Sebastian Coe foi desafiado a começar recordes do zero

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O jornalista italiano Gianni Melro que preside à AIPS (Associação Internacional da Imprensa Desportiva) e que se notabilizou como cronista de atletismo no diário Gazzetta dello Sport, endereçou uma carta aberta ao presidente da IAAF, o britânico Sebastian Coe, desafiando-o, a fazer um corte com o passado, encerrando o livro dos recordes, para começar tudo de novo, já que os actuais máximos  enfermam de fortes suspeitas de terem sido obtidos com a ajuda de substâncias dopantes.

Na missiva endereçada, Melro começa por recordar que há cerca de um mês a IAAF colocou no ar um portal on-line, cuja finalidade é permitir às pessoas denunciarem eventuais casos de suspeita de doping, considerando que isto é uma medida arrojada, mas necessária,” mas já que se a luta contra o doping chegou a este ponto tão difícil, é altura de fechar os livros dos recordes mundiais no atletismo e abrir novos.”

Gianni Melro fundamenta esta sua proposta com o facto de ultimamente se ter assistido a um elevado número de campeões olímpicos a serem despojados das suas marcas e medalhas por terem sido detetados na reanalise das suas amostras de sangue e urina, produtos dopantes que, à época em que foram recolhidas não foram detetadas por não existirem ainda os meios técnicos adequados. Perante tal cenário e face às dúvidas do passado, a solução seria esquecer os atuais recordes  e assim, dar uma nova esperança às próximas gerações.

Outra das razões evocadas é o facto dos recordes das corridas de meio-fundo e fundo terem todos sido obtidos com a ajuda de “lebres” o que não é permitido em grandes competições, tipo campeonatos da Europa, Mundiais ou Jogos Olímpicos, inviabilizando assim a obtenção de um qualquer recorde da especialidade em grandes eventos.

A concluir Melro acrescenta que “ A busca fanática por recordes trouxe o atletismo à beira da destruição. É hora de mudar de direção.

Usain Bolt não será lembrado pelas suas marcas, mas pelo que ele conseguiu em cada corrida, pelo seu comportamento. As pessoas lembram-se de Jesse Owens não pelo seu recorde mundial, mas pelo símbolo que ele representou.”

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