Segunda melhor presença em Europeus de pista coberta

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Excelente a presença portuguesa no Europeu de pista coberta de Belgrado, a segunda melhor de sempre em 34 campeonatos, 28 dos quais com atletas nacionais.

[A título de curiosidade e para se fazer uma ideia da evolução do atletismo português – refletindo o país no seu todo – na segunda metade do século passado: as nove primeiras presenças portuguesas em Europeus, de 1973 a 1984, resumiram-se a um atleta (8 vezes) e dois (1 só vez). Só depois de 1985 passaram a ser, no mínimo, seis atletas. E, a partir de 1994, sempre com medalhas.]

Vejamos:

Títulos (1): Nas últimas 12 edições (desde 1994), só em 2000, Portugal não conseguiu medalhas de ouro. Foi uma por cada edição, salvo em Estocolmo’1996, quando Carla Sacramento (1500 m) e Fernanda Ribeiro (3000 m) trouxeram duas. Nos dois últimos Europeus (2015 e 2017), esteve Nelson Évora de “serviço”…

Medalhas (2): Foi a quinta vez que Portugal conseguiu duas medalhas. Mas o máximo é de três, nas edições de Valência’1998 (ouro para Rui Silva, prata para Carlos Calado e Fernanda Ribeiro) e de Viena’2002 (ouro para Rui Silva e prata para Carla Sacramento e Naide Gomes).

Finalistas (5): O máximo de presenças entre os oito primeiros foi de sete, em Valência’1998. Os cinco finalistas deste ano igualam Paris’2011.

Pontos (24): Este o dado que melhor reflete a atuação portuguesa – o número de pontos (8-7-6-…-3-2-1 para os oito primeiros). Portugal foi 11º neste Europeu, com 24 pontos, a segunda melhor pontuação de sempre, depois dos 30 de Valência. A presença deste ano superou a de Viena’2002 (22 pontos) e Paris’2011 (21) e duplica a pontuação da anterior edição, em Praga’2015 (12 pontos). Excelente!

OS PORTUGUESES UM A UM

Nelson Évora (1º): Excedeu as melhores previsões. Começou por melhorar os 16,75m que obtivera em Madrid, duas semanas antes, com 16,79 na qualificação. Depois, na final, chegou primeiro a 16,92 e a seguir a 17,20, apenas menos um centímetro que a marca que lhe valeu o título há dois anos. E que é, a sua quinta marca de sempre em pista coberta.

Patrícia Mamona (2ª): Depois de duas medalhas europeias ao ar livre, chegou ao pódio em pista coberta com um 2º lugar e uns excelentes 14,32 (curiosamente a mesma marca que lhe deu o 5º lugar há dois anos!), a quatro escassos centímetros do seu recorde nacional da época passada e a cinco centímetros do título. Que seriam facilmente ultrapassáveis com uma chamada mais próxima do limite e não com os 30 cm que “ofereceu”!…

Tsanko Arnaudov (4º): Voltou a surpreender agradavelmente, ultrapassando o seu recorde nacional (absoluto), conseguido há dois anos e que constituiu então enorme surpresa. Com sensacionais 21,08m, não só bateu o recorde nacional de pista coberta (Marco Fortes, 20,91 em 2012) como bateu o absoluto (ar livre). E o seu quarto lugar (numa prova de nível bastante elevado), supera o 5º posto que Marco Fortes havia conseguido em 2011, com 20,02, depois de 20,23 na qualificação.

Susana Costa (7ª): Conseguiu melhores marcas do ano tanto na qualificação (13,97) como na final (13,99), acabando num honroso 7º lugar… que no entanto terá sabor a pouco. Vale mais de 14 metros…

Lecabela Quaresma (7ª): Estava a fazer um excelente pentatlo mas não esteve ao seu melhor nível no comprimento e acabou a 29 pontos dos 4517 de duas semanas antes, no Campeonato de França. Melhorou em três das cinco provas, mas os 73 pontos perdidos no comprimento foram fatais para o objetivo-recorde pessoal. Ficou uma muito honrosa sétima posição na sua estreia a este nível.

Ancuiam Lopes (10º): Cumpriu em pleno: passagem às meias-finais dos 60 m e recorde pessoal (6,71s). No final, foi 10º entre 26 concorrentes, bem na primeira metade.

Emanuel Rolim (10º): A passagem à final era difícil e muito dependente do ritmo que seria imposto à sua série. Este acabou por ser lento e ele foi terceiro mas ficou fora da final, enquanto na terceira série, foram apurados os cinco primeiros, três dos quais por tempos. O seu 10º tempo não o deixa mal.

Francisco Belo (15º): Revelação deste início de época, não esteve ao seu nível na sempre complicada qualificação, com apenas três lançamentos. Com 19,55m, ficou na segunda metade de entre os 23 concorrentes.

Lorène Bazolo (16ª): Qualificou-se para as meias-finais mas com um tempo (7,49s) bem aquém da sua valia. E na meia-final teve uma partida péssima, certamente influenciada pelo triste episódio da sua desclassificação imediatamente anterior, que viria a ser retirada por manifesto erro (mais um…) dos juízes. Acabou última, com 7,51.

Marcos Chuva (n/cl.):  Anda em maré de azar. Depois da lesão no Nacional de Clubes, três saltos nulos na qualificação do comprimento no Europeu. E a passagem à final (8 atletas) – conseguida com 7,72m – estava ao seu alcance.

NEGATIVO: OS EQUIPAMENTOS

Portugal apresentou-se com dois equipamentos diferentes (!), um com camisola branca, outro com verde. Nenhum deles deveria ter sido utilizado. As cores nacionais são o vermelho e verde e essas deveriam ser sempre (salvo em casos em que o regulamento não o permita) as cores dos equipamentos nacionais. Infelizmente, a Federação de Atletismo tem usado e abusado de outras cores e combinações que nada têm a ver com as cores da nossa bandeira. Que deveria ser sempre respeitada!

RECORDES E MELHORES MARCAS

Recorde europeu: heptatlo – Kevin Mayer FRA 6479 pontos (2º mundial de sempre)

Recorde mundial de juniores: triplo – Melvin Raffin FRA 17,20m (na qual.)

Recorde mundial de veteranos (M40): triplo – Fabrizio Donato ITA 17,13m

– Melhores marcas mundiais do ano: 10 provas

– Melhores marcas europeias do ano: 17 provas

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