Porque transpiramos?

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Qual a função do suor sob a ótica da fisiologia e porque devemos repor líquidos e minerais perdidos no suor?

Suar não é agradável, mas é necessário. É pela transpiração que o corpo mantém uma temperatura adequada ao bom funcionamento do organismo. Estamos sempre transpirando, mesmo sem notar. Um adulto tem mais de 3 milhões de glândulas sudoríparas, capazes de produzir até 12 litros de suor por dia.
Quando o suor evapora, o corpo esfria e dissipa o calor gerado pelo metabolismo – a transpiração só fica “visível” na pele quando a saída do suor excede a taxa de evaporação, o que é mais frequente nesta época do ano, quando o clima está quente e húmido, e durante a realização de exercícios físicos, principalmente os de alta intensidade ou de longa duração.
Porém, uma transpiração exagerada pode gerar uma perda excessiva de minerais e, no pior dos casos, gerar um desmaio, chamado, em termos médicos, de síncope: é um estado que o corpo atinge quando há uma queda de pressão e, por causa do esforço físico, o cérebro não recebe a quantidade de oxigénio necessária.
O organismo está sempre a produzir energia. Apenas com os afazeres normais do quotidiano, sem realizarmos qualquer atividade física especialmente pesada, consumimos, a cada dia, perto de 2.000 a 2.500 quilocalorias (kcal) de energia química na forma de alimentos. As tarefas mecânicas, como andar, subir escadas, levantar coisas simples como um copo, consomem 20% ou 30% da energia total. A maior parte, cerca de 70% a 80%, é usada apenas para manter o funcionamento basal do organismo – o coração batendo, o sangue circulando, os rins, o fígado e o cérebro funcionando, o que gera a energia térmica que mantém a temperatura corporal próxima aos 37ºC.
Para garantir essa estabilidade, por exemplo, se perdemos mais energia térmica do que estamos produzindo internamente, sentimos frio e os músculos tremem para produzir calor. E transpiramos quando fazemos atividades físicas pesadas e produzimos muita energia, para manter a nossa temperatura estável.

PERDA DE PESO

Um corredor de estatura mediana, com um peso à volta de 70 kg, quando atinge uma velocidade de cerca de 4 min/km, perde entre 1 e 1,5 litro de suor. Essa quantidade pode chegar a 2 ou 2,5 litros em casos de atletas de maior performance, como ficou registrado nos Jogos Olimpícos de Los Angeles, em 1984, realizada sob forte calor, quando o maratonista Alberto Salazar perdeu cerca de 8% do seu peso corporal, apesar de ter ingerido mais de 2 litros de líquidos durante a prova.
O que não significa que Salazar tenha sofrido uma perda de peso real. A perda de peso pela transpiração ocorre pela excreção de água através das glândulas sudoríparas. Essa água deve ser reposta para não levar à desidratação; ou seja, a transpiração não produz diretamente um gasto calórico. Portanto, perder água e não rehidratar o corpo com medo de engordar é um erro grave.

Há ainda  um “outro lado da moeda” quando se fala em hidratação adequada quando o clima está muito quente e húmido, interferindo diretamente nesse mecanismo natural de regulação térmica corporal. A humidade relativa do ar muito elevada, geralmente acima dos 78%, “atrapalha” a produção de suor e impede que o organismo resfrie o corpo normalmente. Sem conseguir dissipar o calor, o corredor provavelmente sentirá mais sede e terá necessidade de se hidratar mais. E é aí onde mora outro perigo, o risco de hiponatremia (quando a concentração de sódio extracelular fica muito baixa), por excesso de ingestão de líquidos.
Com uma hidratação inadequada, o corredor pode sofrer de arritmias cardíacas e problemas renais graves, além da diminuição do desempenho. Na maioria das vezes, apenas a ingestão de água é suficiente para uma hidratação adequada, exceto nos casos de atividade física intensa e prolongada, nas quais há necessidade do uso de isotónicos para uma mais rápida absorção e reposição de água e dos sais e minerais perdidos.

Uma boa forma de se ter uma ideia sobre a perda de líquidos durante a corrida sob forte calor, é o atleta pesar-se, sem roupas, antes e após o exercício. A fórmula usada por nutricionistas costuma ser, para até meio quilo perdido num treino de 40 minutos, ingerir-se meio litro de líquidos para repor a eliminação de aproximadamente meio litro pelo suor.

Minerais perdidos no suor
Ferro – 
Responsável pelo transporte de oxigénio pelo sangue até os tecidos.
O que provoca: cansaço, fadiga e palidez, que pode originar uma anemia ferropénica.

Zinco – Responsável por manter o equilíbrio do sistema imunológico, além de atuar no metabolismo de energia para formar parte de quase 200 enzimas.
O que provoca: pode produzir retardamento no crescimento, perda de cabelo, diarreias, impotência sexual, apatia, cansaço e depressão, lesões oculares e da pele, unhas quebradiças, amnésia, perda de apetite e de peso, aumento do tempo de cicatrização de ferimentos e anomalias no olfato.

Cromo – Ajuda no fator de tolerância à glicose e regula a quantidade de glicose que se armazena nos tecidos.
O que provoca: A sua carência nos seres humanos pode causar ansiedade, fadiga e problemas de crescimento.

Magnésio – A maior parte do magnésio no organismo encontra-se nos ossos e os seus íons desempenham um papel importante na atividade de muitas co-enzimas e em reações que dependem da ATP (adenosina trifosfato).
O que provoca: cãibra, agitação, anemia, anorexia, ansiedade, mãos e pés gelados, perturbação da pressão sanguínea (tanto com hipertensão como hipotensão), insónia, irritabilidade, náuseas, fraqueza e tremores musculares, nervosismo, desorientação, alucinações, cálculos renais e taquicardia.

GOTA A GOTA
– Quando fazemos atividades físicas, para cada unidade de energia mecânica gerada, O nosso corpo produz cerca de quatro unidades de energia química: uma para dar conta do trabalho externo e as outras três para aquecer o corpo.
– Se a atividade física é relativamente pesada e o ambiente não está frio, os mecanismos de radiação e condução (ou convecção) podem não ser suficientes para manter a temperatura corporal ideal, então, começamos a suar.
– O suor é composto por água (em mais de 90%), cloreto de sódio e ureia, composição semelhante à da urina, porém muito mais diluída.
– Suar produz um gasto calórico desprezível, por isso, transpirar, pura e simplesmente, não emagrece.
– A transpiração, em si, não tem odor. O mau cheiro é provocado pelas bactérias presentes nas glândulas sudoríparas que metabolizam o suor.
– Alguns alimentos podem influenciar no mau cheiro do suor, embora esse efeito seja transitório. Aqueles que mais causam esse efeito são os que contêm enxofre, como o alho e a cebola.
– O consumo excessivo de proteínas aumenta a produção de amónia, dando ao suor um cheiro mais intenso. Assim como dietas com grande restrição de carbohidratos também podem modificar os odores corporais, já que o metabolismo acelerado de gorduras produz os corpos cetónicos, causadores de um odor característico.

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