

Transações bancárias mostram que a empresa Matlock Capital Group, pertencente a Arthur, pagou dois milhões de dólares a duas empresas de Papa Massata Diack, dias antes da votação do COI. O valor teria sido usado para a compra do voto de Lamine Diack, pai de Papa e então presidente da IAAF e membro do COI. Acredita-se que o alto montante indica o pagamento a outros votantes na assembleia, mas ainda não há provas a esse respeito.

O Rio de Janeiro foi escolhido sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 em 2 de outubro de 2009 em cerimónia realizada em Copenhague, na Dinamarca. Na ocasião, a cidade teve como concorrentes Madrid, Chicago e Tóquio. A vitória impulsionou uma série de obras na cidade, grande parte delas financiadas com dinheiro público – e que, segundo o Ministério Público, renderam milhões em pagamento de comissões ao ex-governador Sérgio Cabral, com quem Arthur Soares trabalhava em parceria, e outros investigados da Lava-Jato.

 

 

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