Os pontos altos e baixos do Campeonato de Portugal

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  • Recordes e boas marcas “versus” ausências e escusada confusão com estrangeiros

Um recorde de Portugal, três recordes dos campeonatos, onze melhores marcas nacionais do ano – foi positivo o Campeonato de Portugal este fim-de-semana realizado em Pombal, única pista disponível para o efeito… Mas também houve ausências lamentáveis e uma escusada confusão com a regulamentação de estrangeiros…  Vejamos o que de mais relevante se passou, começando pela escolha dos pódios dos campeonatos.

PÓDIO MASCULINO

1º SAMUEL REMÉDIOS (J. VIDIGALENSE)

Excelente heptatlo de Samuel Remédios, com recordes pessoais no comprimento (7,41 para 7,52), peso (13,11-13,70) e altura (2,00-2,03), melhores marcas (relativamente ao seu anterior melhor heptatlo) também nas barreiras (8,09-7,98) e na vara (4,85-5,00), ficando aquém apenas nos 60 m (6,91-6,92) e principalmente nos 1000 m (fez 2.57,33), prova na qual os 2.46,15 do anterior heptatlo lhe teriam valido um sensacional recorde de 6095 pontos, a melhor marca mundial do ano! Acabou por ficar com 5980 pontos, nona marca.

2º TSANKO ARNAUDOV (BENFICA)

Continua muito consistente acima dos 20 metros (mais três lançamentos) e os 20,57 que alcançou são mesmo a sua terceira marca de sempre em pista coberta, apenas superada pelo recorde nacional de 21,08 (em 2017) e pelos 20,86 desta época.

3º ANCUIAM LOPES (SPORTING)

Bons progressos esta época (tinha 6,71 como melhor, já vai em 6,65), tornando-o o mais rápido português da atualidade e o quarto de sempre. Progrediu mais três centésimos neste campeonato.

PÓDIO FEMININO

1ª LORÈNE BAZOLO (SPORTING)

Ganhou os 60 e 200 metros, com destaque para o tempo da distância mais curta, novo recorde dos campeonatos (7,30) e a escassos três centésimos do seu melhor, alcançado esta época.

2ª RIVINILDA MENTAI (BENFICA)

Melhorou o seu recorde pessoal nos 400 m de 55,04, já esta época, para 54,73, subindo a sétima de sempre, e deu alguma réplica a Bazolo nos 200 m (24,15-24,36).

3ª EVELISE VEIGA (SPORTING)

Ganhou o salto em comprimento com 6,22, a um só centímetro do seu recorde pessoal em pista coberta, e foi segunda no triplo, com 13,06, marca que a coloca como sexta portuguesa de sempre.

SUBIDAS NO TOP’10 DE SEMPRE

MASCULINOS
Samuel Remédios JV heptatlo 5980
Ancuiam Lopes SCP 60 m 6,65
Carlos Veiga SCP triplo 16,34
Miguel Carvalho SLB 5000 m M 19.44,10
Tiago Pereira SLB triplo 16,3
Frederico Curvelo SLB 200 m 21,43
Hélio Vaz SLB 60 bar. 7,94
FEMININOS
Lucinda Gomes SCP triplo 13,14
Evelise Veiga SCP triplo 13,09
Edna Barros COP 3000 m M 12.48,51
Rivinilda Mentai SLB 400 m 54,73
Mara Ribeiro SLB 3000 m M 13.07,19
10ª Beatriz Batista SLB vara 3,69

POSITIVO

+ RESULTADOS: Houve um recorde nacional (Samuel Remédios no heptatlo), três recordes dos campeonatos (mais Tsanko Arnaudov no peso e Lorène Bazolo nos 60 m), 11 melhores marcas nacionais do ano. E, comparando com 2017, 18 marcas campeãs melhores (10 masculinas, 8 femininas) contra 11 piores (4+7) e uma igual. Positivo.

+ EXEMPLO: O 18º título de João Vieira na marcha, para além da proeza em si, é um grande exemplo de dedicação e da importância que o atleta dá aos títulos nacionais no que, infelizmente, não é acompanhado por muitos colegas nem pela Federação, que há muito deveria premiar esses atletas para salientar o seu exemplo. Por que não um prémio especial a quem conseguisse, por exemplo, três títulos consecutivos ou cinco alternados? E outros prémios para quem somasse 10, 15, 20 títulos? Destaque, neste campeonato, para o 9º título de Sara Moreira (7º nos 3000 m), para o 8º de Ana Cabecinha (7 dos quais seguidos) e para o 7º de Rasul Dabo. Justificavam um reconhecimento oficial…

NEGATIVO

– AUSÊNCIAS: Como sempre, houve ausências a lamentar, a mais grave das quais a de Nelson Évora, que não cumpriu a obrigatoriedade de presença imposta pelos critérios de seleção para o Mundial, preferindo saltar na Polónia a meio da semana. Mas enquanto a Federação não atuar…

– ESTRANGEIROS: Grande confusão armou a Federação ao alterar a regulamentação do campeonato relativamente ao que vem expresso no Regulamento Geral de Competições, distinguindo os cidadãos de países da Comunidade Europeia e Palop’s dos demais. Resultado: enquanto a brasileira Tamiris de Liz, em Portugal há meia dúzia de meses (se tanto…), pode ir à final dos 60 m, Rosalina Santos, sul-africana mas em Portugal desde miúda e que só não é já portuguesa devido a problemas burocráticos, teve que ficar de fora. Ridículo. Isso para já não falar na ideia (por enquanto, que se saiba, ainda não concretizada) de permitir que atletas estrangeiros (mesmo que com idade inferior a 18 anos) possam ser recordistas nacionais…

MELHORES DO ANO

MASCULINOS FEMININOS
Ancuiam Lopes SCP 6,65 60 m Lorène Bazolo SCP 7,27
Frederico Curvelo SLB 21,43 200 m Lorène Bazolo SCP 24,15
V. Ricardo Santos SLB 47,39 400 m Cátia Azevedo SCP 53,94
João Fonseca SLB 1.50,60 800 m Marta Pen SLB 2.04,85
Emanuel Rolim SLB 3.44,38 1500 m Carla Mendes JV 4.30,72
Francisco Rodrigues SCB 8.18,05 3000 m Marta Pen SLB 9.03,18
Rasul Dabo SCP 7,81 60 bar. Olímpia Barbosa SCP 8,29
Victor Korst SLB 2,14 altura Anabela Neto SCP 1,79
Diogo Ferreira SLB 5,55 vara Marta Onofre SCP 4,30
Miguel Marques SCP 7,57 comp. Evelise Veiga SCP 6,22
Nelson Évora SCP 17,30 triplo Lucinda Gomes SCP 13,14
Tsanko Arnaudov SLB 20,86 peso Jéssica Inchude SCP 16,65
Samuel Remédios JV 5980 hep/pent. Lecabela Quaresma JV 4320
João Vieira SCP 19.33,41 marcha Ana Cabecinha COP 12.39,39
Sporting CP SCP 3.18,66 4×400 m Sporting CP SCP 3.49,94

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