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Home Running Atleta do Pelotão

Orlando Duarte/A correr há 50 anos!

Nuno Oliveira by Nuno Oliveira
2026-02-01
in Atleta do Pelotão, Destaque, Entrevista, Running
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Orlando Duarte/A correr há 50 anos!
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Orlando Duarte é certamente, um dos mais antigos atletas do pelotão e um exemplo de dedicação à modalidade. Corre desde 1975 e tem sido muito ativo no seu trabalho em prol da modalidade com as suas estatísticas e acompanhamento de atletas portugueses no estrangeiro. Apesar dos problemas com os joelhos, já correu cerca de um milhar de provas.

Orlando Duarte é natural de Lisboa e tem 68 anos. Técnico de manutenção na reforma, começou a correr em 1975 com o ‘Movimento da Corrida para Todos’.

Em 1976, foi a treinos de captação do Belenenses, os treinadores eram Vasco Medeiros e Eduardo Cunha nas disciplinas técnicas. Em finais de novembro, quando treinava na pista de cinza, lesionou-se com gravidade, com fortes dores no joelho direito. Foi operado e regressou um ano depois.

Atualmente, treina duas vezes por semana, habitualmente só, “ de tal modo, que me habituei a fazê-lo sozinho e a considerar ser a melhor maneira”. Até aos 45 anos, treinou seis vezes e depois até aos 65 anos, fazia-o por três vezes.

Importância da Revista Spiridon

Não se recorda a 100% da sua primeira prova de estrada. “Tenho uma vaga ideia de ter participado numa corrida entre Carenque/A-da-Beja/Carenque, e essa achei-a longa… Sei que não senti muito prazer e que não escapei dos últimos lugares… Porém, como alguém disse um dia, primeiro estranha-se e depois entranha-se!”

Ao longo destes quase 51 anos de corrida, só teve uma vez um treinador, o seu amigo Álvaro Costa, quando se preparou para a sua única maratona. “Fora disso, o meu ‘treinador’, e não só, tem sido desde os anos oitenta, a Revista Spiridon.

S. Silvestre da Amadora no top

Orlando corre há um ano pela Associação Mundo da Corrida. Antes, correu dez anos por solidariedade pela Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla.

Atualmente, participa em cerca de 20 provas por ano, tendo chegado a fazer 35. As suas provas mais participadas são:

São Silvestre da Amadora: 19

Corrida do 1º de Maio e do Avante: 16

Corrida da Liberdade em Lisboa: 15

Corrida das Fogueiras e Corrida do Tejo: 14

Já a prova que lhe deixou recordações menos agradáveis foi um trail. “Numa fase de recuperação pós- operatório aos meniscos, numa prova de trail que escolhi especificamente por ter 21 km, que seria a distância ideal depois de ter feito uma de 15 km, sou brindado com 25 km!”

Da estrada para o trail

Orlando não dispensa os exames médicos de rotina. As lesões têm-no visitado, sendo as mais significativas as cirurgias aos joelhos: ligamento interno e aos quatro meniscos. Daí, o ter passado a dedicar-se mais ao trail.

Depois de muitas provas na estrada e alguns corta-matos (“adorei”), Orlando explica: “Depois de ter experimentado as Corridas de Montanha e não ter gostado, tive a felicidade de participar na primeira prova de trail realizada em Portugal, na Serra da Freita, em 2006. Daí para cá, paulatinamente, o trail foi substituindo as corridas de estrada e hoje, a pirâmide inverteu-se”.

Ao longo dos anos, Orlando tem variado um pouco na sua distância preferida. Quando fazia estrada, variava entre os 15 km e a meia maratona. Na sua primeira fase no trail, gostava dos 25 aos 30 km. Agora, passou para os 15 aos 21 km.

Momento marcante na maratona

Orlando Duarte correu apenas uma maratona mas tem uma forte razão. “Por questões articulares, fui sempre aconselhado por ortopedistas a não correr longas distâncias como a maratona. Mas fiz questão de fazer uma, e a escolhida foi a de Lisboa em 1988, sendo então treinado por Álvaro Costa.

“Como só podia fazer uma, e como à época, dominava o estigma de quem fizesse mais de três horas era ‘coxo’, foram 12 longas semanas de árduo treino para alcançar tal desiderato. Porém, não podia ter mais azar no clima do dia 6 de Novembro de 1988: frio, chuva e muito vento… resultado, 3h02m10s”.

Esta maratona em Lisboa, acabou por ser o momento mais marcante da sua carreira desportiva. “Por ser um momento, que ainda hoje o acho inenarrável, a passagem pela meta na minha única maratona”.

Pouco depois, correu a Meia Maratona de Sevilha em 1h17m50s, seu recorde pessoal na distância. Já aos dez quilómetros, tem 36 minutos como seu melhor tempo.

Depois de cinco operações… agora é prova a prova

Tendo a paixão das corridas, ele gostava de correr ainda por muitos anos. Mas… “Depois de, algum modo, ultrapassar os problemas nos joelhos com cinco operações, nos últimos anos tenho sido afetado e traído pelas vértebras L5 e S1 que se manifestam com dores musculares nos gémeos, soleares e peroniais e o limite passará por aí…”

Por tudo isto, é claro quanto aos seus projetos na modalidade. “Para quem está à beira dos 70 anos, os projetos é prova a prova…”

Quanto à alimentação, tem os devidos cuidados. “Nem oito nem oitenta, tento ser o mais regrado possível.”

No mundo das corridas e no trail em particular, Orlando aprecia a amizade, a solidariedade e o convívio no pós-prova.

E se não estivesse no atletismo, que modalidade gostaria de ter seguido? “Muito provavelmente o ciclismo, pois foi a primeira modalidade que gostei na minha infância.”

Quebra de qualidade

Orlando também elogia a qualidade das nossas provas: “Sinceramente penso que o nível qualitativo das organizações atingiram já uma boa fasquia técnica e administrativa”.

A nível federativo, “há 50 anos, as carências estruturais eram gritantes, em contraste com a matéria humana que procurava a modalidade. Hoje, é um pouco ao contrário. Contudo, após anos áureos, tivemos uma quebra de qualidade mas, ainda vamos tendo alguns jovens que nos vão dando algumas alegrias, como foi o caso recente de Isaac Nader. A nível popular, creio que atingimos o topo com muitas provas com milhares de participantes.”

Quando o autocarro teve um furo a caminho da Nazaré

Para quem corre há 50 anos, não podem faltar histórias. Orlando lembra uma passada em novembro dos anos oitenta quando foi correr a Meia Maratona da Nazaré. “O autocarro alugado pelo clube tem um furo a meio da viagem, o resultado é que durante o resto da viagem pós-furo, tivemos que nos equipar no autocarro. O aquecimento foi ir a bom correr levantar os dorsais e de imediato para a partida.”

Que rico treino na praia com notas a boiar!

Outra história não se passou numa corrida mas sim num treino à beira-mar, entre a Costa de Caparica e Fonte da Telha e volta. “A dada altura, vejo um papel a boiar e tenho a sensação de ser uma nota, volto para trás e não era só uma nota, eram duas, uma de 5 mil escudos e outra de 500 escudos. Sem dúvida que foi o treino mais rico que tive!”

Orlando falou ainda do seu trabalho no seu Facebook em prol da modalidade. Segundo ele, as estatísticas das corridas vêm no seguimento do que tem feito há muitos anos em vários aspetos da sua vida pessoal como os consumos domésticos da água e energia ou até dos consumos do seu automóvel.

Estatísticas de corridas e acompanhamento de atletas portugueses no estrangeiro

“Os meus registos nas corridas começaram em 1985 e, mais tarde, com estatísticas de meia dúzia de provas que elegi como alvo ou amostra nas várias distâncias, como a Corrida do Tejo, a Meia da Cidade de Ovar ou a Maratona do Porto, onde tenho todos os resultados arquivados e todos os anos publico um vasto trabalho.

Os acompanhamentos a atletas portugueses nas provas no estrangeiro começaram em 2008 com o Ultra Trail de Mont Blanc em que, como sempre e como gosto de acompanhar as provas, tomo notas dos tempos de passagem e lugar na classificação ao longo dos vários pontos de passagem e ou Bases de Vida e, assim, sinto-me ‘dentro’ da corrida (já o fazia nos campeonatos de pista nos anos 80/90) e a poder prever ou estimar tempos e classificações. Em 2009, também no UTMB onde participaram vários homens e a Célia Azenha, que foi primeira mulher portuguesa a finalizar o UTMB, deixei de o fazer sozinho e decidi partilhar esses dados e notas e notícias, no extinto Fórum do Mundo da Corrida. E assim continuou com mais provas até ao advento do Facebook onde, neste momento, tenho a gestão de 11 corridas: UTMB, Badwater, Sparthatlon, Transpirineia, Tor des Geants, Lavaredo, Andorra Trail, Ehunmilak e Marathon des Sables, e a pt281 e o ALUT em Portugal”.

A caminho das mil provas

Orlando só começou a registar as suas provas dez anos depois de ter começado a correr. Desde Setembro de 1985 até 4 de Janeiro de 2026, participou em 774 provas: 165 delas com 20 ou mais quilómetros, entre as quais, uma maratona, 62 meias maratonas e 174 provas de Trail. Tudo isto em 83 concelhos, 15 distritos, cinco no estrangeiro e dois nas Regiões Autónomas. Falta-lhe correr nos distritos de Bragança, Guarda e Viseu. No total, estão registados 10.418 quilómetros em 982h41m31s a uma média de 5m40s/km.

Mas se considerar os primeiros dez anos de corridas sem registos, Orlando estima já ter participado entre 900 a mil provas do norte ao sul do país e ilhas (11 nos Açores e uma na Madeira). Na pista, estrada, praia, montanha e trail, dos 400 metros até à maratona.

A prova mais a norte foi em Caminha, a prova mais a sul foi na praia em Tavira, a prova mais no litoral foi em Peniche, a prova mais no interior foi em Barrancos. Entre as inúmeras lembranças recebidas, estão 620 camisolas!

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