Os meus treinos durante a pandemia: Por Graça Costa

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Na sequência do trabalho sobre os treinos durante a pandemia que iniciámos no dia 5 deste mês, publicamos hoje o depoimento de Graça Costa.

1 – Idade: 56 anos

2 – Corre há quantos anos: Há 8 anos

3 – Clube: Amigos da Montanha

4 – Como tem procedido desde que foi decretado o estado de emergência até agora? Penso que como a maioria das pessoas, tenho tentado seguir as recomendações da DGS, o uso da máscara tornou-se um hábito, assim como o desinfetante na carteira, as saídas de casa são menos frequentes, e o convívio com os amigos também. Felizmente, a cidade onde vivo (Barcelos) não foi muito afetada pela pandemia, pelo que nunca senti receio em sair de casa para ir trabalhar, ao supermercado, ou para treinar. Atualmente já se começa a retomar alguma normalidade, e espero que com o tempo possa voltar a correr e competir como dantes.

Continuou a treinar normalmente? Não, tive de estruturar o plano de treinos em função das contingências, e como todas as provas foram ou canceladas, ou adiadas, tive de adaptar os treinos. Quando a pandemia chegou, estava a treinar para o Campeonato Europeu de Meia Maratona em Masters, e como a prova foi adiada, não fazia sentido continuar com o volume dos treinos.

Reduziu os treinos mas continuou? Sim, continuei a treinar dentro dos possíveis, na fase de maior contingência, limitava muito os treinos em estrada, e quanto os fazia era de manhã cedo por volta das 7 h, para evitar cruzar-me com outras pessoas. Como a clinica de fisioterapia onde o meu marido trabalha esteve fechada durante dois meses, pôde treinar no ginásio da clínica sem problemas.

Parou completamente? Parei talvez durante a fase inicial do estado de emergência, pois não sabia muito bem o que ia acontecer, ou o que podia ou não fazer. Não foram mais que duas semanas sem treinar, depois fui lentamente retomando os treinos.

Se tem treinado tem-no feito sozinha ou acompanhada? Inicialmente, treinei sozinha, saía de manhã cedo para treinar e a cidade estava completamente vazia, era algo desolador correr assim, por vezes até ficava feliz por ver um carro, ou alguém passar do outro lado da rua. Agora felizmente, já corro com a companhia de duas colegas de treino e como ainda não tenho planos para voltar à competição, posso desfrutar mais destes treinos.

Treinou à mesma fora de casa ou dentro de casa? Lembro-me de ver vídeos de pessoas a treinar dentro de casa, e conheço casos de pessoas que correram a distância de uma maratona nessas condições, o que é um teste à resiliência de qualquer um. No meu caso, os únicos treinos que fiz em casa foram aulas de Pilates por vídeo conferência com o grupo que frequento regularmente. Fora de casa, só mais recentemente é que comecei a treinar com maior frequência.

5 – Tem participado nas Corridas Virtuais? Não, percebo que muitos atletas na ausência de competição, participem nesses eventos para se manterem motivados, e que as organizações se mantenham ativas e não caiam no esquecimento. Mas no meu caso, não sinto motivação para competir sem a envolvência natural das provas, a festa da partida, ou a emoção da chegada, as conversas triviais e os parceiros ocasionais durante a prova, tudo isto são fatores que valorizo muito nas provas. Sem competições no horizonte, talvez chegue a hora de tentar uma corrida virtual, mas por enquanto ainda não está nos meus planos.

Quando pensa que as provas poderão recomeçar? E em que condições? Essa é uma pergunta que muitos têm feito e ainda ninguém soube responder. Pelo que sei, alguns campeonatos de pista já estão programados, mas não sei em que condições. Penso que serão disputados talvez em séries, com o geral dos atletas a serem divididos em grupos de 4 ou 5. Na estrada, tal não é possível devido ao número de atletas envolvidos, algumas provas estão agendadas para Outubro, mas até lá, muita coisa pode ainda mudar. Espero que tudo corra pelo melhor e que em Outubro já possa competir.

 

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